Lobsang Rampa

INSTRUÇÕES

Algumas destas lições serão mais longas e eventualmente mais difíceis do que outras, mas não têm conteúdo inútil: encerram «substância» verdadeira, sem qualquer adorno. Escolha uma noite todas as semanas para estudar estas lições, adquirindo o hábito de estudar a uma hora certa, num determinado lugar, em dado dia. A tarefa vai além de uma simples leitura de palavras pois é necessário absorver as ideias, pelo que a disciplina mental dos hábitos regulares irá ajudá-lo muitíssimo. Decida-se por um lugar em casa onde se sinta à vontade, pois aprenderá mais depressa sentindo-se confortavelmente instalado. Deite-se, se preferir, mas adopte uma posição que não exija esforço muscular, relaxando de modo que toda a atenção seja canalizada para as palavras e para as ideias que encerram. Tome providências para que durante uma ou duas horas, ou durante o tempo necessário para cada lição, ninguém se intrometa nem desvie o fio do seu pensamento. No aposento escolhido feche a porta e feche as cortinas de modo que os cambiantes da luz do dia não distraiam a atenção. Mantenha apenas uma luz acesa colocada atrás de si, que deve servir para ler, enquanto o resto da divisão se manterá numa sombra propícia. Deite-se ou adopte qualquer outra posição desde que seja inteiramente cómoda e repousante. Descanse por momentos e inspire o ar três vezes seguidas com intensidade. Sustenha a respiração por três ou quatro segundos, e depois expire lentamente durante o mesmo espaço de tempo. Descanse mantendo-se imóvel por alguns segundos, e a seguir pegue na sua lição. De início leia-a despreocupadamente, tal como se estivesse a ler um jornal. Depois faça uma pausa para que o que leu chegue ao seu subconsciente. Repita o exercício, percorrendo o teor da lição meticulosamente, parágrafo a parágrafo. Se alguma coisa o intrigar tome nota num bloco de papel. Não decore seja o que for. De nada adianta ser escravo da palavra impressa, uma vez que todo o objectivo da lição é o de alcançar o subconsciente. O leitor está a armazenar conhecimentos que poderão libertá-lo dos liames da carne, dando-lhe a capacidade de ver como é feito este corpo humano e de descobrir a finalidade da vida na Terra. Quando tiver percorrido de novo o teor da lição, consulte as notas que tirou e pense nos pontos que o intrigaram ou não ficaram esclarecidos. É muito maior o valor e o benefício se for você mesmo a pensar na resposta encontrando-a sozinho. É necessário que participe: tudo quanto vale a pena ter merece bem o esforço despendido a consegui-lo. Você precisa de abrir a mente, dispor-se a adquirir conhecimentos novos «imaginando» que o conhecimento flui na sua direcção. «O homem é aquilo que for a sua mentalidade».    

                
..  LIÇÃO 1  ..

Antes de procurarmos compreender a natureza do ‘eu maior’, ou de lidar com qualquer questão «oculta» precisamos de ter a certeza de que compreendemos a natureza do homem. Deixemos bem explícito que a mulher é igual ao homem em todas as questões referentes às coisas ocultas e às percepções extra-sensoriais. Na verdade a mulher apresenta em geral uma aura mais brilhante e uma maior capacidade para apreciar as diversas facetas da metafísica.

O QUE É A VIDA?

Tudo o que existe é «vida». Até mesmo uma criatura a que normalmente consideramos «morta» está viva. A forma normal da sua vida pode ter cessado – e então dizemos que está morta –, mas com a paragem dessa «vida» uma nova forma de vida foi iniciada. O processo de dissolução cria vida própria. Tudo o que existe vibra. Tudo é formado por moléculas em movimento constante. A utilização do termo moléculas e não de átomos, neutrões, protões, etc., deve-se ao facto de este curso ser de Metafísica e não de Física ou de Química. As moléculas são pequenas, muito pequenas, mas podem ser vistas ao microscópio electrónico e por aqueles que foram iniciados nas ciências metafísicas. A molécula é a menor porção possível de substância capaz de existência independente mantendo as propriedades dessa substância. As moléculas são formadas por partículas ainda menores – os átomos. Um átomo é como um sistema solar em miniatura: o seu núcleo é como o Sol no sistema solar. Em volta desse «sol» giram electrões à semelhança do movimento dos planetas no nosso sistema solar. Tal como no sistema solar a unidade do átomo é quase inteiramente espaço vazio.O átomo de carbono é o «tijolo» do nosso universo. Cada substância tem um número diferente de electrões em redor do seu núcleo. O carbono possui apenas seis: dois junto ao núcleo e quatro com órbitas maiores. Esquecendo os átomos, daqui em diante só se fará referência a moléculasO homem é uma massa de moléculas em rotação rápida. Parece ser sólido, mas essa solidez é uma ilusão para nós. Pensemos numa criatura de tamanho infinitamente pequeno olhando de uma certa distância para um corpo humano. Essa criatura veria sóis em rodopio, nebulosas em espiral e faixas parecidas com a Via Láctea. Nas partes moles do corpo – os músculos – as moléculas estariam amplamente dispersas, enquanto nas partes duras – os ossos – as moléculas seriam densas, agrupadas e dando a aparência de um enorme conglomerado de estrelas.Imaginemo-nos no cume de uma montanha em noite clara. Fazendo deslizar os nossos olhos extasiados pela procissão infinita de corpos celestes, acima de nós estendem-se galáxias; conglomerados de estrelas adornam o negrume da noite. No firmamento, a faixa conhecida por Via Láctea apresenta-se uma esteira vasta e leitosa. Estrelas, planetas. Moléculas. Assim nos veria, a nós, essa criatura microscópica. As estrelas aparecem aos nossos olhos como pontos de luz separadas por espaços de grandeza incrível. Existem biliões, triliões e, ainda assim, comparadas com o grande espaço vazio parecem poucas. Suponhamos que era possível fechar os espaços entre as estrelas (as moléculas). Que veríamos? Essas moléculas vistas pela criatura somos nós. Qual é então a forma final das formações estelares no firmamento? Cada homem é um universo no qual os astros (as moléculas) rodopiam em torno de um «sol» central. Cada rocha, graveto ou gota de água compõem-se de moléculas em movimento constante.O homem é constituído por moléculas em movimento. Esse movimento gera uma forma de electricidade que, unindo-se à electricidade proporcionada pelo eu maior, forma a vida sensível. Em torno de todos os astros – e moléculas – as radiações magnéticas encontram-se e interactuam com outras radiações emanadas dos mundos ou moléculas vizinhas. «Nenhum homem é um mundo isolado». Nenhum mundo ou molécula pode existir sem outros mundos ou moléculas. Todas as criaturas, mundos ou moléculas dependem da existência de outras criaturas, mundos ou moléculas, para que a sua própria existência possa ser assegurada. Também devemos ter em linha de conta o facto de os grupos moleculares serem de densidades diferentes tal como os conglomerados de estrelas: em determinados pontos do universo há regiões povoadas por um pequeno número de astros mas outras zonas existem em que a densidade de corpos celestes é considerável, como acontece na Via Láctea. De modo semelhante a rocha pode apresentar uma «constelação» muito densa, ou galáxia. O ar é povoado por um número menor de moléculas – o ar entra em nós e, através dos capilares existentes nos pulmões, chega à corrente sanguínea. Além do ar existe espaço onde há conglomerados de moléculas de hidrogénio em oscilação turbulenta e, naturalmente, as estrelas e planetas formadas pelas moléculas de hidrogénio. Se um deles apresentar um conjunto substancial de grupos moleculares torna-se difícil para qualquer outra criatura passar pelos grupos. Mas aquilo que se pode designar por «fantasma», cujas moléculas são amplamente espaçadas, pode facilmente atravessar uma parede de tijolos. Admitamos a parede de tijolos tal como ela é realmente: um conjunto de moléculas algo semelhante a uma nuvem de poeira suspensa no ar. Por incrível que pareça existe espaço entre as diferentes estrelas, e se algumas outras criaturas fossem suficientemente pequenas ou se as moléculas estivessem bastante dispersas, nesses casos poderiam passar entre as moléculas de uma parede de tijolos sem tocar em nenhuma delas. Isto dá-nos a possibilidade de imaginar como um «fantasma» pode atravessar o que se nos afigura ser uma parede sólida. Tudo é relativo e uma parede que nos parece sólida pode não o ser para um «fantasma» ou para uma criatura do mundo astral.

               
..  LIÇÃO 2  ..

O corpo humano é uma colecção de moléculas e, embora uma criatura muito diminuta, como por exemplo um vírus, nos visse como um conjunto de moléculas, temos de encarar agora o ser humano também como uma colecção de substâncias químicas. Um ser humano é constituído por muitas substâncias químicas, principalmente por água – a própria água é formada por moléculas – e se pudéssemos ensinar um vírus a falar ele nos diria que via moléculas de água em movimento em torno umas das outras como areias numa praia. Quem comprar uma pilha eléctrica receberá um recipiente com envólucro de zinco e um eléctrodo de carbono dentro – um pedaço de carbono com a espessura de um lápis – e um conjunto de substâncias químicas adicionadas sob pressão entre o envólucro de zinco e o bloco central de carbono. Por dentro todo este material está húmido mas por fora está seco. Colocando a pilha na lanterna e accionando o botão obtemos luz, porque sob certas condições, os metais, o carbono e as substâncias químicas reagem juntos, produzindo electricidade. Na realidade a electricidade não está dentro da pilha, mas é um conjunto de substâncias químicas prontas a executar uma função sob determinadas condições. Embarcações e navios de todos os tipos geram electricidade pelo simples facto de estarem na água salgada. Sob certas condições um navio parado no mar pode gerar uma corrente eléctrica entre chapas adjacentes de metais diferentes. E se um navio tiver um fundo de cobre ligado a uma estrutura superior de ferro a electrólise (geração de corrente eléctrica) corroeria toda a junção entre as duas chapas de metal diferente, o cobre e o ferro. Contudo isto é evitável mediante o emprego de um «ânodo sacrificial». Mas se o «ânodo sacrificial» for adaptado ao navio ou embarcação abaixo da linha de flutuação e ligado a outras partes submersas de metal, será corroído e desaparecerá, impedindo que o casco do navio se deteriore. Quando este pedaço de metal é corroído substitui-se. Isto faz parte de um serviço comum de manutenção dos navios. Este é um outro exemplo de como a electricidade ser gerada pelos processos menos comuns.

O cérebro gera electricidade própria. No corpo humano existem vestígios de metais como o zinco, muita água e substâncias químicas tais como magnésio, potássio, etc. Estes combinam-se para formar uma corrente eléctrica de fraca intensidade mas que pode ser apreendida, medida e transcrita através de um aparelho de encefalografia. O cérebro é uma espécie de estação receptora das mensagens transmitidas pelo eu maior e o cérebro humano pode, por sua vez, transmitir mensagens, tais como as lições que aprendemos, ou as experiências por que passamos ao eu maior. Estas mensagens são levadas por meio do cordão de prata, massa de moléculas em alta velocidade que vibra e gira em faixa extremamente divergente de frequência e que liga o corpo humano ao eu maior humano.

O corpo humano, aqui na Terra, é como um veículo que funciona por controlo remoto. O controlador é o eu maior. O eu maior não pode descer à Terra para adquirir mais experiência, então envia o seu corpo, que somos todos nós. Tudo o que passamos, fazemos, pensamos ou ouvimos, viaja e sobe para ser armazenado na memória do eu maior. Os homens de excepcional inteligência que têm «inspirações» recebem com frequência uma mensagem directamente, e conscientemente, do eu maior mediante o cordão de prata. Leonardo da Vinci foi um desses homens que se encontrava em contacto constante com o seu eu maior, pelo que atingiu uma craveira de génio em todas as actividades a que se dedicou. O mesmo acontece com os grandes artistas ou músicos, que estão em contacto com o seu eu maior através de uma ou duas «linhas» particulares, de modo que ao «regressar» compõem «por inspiração» a música ou a pintura que lhes foram mais ou menos ditadas pelos poderes maiores que nos controlam. O cordão de prata liga-nos ao nosso eu maior tal como o cordão umbilical liga a criança à mãe. Este cordão é uma massa de moléculas girando em torno de uma faixa extremamente ampla de frequência, intangível no que diz respeito ao corpo humano sobre a Terra: as moléculas estão demasiado dispersas para que a visão normal do ser humano o possa visualizar. Muitos animais conseguem vê-lo porque a sua visão se exerce numa diferente faixa de frequência e ouvem também em frequências diferentes não acessíveis ao homem. Como se sabe os cães podem ser chamados com um apito «silencioso», que nós não conseguimos ouvir devido à alta frequência dos sons emitidos, facilmente apreendidos pelos cães. Assim, os animais podem ver o cordão de prata e a aura, porque ambos vibram em frequências que se encontram dentro da receptividade da visão animal. Mas com alguma prática torna-se facilmente possível ao ser humano alargar a amplitude de receptividade da sua visão. O cordão de prata é uma massa de moléculas, uma massa de vibrações. Podemos compará-lo ao feixe estreito de ondas de rádio que os cientistas enviam para a Lua para medir a distância a que esta se encontra da Terra. O eu maior comunica com o corpo humano, na Terra, e tudo o que fazemos é sabido e conhecido pelo eu maior. As pessoas que se esforçam por se tornar espirituais, esforçam-se por aumentar a sua própria cadência de vibrações na Terra e por meio do cordão de prata aumentar a cadência de vibrações do eu maior. Cada boa acção que fizermos aumenta a nossa cadência de vibrações na Terra e no astral, mas se fizermos mal a alguém isso diminui a cadência de vibração espiritual. Assim, quando prejudicamos outrem, colocamo-nos um degrau abaixo na escada da evolução, e através de cada boa acção aumentamos a nossa vibração pessoal de forma idêntica. Por isso é que se torna essencial adoptar a fórmula budista na qual se exorta a criatura que «retribua o mal com o bem», pois ao fazer o bem em todos os momentos progredimos no sentido ascendente. Todos conhecemos alguém que apelidamos de «indivíduo baixo», no sentido moral. É tudo uma questão de vibração, uma questão do que o corpo transmite pelo cordão de prata do eu maior e que este devolve, por aquele mesmo cordão, ao corpo.Muitas pessoas não compreendem a sua incapacidade de entrar conscientemente em contacto com o eu maior. É uma difícil tarefa para quem não tenha recebido preparação prolongada. É muito melhor, nesta etapa da evolução, não dar demasiada atenção às tentativas de entrar em contacto consciente com o nosso eu maior, porque nenhum curso, nenhuma informação, conseguirão transmitir o que requereria talvez dez anos de prática.Leia este curso. Estude. Pense nele. E se abrir o seu espírito, o esclarecimento poderá ser-lhe concedido. Há conhecimento de muitos casos, na sua maior parte mulheres, em que as pessoas receberam certas informações e passaram a poder ver o etéreo ou a aura ou o cordão de prata. Também você poderá fazê-lo, se quiser acreditar!

               
..  LIÇÃO 3  ..

Já vimos como o cérebro humano gera electricidade mediante a acção de certas substâncias químicas. Tal como o cérebro humano também o corpo gera electricidade, pois o sangue percorre as veias e artérias do corpo transportando de igual modo essas substâncias químicas, esses vestígios de metais e água. O sangue é principalmente composto de água. Todo o corpo se encontra permeado de electricidade, não do mesmo tipo que utilizamos na iluminação ou nos aparelhos domésticos, mas vamos encará-lo como sendo de origem magnética. Se pegarmos numa barra de íman e a colocarmos sobre uma mesa e em seguida cobrirmos a barra com uma folha de papel liso, centrada em relação ao íman, em cima do qual espalhamos uma boa quantidade de limalha de ferro, tal como se deitasse sal ou pimenta na comida de uma altura de cerca de 30 centímetros, veremos que essa limalha se orienta de acordo com as linhas de força magnética emanadas pelo íman. Assim ficará esboçada a parte central do íman e depois as curvas que irão de uma extremidade à outra do mesmo. A força magnética é o mesmo que o etéreo do corpo humano, o mesmo que a sua aura. Um fio pelo qual passe corrente eléctrica possui um campo magnético à sua volta. Se a corrente variar, isto é, se for «alterna» em vez de «contínua», então o campo pulsará e flutuará de acordo com as mudanças de polaridade: parecerá pulsar com a corrente alterna. O corpo humano, que é uma fonte de electricidade, é rodeado por um campo magnético, altamente flutuante. O etéreo, como o designamos, flutua ou vibra com tal rapidez que se torna difícil discernir o movimento. De modo semelhante acontece com uma qualquer lâmpada eléctrica instalada em nossa casa e, embora a corrente flutue cinquenta ou sessenta vezes por segundo, não nos apercebemos disso, ao passo que em certos concelhos rurais ou a bordo de navios essas flutuações são tão lentas que os nossos olhos captam o piscar das luzes.Se uma pessoa se aproxima demasiadamente de outra pode ter uma sensação de arrepio na pele. Muitas pessoas têm uma percepção completa da proximidade de outra. Experimente colocar-se atrás de uma pessoa amiga, aproximando um dedo da nuca da mesma e tocando-a ao de leve. Frequentemente não se consegue fazer a distinção entre a proximidade e o toque. Isto deve-se ao facto de a aura ser também susceptível ao toque. Esse é o campo magnético que envolve o corpo humano. Nele temos o percursor da aura, ou o «núcleo» da aura.Em algumas pessoas a camada etérea tem uma espessura de cerca de três centímetros em volta de cada parte do corpo, até mesmo à volta de cada fio de cabelo. Noutras pode ser consideravelmente maior, mas não é vulgar que passe os quinze centímetros. O etéreo pode ser utilizado para avaliar a vitalidade de uma pessoa, pois a sua intensidade altera-se muito de acordo com a saúde. Se a pessoa trabalhou muito durante o dia, neste caso o etéreo estará bem junto à pele, mas após um bom descanso distender-se-á por alguns centímetros, seguindo os contornos exactos do corpo. Se formos submetidos a uma tensão muito elevada de electricidade o etéreo poderá ser visto a brilhar, umas vezes em roxo outras em azul. Existe uma situação meteorológica que também faz aumentar a visibilidade do etéreo: verifica-se no mar e denomina-se fogo-de-santelmo. Assim, em determinadas condições, todos os mastros e o massame de um navio ficam delineados a fogo frio, inteiramente inofensivo mas bastante assustador para quem não conhece o fenómeno. A isto podemos chamar o etéreo de um navio. Quem vive no campo já pôde observar, sob certas condições, uma luz nebulosa azul-esbranquiçada, bastante fantasmagórica, nos fios de alta-tensão. O fenómeno é conhecido por corona dos fios de alta-tensão, e esta é uma dificuldade com que os engenheiros electrotécnicos se deparam porque uma corona que desça passando pelos isoladores pode ionizar o ar originando um curto-circuito, provocando um corte de electricidade. A corona do corpo humano é o etéreo e é um tanto semelhante a uma descarga de fios de alta tensão.A maioria das pessoas consegue ver o etéreo do corpo desde que tenha paciência e pratique durante algum tempo. Assim, o leitor se quiser ver o etéreo e a aura também terá que praticar. Um dos meios para o conseguir é arranjar um colaborador de modo que não se importe de estender o braço nu, tendo a mão com os dedos bem abertos, em frente de um fundo negro. Olhe para o braço e para os dedos, não directamente, mas na sua direcção. Acabará por distinguir junto à pele, por três a quinze centímetros em redor do corpo, uma espécie de neblina azul-acinzentada. É frequente que uma pessoa olhe para o braço e não veja nada disto, o que se pode ficar a dever a um esforço demasiado para tentar ver. Portanto, procure descontrair-se, não se esforce demasiado para ver e com a prática perceberá que realmente existe alguma coisa. Podemos também praticar em nós próprios. Sente-se completamente à vontade, colocando-se pelo menos a seis palmos de qualquer outro objecto. Respire profundamente e devagar, estenda os braços o mais que puder, colocando as pontas dos dedos juntas com os polegares para cima de modo que apenas as pontas dos dedos estejam em contacto. Então, se separar os dedos até que distem entre si cerca de três centímetros ou um centímetro e meio, aperceber-se-á de qualquer «coisa». Pode parecer um nevoeiro cinzento, pode ser quase luminoso, mas quando vir isto afaste mais os dedos com muita lentidão – um centímetro e meio de cada vez – e verá que existe «algo» ali. Isso é o etéreo. Se esse «algo» débil desaparecer, junte novamente as pontas dos dedos e recomece. É uma simples questão de prática que permitirá observar o débil nevoeiro que passa de um dedo para o outro. E depois dessa prática podem-se obter bons resultados nas ciências metafísicas. Se tiver alguém para o ajudar, preferencialmente do sexo oposto, nesse caso pratique com a palma da mão. Deverá ficar sentada numa cadeira de frente para si, estendendo os braços o mais que possa. Depois aproxime a palma da mão, virada para baixo, da palma da mão do seu colaborador, que está virada para cima. A uns cinco centímetros de distância sentirá uma brisa fresca, ou quente, a correr de uma mão para outra e essa sensação tem início no centro da palma da mão. O tipo de brisa depende do sexo a que a mão pertence. Se sentir uma brisa quente, mova a mão ligeiramente de modo a que a mesma não fique em alinhamento com os dedos da outra pessoa, mas sim em ângulo, e verificará que a sensação de calor aumenta. Chegando a esse ponto, observe cuidadosamente o espaço entre a sua e a outra mão, e verá distintamente o etéreo. É como fumo de cigarro que não foi inalado, e que apresenta uma leve coloração azulada. O etéreo é apenas a manifestação externa das forças magnéticas do corpo, designado por «fantasma» porque quando uma pessoa morre com saúde essa carga etérea continua a existir por algum tempo, podendo desprender-se do corpo e pairar como um fantasma sem mente, sendo essa realidade completamente diferente da entidade astral. Em cemitérios onde não existe iluminação muitas pessoas afirmam já ter visto uma luz azulada e débil, semelhante ao calor emanado por uma chaleira que conteve água a ferver num fogão que foi desligado, e que sai das sepulturas abertas no próprio dia. Trata-se da carga etérea que se dissipa de um cadáver recente. Quando um corpo morre a faixa etérea baixa gradualmente, mas pode distinguir-se um etéreo em torno de um corpo durante alguns dias depois de a vida clínica ter cessado.Pratique. Olhe para as suas mãos, olhe para o seu corpo, faça as experiências com uma pessoa amiga e prestável, porque só com a prática será capaz de ver o etéreo e enquanto o não puder ver não poderá ver a aura, que é muito mais subtil.

               
..  LIÇÃO 4  ..

O corpo é completamente envolvido pelo etéreo. Mas para além do etéreo existe a aura, que também é de origem electromagnética. A aura revela as cores do eu maior, se uma pessoa é espiritual ou carnal, se a pessoa está ou não de boa saúde, quais as doenças que irão afligir mais tarde o corpo, a menos que se tomem medidas curativas. No futuro este vai ser um dos instrumentos principais da «terapia da aura». Tudo se reflecte na aura, indicador do eu maior ou da alma. O eu maior e a alma são uma e a mesma coisa.Na aura podemos identificar a doença e a saúde, o abatimento e o êxito, o amor e o ódio. A aura revela o estado autêntico dos pensamentos, já que reflecte as cores e vibrações do eu maior, ou seja a verdade. Quando uma pessoa se encontra desesperadamente doente a aura começa a empalidecer, e em alguns casos desaparece completamente mesmo antes da pessoa morrer, como no caso de alguém que sofreu de doença prolongada, ficando visível apenas o etéreo. Por outro lado, se o indivíduo morre de acidente desfrutando de saúde, possui aura até ao momento da morte clínica e durante alguns momentos após.A morte não é como o desligar de uma corrente ou o esvaziar de um balde. Qualquer que tenha sido o tipo de morte, mesmo por decapitação, a morte não ocorre de imediato. Ainda que a cabeça seja completamente separada do corpo o cérebro conseguirá funcionar durante alguns minutos. O cérebro é uma bateria de acumuladores gerando corrente eléctrica. O sangue fornece as substâncias químicas, a humidade e os metais e essas substâncias vão inevitavelmente armazenar-se no cérebro, podendo este continuar em actividade de três a cinco minutos após a morte clínica. A morte não é instantânea, o que também se aplica ao caso de palidez da aura. O corpo morre gradualmente sendo o cérebro o órgão que morre em primeiro lugar e por fim os cabelos e as unhas. Como o corpo não morre instantaneamente podem permanecer nele vestígios da aura. Assim, uma pessoa dotada de clarividência pode ver na aura de uma criatura a causa da sua morte. O etéreo é de natureza diferente da aura e pode continuar por algum tempo como um fantasma desligado, principalmente se a pessoa tiver morte violenta. Uma pessoa saudável que tenha um fim brutal encontra-se com as «baterias inteiramente carregadas», de modo que o etéreo desprende-se e flutua distanciando-se. De acordo com a atracção magnética irá visitar os seus locais preferidos de outrora e se nesses locais se encontrar alguém dotado de clarividência, ou que se sinta particularmente agitado por aumento de vibrações, poderá ver o etéreo e dizer que está perante o fantasma da pessoa em questão. A aura é de material mais delicado do que o etéreo, aproximando-se este mais do corpo físico. O etéreo «flúi» sobre o corpo, acompanhando todos os seus contornos, mas a aura estende-se e forma uma espécie de concha, como que uma casca de ovo em redor do corpo. Pode ter oito palmos ou mais de altura e cerca de quatro palmos na maior largura, estreitando para baixo de modo que a extremidade mais afilada do «ovo» fica junto aos pés. A aura é formada pelas radiações de cor brilhante vindas dos diversos centros do corpo, dirigindo-se a outros centros do mesmo. A aura existe, de facto, mesmo que não a possamos ver sempre, mas é uma força vital verdadeira. É possível ver a aura através de certos tipos de óculos, mas esse equipamento prejudica extraordinariamente a visão por forçarem demasiadamente os olhos. A sugestão ao leitor é para que pratique exaustivamente e só depois disso, com alguma fé e ajuda, poderá então ver. A maior dificuldade em ver a aura consiste no facto de a maioria das pessoas não acreditar que o consiga. No passado todos os povos tinham a faculdade de ver a aura humana, mas, devido a abusos diversos, perderam esse poder. Ao longo dos próximos séculos as pessoas voltarão a ser capazes de utilizar a telepatia, a clarividência, etc.Quando dizemos que a aura é de diversas «cores» referimo-nos apenas a uma parte especial do espectro. A palavra «cor» poderia muito bem ser substituída por «vermelho» ou «azul», citando a frequência da onda. Normalmente as pessoas têm um halo azulado ou amarelo, mas quando se diz uma mentira logo um tom de verde e amarelo irrompe pelo halo. Assim, mentir é trair-se imediatamente pelo lampejo amarelo-esverdeado que surge no cimo da aura. A aura estende-se basicamente até aos olhos e depois tem-se uma camada radiante de amarelo ou azul que é o halo, o nimbo ou auréola. Na parte mais alta da aura tem-se uma espécie de fonte de luz que no Oriente é conhecida por lótus em flor, pela sua semelhança, em forma e tons, com um lótus de sete pétalas desabrochado. Quanto maior for a espiritualidade da pessoa tanto mais amarelo-açafrão será o nimbo ou halo. Se o indivíduo tiver pensamentos duvidosos, então essa zona da aura adquire uma tonalidade castanha-lamacenta orlada pelo verde-amarelada cor de bílis que assinala as falsidades. Noutros tempos muita gente via a aura, sendo de presumir que certas expressões relacionadas com as cores tenham tido origem nessa altura. O número de pessoas capaz de ver as auras é maior do que parece. Muita gente vê ou vislumbra a aura mas não faz ideia do que se trata. Muita gente sente, experimenta ou tem percepção da aura humana, mas como desde a primeira infância lhes ensinaram que era tolice ver isto ou aquilo, acham que nunca poderão ver nada de semelhante. Também é verdade que podemos influir na saúde usando roupa de determinada cor. Usando uma cor que colida com a nossa aura ficaremos decerto pouco à vontade, e talvez mal dispostos, até nos resolvermos a mudar de roupa. É possível que as cores das paredes duma sala nos irrite ou, pelo contrário, nos acalme. As cores, ao fim e ao cabo, são apenas nomes diferentes para as vibrações. O vermelho é uma vibração, o verde outra e assim por diante. Assim como a vibração a que chamamos «som» pode colidir e provocar desarmonia, também as vibrações sem som, a que chamamos cores, colidem e criam uma desarmonia espiritual.

               
..  LIÇÃO 5  ..
AS CORES DA AURA

Tal como o mundo da música, em que cada nota é uma combinação de vibrações harmónicas que depende da sua compatibilidade com as vizinhas, as cores são vibrações embora se encontrem numa zona ligeiramente diferente do «espectro de percepção humana». Há cores puras que nos agradam ou animam, outras que perturbam e enervam. Na aura humana há muitas cores e tonalidades diferentes, e algumas estão para além do poder de observação do indivíduo sem preparação, pelo que para essas não há nome de aceitação geral. Existe um apito «silencioso» para chamar cães, que emite sons numa frequência que não é captada pelo ouvido humano. Na outra extremidade da escala o ser humano pode ouvir sons mais graves do que aqueles que um cão consegue ouvir – os sons graves são inaudíveis para esses animais. Se conseguíssemos elevar a nossa faixa de audição passaríamos a ouvir os mesmos sons que o cão. Do mesmo modo, se ampliarmos a nossa faixa de visão também conseguiremos distinguir a aura humana, sem que se perca a capacidade de ver o negro ou o roxo-escuro. Vamos examinar apenas as cores mais comuns, as mais fortes ou básicas, que se modificam de acordo com o progresso do indivíduo em cuja aura elas forem vistas. À medida que a pessoa aumenta a sua espiritualidade também a cor melhora. Se a pessoa «cair», retrocedendo na escala de progresso, nesse caso as suas cores básicas poderão alterar-se completamente ou sofrer modificações de tonalidade. As cores básicas revelam a pessoa «básica». As tonalidades de pastel indicam os pensamentos e intenções, bem como o grau de espiritualidade.A aura rodopia e fluiu como um arco-íris de coloração particularmente intrincada. As cores giram em redor do corpo em espirais crescentes e também se derramam da cabeça aos pés, sendo muito mais numerosas do que as do arco-íris. O arco-íris é consequência da refracção da luz enquanto a aura é a pé a própria vida.Seguem-se algumas características sobre um reduzido número de cores, porque de nada adianta examinar outras sem que consiga distinguir as que vão ser mencionadas. 

VERMELHO . O vermelho indica uma força impulsionadora, sadia. Os grandes generais, governantes mundiais e líderes possuem muito vermelho vivo na aura, mas acontece com frequência esta cor apresentar-se contaminada por tonalidades degradantes. Uma forma particularmente viva de vermelho, com orlas amarelo-claras, indica o tipo de pessoa que podemos chamar de «cruzado», por se esforçar sempre pelo auxílio aos outros. O intrometido comum em vez de vermelho apresentaria «castanho». Faixas vermelhas vivas ou lampejos emanados do local de um órgão indicam que o mesmo está em excelente estado de saúde.Um vermelho «ruim» que se apresenta «enlameado» ou escuro em demasia indica temperamento ruim ou perverso; não é digno de confiança, é brigão, traiçoeiro e egoísta. Pode ser fisicamente forte, mas também será forte nos erros. Os homicidas apresentam sempre nas auras um vermelho degradado. Os vermelhos baços indicam invariavelmente tensão nervosa. Quanto mais leve for o vermelho tanto mais nervosa e instável é a pessoa, sendo muito activa, até sobressaltada. Um indivíduo com estas características é muito egocêntrico. Um vermelho opaco, até acastanhado, pulsando devagar ao nível de um órgão significa cancro, podendo saber-se se a doença lá está alojada ou se está apenas incipiente. Um vermelho sarapintado e chamejante partindo dos maxilares indica dores de dentes; um castanho opaco pulsando nesse movimento e vindo do nimbo significa medo de uma ida ao dentista. O escarlate é geralmente o dos inseguros, de pessoa que gosta demasiadamente de si própria: é a cor do orgulho sem motivo. O escarlate também aparece em cima dos quadris das mulheres que vendem «amor», mulheres para quem o acto sexual representa apenas um meio de ganhar a vida. A criatura demasiadamente vaidosa e a prostituta exibem as mesmas cores na aura. As expressões antigas tais como «mulher escarlate», «vermelho de raiva», «verde de inveja», indicam de facto a cor da aura de uma pessoa atingida por tal estado de alma. Ainda no «vermelho» há o rosado – que é mais uma cor de coral – a exprimir imaturidade, cor que os adolescentes exibem. Num adulto o rosado indica infantilidade e insegurança. Um vermelho-acastanhado, como o do fígado cru, indica pessoa asquerosa, a ser evitada. A mesma cor sobre um órgão quer dizer que se encontra muito doente, e tratando-se de um órgão vital a morte não tardará.As pessoas em quem o vermelho se apresente na extremidade do esterno (osso situado no centro do peito) têm problemas nervosos.

ALARANJADO . O alaranjado é uma variante do vermelho, mas ao realçá-lo deve-se à importância que certas religiões orientais lhe atribuíam porque a encaravam como sendo a cor do Sol a que prestavam tributo. Assim se explica a existência, em profusão, desta cor no Extremo Oriente. O alaranjado é basicamente uma cor boa e as pessoas que ostentam na respectiva aura uma tonalidade adequada demonstram consideração pelo próximo e são humanitárias. O amarelo-laranja é um óptimo tom pois significa autocontrolo e muitas virtudes.O laranja-acastanhado indica pessoa preguiçosa e reprimida. Esta cor relaciona-se com problemas renais. Se estiver sobre os rins e apresentar um borrão cinzento recortado significa que existem cálculos renais.O laranja matizado de verde indica uma pessoa que gosta de brigar, capaz de discutir sem cessar e sem se importar se a argumentação está certa ou errada. É totalmente desprovida de imaginação, sem percepção nem discernimento para compreender que existem tonalidades de conhecimento, de opinião e de cor.

AMARELO . O amarelo-dourado revela uma natureza toda espiritual. Todos os grandes santos tinham halos dourados em redor da cabeça, tanto mais brilhante quanto maior fosse a espiritualidade. Mas um máximo de espiritualidade corresponde também ao aparecimento do indigo. O amarelo na aura é sintoma de boa saúde espiritual e moral. O indivíduo que apresenta aura amarela brilhante merece confiança completa. Que a tem num tom de amarelo degradado (cor do queijo Cheddar) é de natureza cobarde. O amarelo-mel revela uma pessoa má, com medo de tudo. O amarelo-avermelhado indica timidez mental, moral e física e com ela a fraqueza completa de visão espiritual e de convicção, falta-lhes a perseverança. Está sempre a perseguir o sexo oposto, mas sem qualquer resultado. Se a pessoa tiver cabelo ruivo (ou avermelhado), pele rosa, por vezes sardenta, e amarelo-avermelhado na aura, será muito melindrosa, transformando qualquer observação que lhe seja dirigida em menosprezo pessoal. Quanto mais forte for o vermelho, no amarelo, maior é o grau de complexo de inferioridade. O amarelo-acastanhado é sintoma de pensamentos impuros e de pouco desenvolvimento espiritual, e quando são particularmente ruins têm a aura desagradavelmente sarapintada de verde-lima. No campo da saúde um amarelo-esverdeado indica sofrimento hepático. Quando este tom se transforma em amarelo-avermelhado-acastanhado, em redor dos quadris, muitas vezes salpicado por uma espécie de poeira vermelha, quer dizer que os padecimentos são mais de natureza social. Quando o castanho se torna cada vez mais pronunciado no amarelo e por vezes com faixas desiguais é sintoma de doenças mentais. O indivíduo de dupla personalidade exibirá muitas vezes metade da aura em amarelo-azulado e outra em amarelo-esverdeado ou acastanhado – combinação extremamente desagradável. O amarelo-dourado e puro deverá ser sempre cultivado, podendo ser alcançado mantendo pensamentos e intenções em estado de pureza. Antes de podermos avançar na senda da evolução todos nós temos de passar pelo amarelo mais brilhante.

VERDE . O verde é a cor da cura, do ensinamento, do crescimento físico. Grandes médicos e cirurgiões, e todas as pessoas que lidem com a saúde quer de seres humanos, animais ou plantas exibem muito verde na respectiva aura, além de muito vermelho, e as duas cores combinam-se harmoniosamente. O verde sozinho revela um médico excelente, conhecedor da sua profissão ou uma enfermeira na carreira certa. O verde misturado com um azul apropriado significa êxito no ensino. Alguns dos maiores mestres tiveram verde nas respectivas auras e faixas ou estrias de azul-eléctrico em rodopio, sendo frequente surgirem faixas estreitas de amarelo-dourado entre o azul e o verde, indicando pessoa que pensava no bem-estar dos seus alunos e possuía elevadas percepções espirituais necessárias ao ensino das melhores matérias. O verde não é uma cor dominante: está sempre subordinado a outra cor. Quem a possui em grande quantidade é de natureza amável, compassiva e atenciosa. Se o verde é amarelado (verde-lima) então a pessoa em questão não merecerá confiança e quanto maior for a mistura de amarelo desagradável com verde desagradável, tanto menos idónea será a pessoa, do tipo de gente que sabe extorquir dinheiro com falas mansas. Quando o verde se dirige para o azul (azul-celeste ou azul-eléctrico) a pessoa é mais digna de confiança.

AZUL . É a cor indicativa da capacidade intelectual. É frequente encontrarem-se referências ao azul como sendo a cor do mundo espírito. O corpo etéreo é de tom azulado, perecido com o fumo que se evola de um cigarro ou ao azul de uma fogueira de lenha. Quanto mais vivo é o azul tanto mais sadia é a pessoa. O azul pálido é a cor dos indecisos. O azul mais escuro revela a pessoa que progride esforçando-se. Se o azul for ainda mais escuro estaremos na presença de quem se sente realizado na tarefa a que se dedicou. Os missionários que vivem a sua escolha convictamente como um «chamamento» apresentam os azuis mais escuros. Podemos sempre avaliar uma pessoa pelo vigor do amarelo e pela intensidade do azul.

ÍNDIGO . O índigo e o violeta estão classificados sob o mesmo título pois um e outro são interdependentes. As pessoas com indigo acentuado na aura são possuidoras de convicções religiosas profundas. A presença do indigo na aura é que prova que alguém é profundamente religioso, mesmo que a pessoa disso esteja convencida e pratique uma doutrina. O indivíduo que tenha uma tonalidade arroxeada no indigo será irritadiço e desagradável, sobretudo para os que se encontrem sob sua direcção. Esta tonalidade no indigo tira pureza à aura. As pessoas que exibam indigo, violeta ou púrpura nas suas auras sofrem de males cardíacos e estomacais – não deveriam fazer uso de alimentos fritos nem gordurosos de uma maneira geral.

CINZENTO . O cinzento é um modificador das cores da aura. Por si nada significa, a não ser no caso de pessoas muito pouco evoluídas, que apresentam grandes faixas e salpicos de cinzento. A presença de cinzento na cor demonstra debilidade de carácter e mau estado geral de saúde. A existência de faixas de cinzento sobre um determinado órgão revela que este se encontra em perigo de colapso, pelo que se deve recorrer ao médico. A dor de cabeça latejante terá reflexo na aura como uma nuvem fumacenta que atravessa o halo ou nimbo, e seja qual for a sua cor asa faixas cinzentas que o atravessem pulsarão com a mesma cadência da dor de cabeça.

               
..  LIÇÃO 6  ..

Tudo quanto existe é uma vibração. Em toda a existência há o que se pode chamar de teclado gigantesco, que consiste em todas as vibrações que possa haver. As vibrações corresponderão às diversas teclas do piano. Uma nota ou tecla cobriria as vibrações designadas por tacto – vibração tão lenta, tão «sólida» que a sentimos em vez de a ouvirmos e de a vermos. A nota seguinte será o som, que cobrirá as vibrações que accionam o mecanismo dentro dos nossos ouvidos. Não podemos ouvir uma coisa que possamos apalpar e vice-versa. Assim percorremos duas teclas do nosso vasto piano. A visão será a nota seguinte, e neste caso temos uma vibração de tão alta frequência que não a podemos apalpar ou ouvir; todavia ela atinge os nossos olhos. Depois da frequência a que chamamos «rádio» existem poucas mais como esta faixa de frequências. Basta subir mais uma nota e chegaremos à telepatia, clarividência e manifestações ou poderes afins. Da imensa faixa de frequências ou vibrações existentes o homem consegue apreender apenas uma faixa muito limitada.A visão e o som estão intimamente relacionados. Podemos dizer que uma cor corresponde a uma determinada nota musical. Senão pensemos que as ondas de rádio, a música, a fala estão permanentemente à nossa volta, façamos o que fizermos. Nós sem ajuda não conseguimos ouvir essas ondas de rádio, mas se dispusermos de um receptor, que reduz a velocidade das ondas, ou converte as frequências de rádio em frequências sonoras, ouviremos o programa em emissão ou veremos as imagens na televisão. De modo semelhante, indicando um som poderemos dizer que uma cor que se ajusta ao mesmo, ou indicando uma cor podemos dizer que a mesma tem uma determinada nota musical. Isto é conhecido no Oriente e pensa-se que aumenta a precisão artística do indivíduo.Marte é conhecido por «planeta vermelho», e o vermelho de certa tonalidade – o vermelho básico – tem uma nota musical que corresponde a . O alaranjado, que faz parte do vermelho, corresponde a e algumas doutrinas religiosas afirmam que esta é a cor do Sol. O amarelo corresponde ao mi e o planeta Mercúrio é o soberano do amarelo. O verde possui uma nota musical correspondente ao . É uma cor de crescimento. Saturno é o planeta que controla a cor verde. O azul tem a nota sol, e algumas religiões encaram o azul como sendo a cor do Sol, mas segundo a tradição oriental o azul é a cor de Júpiter. O índigo é o na escala musical, dizendo-se no Oriente que aquela cor é governada por Vénus. Quando em posição favorável, Vénus dá capacidade artística e pureza de pensamento. O violeta corresponde à nota si, sendo governado pela Lua. Também neste caso a Lua, ou violeta, confere clareza de pensamento, espiritualidade e imaginação controlada, mas se as influências forem más teremos distúrbios mentais ou os chamados «lunáticos». Tudo isto remonta à antiga mitologia oriental, mas os povos do Oriente conferiam cores aos planetas dizendo que esta ou aquela cor era governada por este ou por aquele planeta. Os antigos definiam essas cores através das sensações que recebiam quando observavam certo planeta em profunda meditação dos pontos mais elevados da Terra. A quatro mil e quinhentos metros acima do nível médio do mar os planetas vêem-se com maior clareza e as percepções tornam-se mais apuradas. Foi assim que os sábios da Antiguidade estabeleceram a correspondência das cores e dos planetas.Fora da aura existe um invólucro que recobre totalmente o corpo humano, o corpo etéreo e a própria aura. É como se todo o conjunto da entidade humana estivesse dentro de uma bolsa, tal como um ovo de galinha em que o corpo humano corresponde à gema, e o corpo etéreo e a aura representaria a clara. Mas entre a clara e a casca do ovo existe uma pele muito fina e bastante consistente, que se pode retirar quando cozemos um ovo e lhe retiramos a casca. O conjunto humano é do mesmo modo envolvido nessa espécie de película, completamente transparente e sob o impacte de movimentos ou tremores da aura ela ondula mas procura sempre retomar a forma ovalada, tal como um balão, porque a pressão interna é maior do que a externa. Como se o corpo físico, o corpo etéreo e a aura estivessem contidos numa bolsa de celofane extremamente fina e de forma ovóide. O pensamento é projectado do cérebro passando pelo corpo etéreo, pela aura até à pele áurica. Na superfície externa desse revestimento obtêm-se quadros dos pensamentos que um clarividente consegue ver. Mas não vemos apenas os quadros dos pensamentos actuais: podemos ver também o que já passou! O iniciado consegue olhar para uma pessoa e ver sobre o invólucro externo da aura algumas coisas que a mesma tenha feito durante as duas ou três últimas vidas. Isto pode parecer fantasioso mas é inteiramente verdade.A matéria não pode ser destruída. Ao produzir um som, a vibração dele – ou seja, a energia por ele provocada – prossegue eternamente. Se, por exemplo, o leitor pudesse partir da Terra, de repente, para um planeta muito distante, e se dispusesse de aparelhagem adequada, veria imagens do que aconteceu há muitos milhares de anos. A luz tem uma velocidade definida e não desaparece. O subconsciente, não sendo controlado pelo consciente, pode projectar quadros de coisas para além do alcance presente do consciente. É assim que alguém dotado de grande poder de clarividência pode facilmente ver que tipo de pessoa tem na sua frente. Trata-se de uma forma avançada de psicometria, a «psicometria visual». Qualquer pessoa minimamente dotada de certa percepção ou sensibilidade pode «perceber» uma aura mesmo que não a veja. Quantas vezes já nos aconteceu sentirmo-nos instantaneamente atraídos ou repelidos por uma pessoa sem nunca lhe ter falado antes? A percepção inconsciente da aura explica as nossas simpatias e antipatias. Todas as auras são compostas por muitas cores e muitas riscas de cores. Para que duas pessoas sejam compatíveis é necessário que cores e estrias combinem umas com as outras. Podemos dizer que as pessoas compatíveis têm cores áuricas que se combinam e harmonizam, enquanto as incompatíveis possuem cores que colidem e que seriam realmente desagradáveis à vista. As pessoas associam-se em grupos de acordo com o tipo de frequência, ou tipo comum de aura.A posição normal das pessoas de tipo médio e sadio é encontrarem-se no centro do invólucro de forma ovóide que envolve a aura. Quando existe uma doença mental isso significa que a pessoa não está devidamente centralizada em relação ao invólucro da aura. Os indivíduos com personalidade dupla apresentam metade da aura numa cor e outra metade em cor diversa. Podem até possuir uma aura coma forma não apenas de um ovo mas de dois ovos juntos fazendo um ângulo entre si. A doença mental não deve ser tratada por choques porque pode expulsar o astral do corpo e muitas vezes ele limita-se a «queimar» padrões neurais do cérebro. O tratamento por choques destina-se (consciente ou inconscientemente) a levar os dois «ovos» a formar um só. Nascemos com certas potencialidades, certos limites, quanto à coloração das nossas auras, sendo possível a uma pessoa decidida e bem intencionada alterar a sua aura tornando-a melhor. Lamentavelmente é muito mais fácil mudá-la para pior. A aura desaparece logo após a morte, mas o corpo etéreo pode permanecer por bastante tempo, tornar-se um fantasma destituído de mente que executa incursões desprovidas de sentido, dependendo do estado de saúde do seu possuidor. Na aura as vibrações baixas dão cores opacas e turvas que causam mais repulsa do que atracção. Quanto mais altas forem as vibrações tanto mais brilhantes e puras serão as cores da aura. Enquanto as cores puras são «maravilhosas» as turvas revelem-se desagradáveis. Uma boa acção – um auxílio prestado aos outros – dá brilho às cores da aura de quem a pratica e fazem-nos ver o mundo através de «óculos cor-de-rosa». Um acto mau precipita-nos num estado de espírito «negro». A cor constitui o indicador principal das potencialidades de uma pessoa. As cores básicas não se alteram, a menos que a pessoa melhore ou piore o seu carácter, mas as cores transitórias flutuam e variam de acordo com o estado de espírito.Quando se observam as cores da aura de alguém deve perguntar-se:

  1. Qual é a cor?
  2. É clara ou turva? Com que nitidez consigo ver através dela?
  3. A cor gira sobre certas áreas ou localiza-se quase permanentemente num só ponto?
  4. É uma faixa contínua de cor, mantendo a sua forma, ou flutua apresentando cumes agudos e vales profundos?
  5. Estamos a julgar antecipadamente uma pessoa?

Porque é muito simples olhar uma aura e imaginar que estamos a ver uma cor turva quando ela o não é na verdade. Pode ser que os nossos próprios pensamentos errados façam com que uma cor pareça turva, pois é necessário lembrar, ao contemplarmos a aura de outra pessoa, que temos de fazê-lo olhando através da nossa própria aura.Existe uma relação entre os ritmos musicais e mentais. O cérebro humano é uma massa de vibrações com impulsos eléctricos que irradiam de todas as partes do mesmo. Um ser humano emite uma nota musical dependente da cadência de vibrações que lhe é própria. Todo o ser humano tem a sua própria nota básica, constantemente emitida tal como um fio telefónico a emitir uma nota ao vento. Assim, também é possível que uma criatura escute os seres humanos. A música popular é de tal natureza que está em acordo simpático com a formação da onda cerebral e está em simpatia com a harmonia da vibração corporal. Uma «melodia de êxito» põe toda a gente a cantá-la e a assobiá-la. As composições consideradas como êxitos são as que se combinam com as ondas cerebrais humanas durante algum tempo antes que a sua energia básica se dissipe.A natureza da música erudita é de carácter mais permanente, vibra de maneira harmónica com a nossa forma ondular auditiva. O hino nacional é um tipo especial de melodia para despertar os seus seguidores. Desperta uma série de reacções nos indivíduos, levando-os instintivamente a porem-se de pé, a guardar um respeitoso silêncio, enquanto pela sua mente perpassam sentimentos de orgulho nacional e por vezes de agressão em relação a outro ou outros países. As vibrações que designamos por som levam as nossas vibrações mentais a reagirem de certo modo, tornando-se possível condicionar certo tipo de reacções num ser humano através de determinados tipos de música.Um indivíduo de pensamento profundo que apresente picos elevados e pontos profundos na sua forma ondular cerebral gosta de música com pontos altos e pontos profundos. Um indivíduo fútil prefere um tipo de música quase linear, que num gráfico apresentaria um aspecto saltitante. Muitos dos grandes compositores pertencem ao grupo dos que consciente ou subconscientemente executam a viagem astral e chegam aos reinos de para além da morte. Eles ouvem a «música das esferas». Essa melodia celestial causa neles profunda impressão, prende-se à sua memória, de modo que quando regressam à Terra se encontram num «estado de espírito predisposto para a composição».

               
..  LIÇÃO 7  ..

Muitos dos grandes mestres levam uma vida inteira para conseguirem ver a aura, mas nós garantimos que a aura poderá ser vista pela maioria das pessoas desde que se seja sincero e se exerça conscienciosamente a prática – aqui prática significa «perseverança». Quem quiser ver a aura no seu melhor aspecto, com todas as suas cores, tem de olhar para um corpo nu pois a aura é muito influenciada pela roupa. Mesmo que se vista roupa inteiramente limpa, essas peças foram manuseadas por alguém que pensa nos seus problemas enquanto dobra mecanicamente a roupa. As impressões emanadas da sua aura entram na roupa e quando o seu o possuidor as veste verifica que elas trazem a impressão de outrem. Examinemos a questão da seguinte maneira: o leitor tem um íman e toca nele com um canivete. Em seguida descobre que recolheu a parte áurica do íman. Acontece o mesmo, em grande parte, com os seres humanos, pois um deles pode captar a influência áurica de outro. No corpo feminino as cores são mais distintas, apresentam-se mais fortes e mais fáceis de ver. Mas como não é sempre fácil dispor de um corpo nu, por que não usar o próprio corpo para praticar? O leitor deverá estar a recato, por exemplo num quarto de banho. A luz deve ser fraca, o mais fraca possível. Se puder adquirir uma lâmpada da marca Osglim verá que é o ideal. Esta lâmpada é formada por um globo de vidro claro; no suporte de vidro, dentro do globo, existe um bastão curto no qual está implantada uma chapa redonda. Outro bastão vem do suporte de vidro e estende-se até quase à parte superior do globo e dele pende uma espiral bruta de fio bastante pesado. Quando essa lâmpada é inserida num bocal e acesa dá uma luz avermelhada. Com a Osglim acesa e a iluminação geral muito fraca tire toda a roupa e veja-se num espelho que lhe proporcione uma imagem de corpo inteiro, procurando estar diante de uma cortina escura (preta ou cinzento-escura de modo a ter um fundo neutro que não influencie a aura). Fite a sua imagem durante alguns momentos ociosamente. Olhe para a cabeça – consegue ver uma cor azulada em volta das têmporas? Observe o corpo, dos braços à anca – vê uma chama azulada, muitas vezes amarela na extremidade, muito parecida com a do álcool? A chama do etéreo é assim. Quando conseguir vê-la terá progredido. Poderá não a ver à primeira ou mesmo à terceira vez, mas é preciso ser perseverante. Com a prática conseguirá ver o corpo etéreo e, posteriormente, com mais prática ainda verá a aura. Mas é muito mais fácil e mais claro distingui-los num corpo nu. Não há mal algum num corpo nu. O leitor olha para si próprio ou para outra pessoa por motivo puro. Se tiver pensamentos impuros não conseguirá ver nem o corpo etéreo nem a aura, mas sim apenas o que tiver no pensamento.Continue a olhar para si próprio e conseguirá ver o que pretende: ver o corpo etéreo. Pode acontecer estar-se à procura da aura sem ver nada, mas sentir-se comichão nas palmas da mãos ou nas plantas dos pés ou mesmo noutra parte do corpo. Trata-se de uma sensação peculiar e inconfundível. Quando a tiver, isso quererá dizer que está no caminho certo para ver, mas que não consegue por excesso de tensão; terá de descansar e descontrair-se. Se descansar poderá «descarregar-se», e o corpo etéreo ou a aura ou ambos surgirão ante o seu olhar.A comichão é uma concentração da sua própria força áurica no centro onde se manifesta (mãos, pés, etc.). Muitas pessoas, quando assustadas ou tensas, transpiram nas palmas das mãos ou noutras partes do corpo. Nesta experiência psíquica em vez de transpirar sente-se comichão. Muitas pessoas não conseguem ver a própria aura com a devida precisão porque olham através dela ao fitar um espelho. Se o leitor estiver a olhar para a profundidade da sua própria aura poderá enganar-se um pouco, porque, de certo modo, o espelho distorce as cores e reflecte (passando também pela aura) essa faixa distorcida de cores, pelo que imagina que tem cores mais turvas do que na realidade possui. Por esta razão é preferível tentar ver a aura de outra pessoa. Essa segunda pessoa deverá estar disposta a dar o máximo de colaboração. Se estiver a observar o corpo nu de outra pessoa é natural que ela fique embaraçada ou nervosa e sendo assim o corpo etéreo encolhe-se, ficando quase todo no corpo e a própria aura fecha-se bastante, falsificando as cores. Portanto, é preciso pôr a pessoa a observar, totalmente à vontade. Conseguido isto, o seu corpo etéreo recuperará as proporções normais e a própria aura fluirá para o exterior a fim de preencher completamente o saco áurico. Se conseguir arranjar alguém para colaborar consigo, o leitor quase não fixará o corpo dessa pessoa mostrando-se tão natural como se a outra pessoa estivesse vestida. Na sessão seguinte talvez o seu colaborador se mostre mais à vontade. Na terceira sessão seria já possível olhar com atenção para o corpo e para o seu contorno e ver uma débil névoa azul, as faixas de cores rodopiando em torno do corpo e aquele halo amarelo ou o jogo de luzes no cimo da cabeça desabrochando como uma flor de lótus em cintilações coloridas. Agora sugiro que o leitor se instale confortavelmente, sem qualquer preocupação a dominar-lhe o espírito, sem ter fome nem ter comido demais e que tome um banho para se libertar de qualquer influência transmitida pela roupa; em seguida pratique de modo a que possa ver a sua própria aura. É tudo uma questão de prática.                         

                
..  LIÇÃO 8  ..

Enquanto nas lições anteriores examinámos o corpo como centro do corpo etéreo e da aura, fazendo uma descrição da aura com as suas estrias de cor acabando na pele áurica, nesta lição e na seguinte vamos preparar o terreno para deixar o corpo. A menos que tenha conhecimentos exactos sobre o corpo etéreo, a aura e a estrutura molecular do organismo, poderão surgir-lhe algumas dificuldades, pelo que aconselho o leitor a voltar atrás e reler as lições anteriores.

O corpo humano é formado por uma massa de protoplasma: é uma massa de moléculas espalhadas por um certo volume de espaço. Agora vamos e direcção ao seu interior, afastando-nos da aura, do corpo etéreo, para entrar no corpo humano, pois esse corpo de carne é apenas um veículo, apenas «um conjunto de vestes – a indumentária de actor que vive o papel que lhe destinaram no palco do mundo». Dissemos que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço e isto é razoavelmente correcto quando pensamos em tijolos, madeira ou pedaços de metal. Mas se dois objectos tiverem vibrações diferentes ou se os espaços entre os seus átomos e neutrões e protões tiverem amplitude suficiente, nessas condições um outro objecto pode ocupar o mesmo espaço. Por exemplo: se tiver dois copos e os encher com água verificará que ao deitar num deles um pouco de areia a água transbordará; não podendo água e areia ocupar o mesmo espaço, a areia sendo mais pesada vai ao fundo fazendo subir o nível de água no copo. Se agora deitarmos açúcar no segundo copo, verificaremos que é possível deitar várias colheres de chá cheias até que a água transborde. O açúcar dissolve-se e ao dissolver-se as suas moléculas vão ocupar o espaço deixado entre as moléculas de água. Só quando todo este espaço for preenchido é que o açúcar em excesso se acumula no fundo e acaba por fazer com que a água transborde. Neste caso temos a prova que dois corpos podem ocupar o mesmo espaço. Passemos a outro exemplo. O sistema solar: trata-se de uma entidade. Há moléculas ou átomos a que chamamos astros e que giram no espaço. Se fosse verdade que dois objectos não podem ocupar o mesmo espaço, então não poderíamos enviar um foguete da Terra para o espaço, nem pessoas de outro universo poderiam entrar no nosso porque estariam a ocupar o nosso espaço. Assim, em condições adequadas é possível que dois objectos ocupem o mesmo espaço.O corpo humano, constituído por moléculas com certa quantidade de espaço entre os átomos, também recebe outros corpos, corpos ténues, corpos espirituais, ou aquilo que chamamos corpos astrais. Esses corpos ténues têm a mesma composição que o corpo humano, são formados por moléculas. Mas exactamente como a terra, o chumbo, a madeira têm determinado arranjo molecular de certa densidade, os corpos espirituais possuem moléculas em número menor e mais distantes entre si. Desse modo é inteiramente possível que um corpo espiritual se ajuste a um corpo carnal em íntimo contacto sem que nenhum dos dois ocupe o espaço um do outro. O corpo astral e o corpo físico estão ligados pelo cordão de prata. Este é uma massa de moléculas vibrando em alta velocidade e de certo modo paralelo ao cordão umbilical que liga mãe e filho. O cordão de prata liga o eu maior ao corpo humano e as impressões vão de um para outro em cada minuto da existência do corpo carnal. Impressões, ordens, lições e até alimentação espiritual descem do eu maior para o corpo humano. Quando a morte vem, o cordão de prata rompe-se e o corpo humano fica abandonado enquanto o espírito prossegue. Neste momento estamos a tratar do corpo carnal e do corpo astral tendo em vista a viagem astral e questões relacionadas com o plano astral, mas devemos afirmar que em toda a nossa forma actual de evolução existem nove corpos separados ligados entre si por um cordão de prata. O homem é um espírito encerrado por curto espaço de tempo num corpo de carne e osso, a fim de aprender lições e adquirir experiência que não poderia ser adquirida pelo espírito sem ser por intermédio de um corpo. O corpo carnal do homem é um veículo que se vê impulsionado ou manipulado pelo eu maior. Às vezes utiliza-se o termo «alma», mas nós usaremos o de «eu maior», sendo a alma uma realidade um pouco diferente num plano ainda mais elevado. O eu maior é o controlador, o dirigente do corpo. O cérebro do ser humano é como uma estação de relais, uma central telefónica completamente automatizada. Recebe mensagens do eu maior e converte as ordens do mesmo em actividade química ou actividade física que mantém o veículo vivo, faz com que os músculos trabalhem e dá origem a certos processos mentais. Por sua vez ele também transmite ao eu maior as mensagens e impressões das experiências adquiridas. Fugindo às limitações do corpo, o homem pode ver o mundo maior do espírito e avaliar as lições apreendidas enquanto se acha encerrado na carne. Pode viajar a lugares distantes num piscar de olhos, pode ir a qualquer lugar em qualquer momento e pode ver o que velhos amigos ou parentes estão a fazer. Com a prática, o homem pode visitar todas as cidades do mundo, as grandes bibliotecas e torna-se fácil, com a prática, consultar qualquer livro ou página de um livro. No mundo ocidental a maioria das pessoas julga que não pode abandonar o corpo porque o ser humano foi muitíssimo condicionado a não acreditar em coisas que não fossem palpáveis. As crianças acreditam em fadas e duendes; eles existem e os que têm aptidão para vê-los chamam-lhes espíritos da natureza. É frequente que as crianças de tenra idade tenham amigos de brincadeira invisíveis. Para os adultos as crianças vivem num mundo fictício, conversando animadamente com amigos que não podem ser vistos pelo adulto céptico. É ponto assente que os povos do Oriente e o povo da Irlanda sabem que existem espíritos da natureza, quer se chamem «fadas» ou deprechauns, ou tenham outro nome, que são verdadeiros, fazem boas obras, e que o homem na sua ignorância, ao negar a existência dessas entidades, nega a si próprio um repositório maravilhoso de informações, pois os espíritos da natureza ajudam aqueles de quem gostam e que acreditam neles. Para as capacidades do corpo físico existem limites muito definidos, para o conhecimento do eu maior não existem limites. Quase todos na terra deixam o corpo quando adormecem. Ao despertar dizem que sonharam, porque os seres humanos aprendem a acreditar que esta vida sobre a Terra é a única que importa. E é assim que experiências maravilhosas são racionadas e transformadas em «sonhos». As pessoas viajam sempre de noite, quer saibam disso quer não, mas só as que praticam voltam com plena consciência do que fizeram. Quase todas as pessoas podem deixar o corpo e efectuar a viagem astral, mas é preciso que acreditem nisso, sendo inteiramente impossível um descrente viver essa experiência. As pessoas que crêem podem deixar o corpo e viajar a longas distâncias com rapidez, regressando ao corpo horas depois, com conhecimento completo de tudo o que fizeram e viram. Na verdade, é incrivelmente fácil viajar no astral quando se ultrapassa o primeiro obstáculo: o medo. O medo é o grande freio. A maioria das pessoas tem de perder o medo instintivo que consiste em pensar que abandonar o corpo significa morrer. Alguns pensam que se abandonarem o corpo não conseguirão voltar a ele ou que outra entidade entrará no mesmo. Isso é impossível a manos que a pessoa «abra o porão» pelo medo. Quem não receia não sofre mal algum. O cordão de prata não pode ser rompido enquanto fazemos a viagem astral e ninguém pode invadir o corpo a menos que se faça um convite definitivo motivado pelo medo. Pode-se sempre – sempre! – regressar ao corpo, tal como acordamos após uma noite de sono. A única coisa a recear é o «ter medo». O medo gera o perigo. Todos sabemos que as coisas que receamos raramente acontecem. O pensamento é o segundo obstáculo a seguir ao medo, porque constitui um problema verdadeiro. O pensamento e a razão podem impedir que escalemos montanhas altas, deste modo, o pensamento e a razão devem ser reprimidos. Já meditou, o leitor, sobre o que é o pensamento? Onde reside o pensamento? O seu pensamento está onde quer que você se concentre; o pensamento está dentro de nós apenas porque pensamos em nós próprios e porque estamos convencidos disso. O pensamento está onde quisermos que ele esteja, estará no sítio para onde lhe ordenarmos que vá. Este facto simples e elementar pode ajudá-lo a sair do corpo e a entrar no astral, pode ajudar o seu corpo astral a pairar, tão livre como a brisa. Releia esta lição e medite sobre o pensamento, como muitas vezes ele o deteve, porque pensou em obstáculos, em medos que não conhecia. O pensamento, a razão, o medo são os freios que reduzem a marcha da nossa evolução espiritual, distorcendo as ordens do eu maior. O homem, quando desembaraçado dos seus próprios medos e inibições estúpidas, poderia ser quase um super-homem, com poderes muito aumentados, tanto físicos como mentais. Damos um exemplo: um homem franzido e tímido, desce o passeio e vai atravessar um tráfego intenso. O seu pensamento está longe, talvez absorvido pelos negócios ou por outros problemas. De repente soa uma buzina de um carro e esse homem, sem pensar, dá um salto para o passeio numa pirueta prodigiosa difícil até para um atleta bem treinado. Se esse homem se tivesse enredado nos processos do pensamento, teria agido tardiamente e o automóvel tê-lo-ia apanhado. Mas a ausência do pensamento permitiu ao eu maior, sempre vigilante, galvanizar os músculos com uma descarga de substâncias químicas tais como a adrenalina, que fizeram com que o cidadão saltasse muito além da sua capacidade normal, permitindo naquele espaço de tempo um surto de actividade para lá da velocidade do pensamento consciente.No mundo ocidental ensinaram aos homens que o pensamento, a razão, os distingue dos outros animais. Mas o pensamento descontrolado faz com que o homem se situe abaixo de muitos animais na viagem astral. Antes de mais temos de controlar os nossos pensamentos, todas essas pontas soltas e cansativas de pensamento ocioso que passam constantemente pela nossa mente. Sente-se o leitor em sítio confortável, onde possa descansar sem que ninguém o perturbe. Se quiser apague a luz, pois esta pode ser um obstáculo. Mantenha-se sentado ociosamente por algum tempo, pensando apenas nos seus pensamentos, olhando para eles, vendo como eles se apresentam sub-repticiamente na sua consciência, cada um reclamando a sua atenção e ponha tudo isso de lado. Num quarto completamente às escuras imagine-se no topo de um arranha-céus. À sua frente abre-se uma grande janela coberta por uma persiana negra. Concentre-se nessa persiana. Antes assegure-se de que não haja qualquer pensamento presente na sua consciência (que é essa persiana negra) e se algum quiser interromper expulse-os. Os pensamentos esvoaçarão na orla dessa persiana negra e terá de fazê-los recuar com esforço consciente, recusando-se a admitir que tais pensamentos se intrometam. A seguir volte a concentrar-se na persiana e através da vontade tente ver tudo quanto se passa para além dela. Quando o leitor conseguir manter uma impressão de vacuidade completa por um período curto, notará que houve um «estalo», como se um bocado de pergaminho fosse rasgado e conseguirá então ver, bem distante deste mundo comum, o nosso. Chegará a um mundo de dimensão diferente, onde tempo e distância têm significados inteiramente novos. Experimente, pratique, porque se quiser progredir terá de ser capaz de dominar os pensamentos ociosos.

               
..  LIÇÃO 9  ..

Na lição anterior dissemos que «o pensamento está onde quisermos que ele esteja». Esta é uma fórmula que realmente nos poderá ajudar a sair do corpo e a efectuar a viagem astral. Vamos repeti-la. O pensamento está onde quisermos que ele esteja. Fora de si se assim o desejar. Vamos praticar um pouco. Terá de estar completamente só, sem distracções. Vai tentar retirar-se do seu corpo. Sugerimos que se deite numa cama. Tome providências para que ninguém interrompa a sua experiência. Quando estiver instalado, respirando lentamente, pensando no que vai fazer, concentre-se num ponto a uns seis palmos à sua frente, feche os olhos, concentre-se, ordene a si próprio pensar que você mesmo – o seu eu verdadeiro, o seu astral – está a observar o seu próprio corpo à distância de seis palmos. Pense! Pratique! Concentre-se! Com a prática sentirá um choque ligeiro, quase eléctrico, e verá o seu corpo deitado, os olhos fechados, a uns seis palmos de distância.De início só com grande esforço conseguirá este resultado. Sentir-se-á como que dentro de uma enorme bola de borracha empurrando em vão. E, mercê do seu esforço, a bola rompe-se de repente, acompanhada de uma leve sensação de estalo, como se tivesse furado um balão. Não se alarme porque se continuar isento de susto ou medo prosseguirá e não mais terá problemas no futuro, mas se sentir medo voltará ao corpo físico e terá de recomeçar tudo posteriormente. Se voltar ao corpo mais vale não tentar de novo no mesmo dia porque as possibilidades de êxito são diminutas. Antes disso precisará de dormir, de descansar. Utilizando este método simples, imaginemos que o leitor conseguiu sair do corpo, que está ali, de pé, olhando para o seu corpo físico sem saber o que fazer em seguida. Não se dê ao trabalho de olhar para o seu corpo físico, pois voltará a vê-lo com muita frequência. Em vez disso deixe-se flutuar no aposento como uma bola de sabão em voo preguiçoso. Agora nem sequer pode cair nem magoar-se. Deixe que o seu corpo físico se sinta à vontade. Examine o tecto e os lugares que em condições normais não conseguiria ver. Antes desta experiência ter-se-á certificado de que o seu corpo carnal está inteiramente à vontade. Se não tiver tido esta preocupação, ao regressar poderá descobrir que está com um braço dormente ou o pescoço a doer. Certifique-se, portanto, de que o seu corpo esteja inteiramente à vontade antes de empreender qualquer tentativa de trocá-lo pelo corpo astral. Acostume-se a essa viagem astral elementar porque enquanto não estiver habituado a flutuar ociosamente por um aposento não poderá aventurar-se com segurança no exterior. Essa viagem astral é fácil e não apresenta qualquer problema enquanto acreditar que a pode efectuar. Em momento algum, em nenhuma circunstância deve ter medo: na viagem astral o destino é a liberdade. Somente quando se regressa ao corpo é que temos motivo para nos sentirmos aprisionados, sobrecarregados com um corpo pesado que não corresponde muito às ordens espirituais. Na viagem astral não há lugar para o medo, para a qual o medo é um fenómeno totalmente estranho. Vamos repetir as instruções para a viagem astral. O leitor está deitado de costas numa cama. Assegurou-se da comodidade de todas as partes do corpo. Repouse tranquilamente, com satisfação, porque não existem influências perturbadoras nem preocupações. Pense apenas em fazer com que o seu corpo astral saia do corpo físico. Descontraia-se cada vez mais. Imagine uma forma fantasmagórica correspondente ao seu corpo físico, desligando-se suavemente do corpo carnal, flutuando, subindo como uma pena leve na suave brisa de Verão. Deixe-o subir, mantenha os olhos fechados, pois de outra forma, nas primeiras duas ou três vezes poderá ser sobressaltado a ponto que estremecerá e esse estremecimento será suficientemente violento para «puxar» o astral para o seu lugar normal dentro do corpo. É frequente as pessoas sentirem um sobressalto peculiar exactamente quando vão cair no sono. Por vezes é tão forte que elas recuperam a consciência e acordam. Este sobressalto é provocado por uma separação demasiadamente brusca do corpo astral e do físico, pois quase todos efectuamos viagens astrais à noite, ainda que seja elevado o número de pessoas que não se recorda dessas experiências. Pense gradualmente no corpo astral separando-se com facilidade do corpo físico e elevando-se a uma distância de três ou quatro palmos acima dele. O corpo astral paira acima de si próprio, oscilando suavemente, e ligado a si pelo cordão de prata que vai do seu umbigo ao umbigo do corpo astral. Se sentiu um estremecimento, uma sensação de oscilação, como se estivesse a adormecer, tratava-se da oscilação astral. Não olhe com demasiada atenção porque se ficar sobressaltado e se se contorcer fará com que o corpo regresse e terá de recomeçar tudo noutra ocasião. Imaginemos que tudo se passou como deve ser: o seu corpo astral ficará a pairar durante alguns momentos sem que você tenha tomado qualquer providência, quase sem pensar, respirando de mansinho, pois é a sua primeira saída. Lembre-se que é a sua primeira saída consciente e que precisa de ter cuidado. Se não tiver medo, se não se contorcer, o corpo astral afastar-se-á devagar, flutuando e irá até à extremidade ou colocar-se-á ao lado da cama onde baixará gradualmente com a maior suavidade, de modo que os pés toquem ou quase o chão sem qualquer choque. Depois de terminada esta «aterragem suave», o seu corpo astral poderá olhar o corpo físico e retransmitir o que vê. Por estar a olhar o seu próprio corpo físico poderá ter uma sensação pouco agradável e pode constituir uma experiência humilhante, tal como quando ouvimos a nossa voz pela primeira vez não acreditamos nela. Muitos de nós fazem uma ideia bastante errada da sua aparência. Talvez não lhe agradem nem a forma do corpo nem a cor da tez e sofrerá o choque que é ver as linhas do rosto e os traços fisionómicos. Se for mais além e observar a sua mente verá a falsidade e fobias que poderão fazê-lo dar um salto para trás. Mas suponhamos que consegue ultrapassar este primeiro e assustador encontro consigo próprio. Terá então de decidir para onde vai, o que tem a fazer, o que deseja ver. O sistema mais fácil consiste em visitar um parente próximo que more numa cidade vizinha. Em primeiro lugar deve visitar uma pessoa que visite com frequência, pois terá de visualizar a pessoa com pormenores consideráveis assim como o local onde reside e qual o caminho a tomar para lá chegar. Isto é para si uma experiência inteiramente nova – pelo menos conscientemente – e que pretende seguir o mesmo itinerário que seguiria com o corpo físico. Deixe o sítio onde se encontra, vá para a rua, siga o caminho que tomaria normalmente antes de fixar diante de si a imagem da pessoa que deseja visitar e do caminho a seguir. Então, com incrível rapidez sentir-se-á transportado para junto do seu amigo ou parente. Com a prática conseguirá ir a qualquer lado e nem os mares, oceanos ou montanhas poderão constituir obstáculo ou barreira à sua trajectória. Todas as partes do mundo estarão ao seu dispor à espera de serem visitadas por si. Algumas pessoas pensam que se partirem não conseguirão voltar e ficam apreensivas. A verdade é que é inteiramente impossível alguém perder-se ou prejudicar-se ou descobrir que alguém se apoderou do seu corpo. Se se aproximarem do seu corpo enquanto você estiver a fazer a viagem astral, este transmite um aviso e você regressará com uma velocidade igual à do pensamento. O único mal a temer é o medo. Não tenha medo, experimente e com a experiência virá a realização de todas as suas ambições nos reinos da viagem astral. Quando estiver conscientemente no estágio astral, verá as cores com mais brilho do que veria com os olhos físicos. Tudo palpitará com vida e poderá ver partículas de «vida» em seu redor como pintas no espaço: é a vitalidade da Terra e ao passar por ele adquire-se vigor e coragem. Acontece que não se pode levar nem trazer nada connosco. Sob certas condições é possível a materialização perante um clarividente, mas isso só acontece com muita prática. Mas pode ir a uma loja, examinar os artigos e decidir voltar para comprar o que tiver escolhido. Quando estiver no astral e quiser voltar ao físico deve manter-se calmo, deve levar-se a pensar no corpo carnal, pensar que vai voltar e que vai entrar nele. Ao fazê-lo terá uma sensação de velocidade ou talvez uma transferência instantânea de qualquer ponto onde esteja para um lugar a três ou quatro palmos acima do seu corpo deitado. Verá então que está presente, oscilando, pairando ao de leve, exactamente como quando deixou o corpo. Deixe-se baixar muito devagar porque os dois corpos devem estar absolutamente sincronizados. Se fizer tudo como deve ser entrará no corpo sem qualquer sobressalto ou temor, sem qualquer sensação que não seja a de que o corpo é uma massa fria e pesada. Se não conseguir alinhar com exactidão os dois corpos ou se alguém o interromper, de modo que o seu regresso seja acompanhado de um solavanco, verificará que lhe sobrevém uma dor de cabeça tipo enxaqueca. Neste caso deve procurar dormir ou tentar novamente a viagem astral porque somente quando os dois corpos estiverem em perfeito alinhamento é que poderá livrar-se da dor de cabeça. Não é caso para preocupações porque a cura está em dormir, mesmo que seja só por alguns momentos ou sair conscientemente e voltar de novo para o astral. Ao voltar ao seu corpo carnal poderá notar que o mesmo está endurecido. Poderá sentir uma impressão semelhante à que se tem quando se veste uma peça de roupa molhada que aumentou de peso. Até nos habituarmos a isso, regressar ao corpo não é uma sensação muito agradável e as cores gloriosas do mundo astral encontram-se empalidecidas ao voltar e muitos dos sons ouvidos no astral são inteiramente inaudíveis quando nos encontramos no corpo físico. Mas não importa: estamos na Terra para aprender e quando se tiver alcançado esse objectivo estaremos livres dos laços, livres dos elos da Terra, e quando deixarmos o corpo carnal permanentemente, por ruptura do cordão de prata, iremos para reinos que ficam muito além do mundo astral. Pratique essa viagem astral sem descanso. Afaste de si todo o medo porque se não tiver medo nada há a recear, nenhum mal lhe acontecerá e só terá prazer.

               
.. LIÇÃO 10 ..

Na viagem astral, por mais longe ou rapidamente que se vá não há nada a recear senão o medo. Se afastarmos o medo não há qualquer perigo na viagem astral. Mas, perguntarão os leitores, o que é de temer? Esta lição é dedicada à questão do medo e ao que não se deve temer.O medo é uma atitude muito negativa que corrói as nossas melhores percepções. Qualquer forma de medo acarreta malefícios. Pode temer-se que, entrando no plano astral, se não consiga regressar ao corpo. É sempre possível regressar ao corpo, a menos que o indivíduo em questão esteja realmente moribundo, a menos que tenha chegado ao fim do tempo que lhe foi concedido sobre a Terra, o que não tem nada a ver com a viagem astral. Reconhecemos que é possível que certas pessoas fiquem paralisadas de medo e então não serão capazes de fazer coisa alguma. Numa situação deste tipo o indivíduo pode estar no corpo astral e chegar a uma intensidade tão grande de terror que até mesmo esse corpo astral não consiga mover-se. Isso, naturalmente, retarda o regresso ao corpo físico por algum tempo, até que o impacte maior do medo desapareça. O medo desgasta-se e desaparece, pois uma sensação só pode ser mantida durante um certo período de tempo. Deste modo, uma pessoa atrasa o regresso inteiramente a salvo ao corpo físico. Não somos a única forma de vida no plano astral, assim como os humanos não são a única forma de vida sobre a Terra. Neste nosso mundo temos criaturas agradáveis mas também há criaturas desagradáveis, que causam dano ao ser humano. Quem tiver observado ao microscópio alguns seres, invisíveis a olho nu, terá visto criaturas tão fantásticas que pensará estar a viver um conto de fadas. No mundo astral existem coisas muito mais estranhas do que as que se podem encontrar à superfície da Terra. No plano astral conheceremos criaturas notáveis ou pessoas e entidades notáveis também. Veremos os espíritos da natureza que são invariavelmente bons e agradáveis, mas existem criaturas horríveis, que devem ter sido entrevistas por alguns autores da mitologia e da lenda porque são criaturas como os demónios, os sátiros e outros a que se refere a mitologia. Algumas dessas criaturas são «elementais», de baixo nível, que poderão posteriormente tornar-se humanos ou ingressar no reino animal, e nesta etapa de desenvolvimento têm um aspecto muito desagradável. Os bêbados, esses que vêm «elefantes cor-de-rosa» e outras aparições notáveis, estão de facto a ver o tipo de criaturas a que se referem. Estes indivíduos que se entregam à bebida são criaturas que expulsaram o seu corpo astral do corpo físico enviando-o para os planos mais baixos do mundo astral. Aí vêm criaturas verdadeiramente espantosas, e quando a embriaguez passa o indivíduo guarda uma recordação muito nítida das coisas que viu. Embora embriagar-se seja um dos modos de entrar no mundo astral e lembrar-se dele, não é o método que recomendamos porque nos leva apenas aos seus planos mais baixos e degradados. Existem certas drogas utilizadas pelos médicos no tratamento de doenças mentais que apresentam efeito semelhante. A mescalina, por exemplo, pode alterar de tal maneira as vibrações da pessoa que ela se vê literalmente projectada do corpo físico e catapultada para o mundo astral. Também neste caso não se trata de método recomendável. As drogas e outras formas de sair do corpo físico são realmente perniciosas e prejudicam o eu maior. Voltemos aos «elementais». O que significa? Os elementais são uma forma primária de vida espiritual, são espíritos nas primeiras etapas de desenvolvimento. Encontram-se numa etapa acima das formas de pensamento. Essas formas de pensamento são apenas projecções da mente consciente ou inconsciente do ser humano e possuem apenas pseudovida própria. As formas de pensamento foram criadas pelos antigos sacerdotes egípcios para que os corpos mumificados dos grandes faraós e rainhas famosas pudessem ficar protegidos contra os profanadores de túmulos. As formas de pensamento são construídas com a intenção de repelirem os invasores e atacarem, agindo na consciência dos mesmos, provocando neles uma sensação tão forte de medo que os obrigue a abandonar o local. As formas de pensamento são entidades sem mente e simplesmente encarregadas pelos sacerdotes, mortos desde há muito, de executar certas tarefas como a guarda de túmulos contra invasores. Mas neste momento estamos a tratar dos elementais. No mundo astral os elementais correspondem, grosso modo, à posição ocupada pelos macacos no nosso mundo. Os elementais, ocupando mais ou menos a mesma posição no mundo astral, como a dos macacos no nosso, são formas que se movem mais ou menos sem objectivo, tagarelam e adoptam expressões horripilantes e estranhas, fazendo esgares ameaçadores ao ser humano empenhado na viagem astral, mas não podem afectá-lo. É bom ter isto sempre presente. Se o leitor já teve a triste experiência de visitar um hospital de alienados viu como se comportam alguns dos casos mais graves, fazendo gestos ameaçadores ou esgares destituídos de sentido. Eles avançam, mas se encontrarem uma firme resistência, como são criaturas com mentalidade inferior, acabam por recuar. Quando viajamos pelos planos astrais inferiores encontramos também alguns desses seres estranhos. Se o viajante for tímido essas criaturas podem rodeá-lo e tentar amedrontá-lo. Mas não há perigo pois são inteiramente inofensivas, a menos que tenha medo delas. Ao iniciar a viagem astral haverá duas ou três dessas entidades inferiores que se aproximam para ver como é que a pessoa se sai da experiência. Os espectadores esperam sempre que aconteça qualquer coisa de animado ou fantasmagórico e se o aprendiz estiver embaraçado sair-se-á mal para grande deleite dos espectadores que são simplesmente pessoas à procura de emoções. Isto que se passa todos os dias no nosso mundo humano passa-se também com os elementais que procuram divertimento fácil. Gostam de observar o desconforto dos seres humanos e se a pessoa em questão mostrar que tem medo eles insistirão nas suas atitudes ameaçadoras. Mas na verdade nada podem contra um ser humano, pois são como cães que só sabem ladrar e os latidos não fazem mal a ninguém. Além disso só conseguirão incomodá-lo enquanto você, com o seu medo, o permitir. Não receie, nada poderá acontecer-lhe. Ao deixar o corpo e ao entrar no plano astral não verá, em noventa ou noventa e nove por cento das vezes, qualquer dessas baixas entidades. Só as verá se tiver medo delas. Normalmente você elevar-se-á muito acima do reino dessas criaturas, pois elas amontoam-se no fundo do plano astral, quais vermes no fundo de um rio ou do mar. Ao elevar-se nos planos astrais assiste a fenómenos notáveis. À distância poderá ver faixas de luzes grandes e brilhantes que vêm de planos de existência que por enquanto se acham para além do seu alcance. Lembra-se do exemplo do teclado? A entidade humana, enquanto se encontra na carne, consegue apenas apreender três ou quatro «notas», mas ao sair do corpo e ao entrar no mundo astral aumenta o alcance das «notas», o suficiente para perceber que existem coisas maiores à sua frente. Algumas dessas «coisas» são representadas pelas luzes brilhantes, tão brilhantes que não se consegue ver o que são.Mas, por enquanto, vamos contentar-nos com o astral médio. É onde poderá visitar os amigos, os parentes, as cidades do resto do mundo, ver os grandes edifícios públicos, ler livros em línguas estrangeiras (neste plano conhecerá todas as línguas). Mas é necessário praticar a viagem astral. Temos aqui uma descrição do que ela é, mas que poderá transformar-se na sua própria existência mediante a prática.O leitor também pode viajar no astral, visitar as pessoas queridas, e quanto mais fortes forem os laços entre si e aqueles que ama tanto maior a facilidade com que poderá viajar. Mas para isto toda a prática não é de mais. De acordo com as antigas histórias orientais, na antiguidade, toda a humanidade podia viajar no astral; mas porque muitas pessoas abusaram desse privilégio, ele foi-lhes retirado. Para os puros de pensamento a prática da viagem astral trará a libertação do peso embaraçoso do corpo e permitirá ir aonde quiser. Isto não se consegue em cinco minutos nem em cinco dias. Terá de «imaginar» que poderá fazê-lo. Você é o que acredita ser e pode fazer aquilo que acredita poder fazer. Se acreditar, com sinceridade, então vencerá. Creia e com a prática viajará no astral. Não se deve ter medo de viajar no astral, pois nada poderá prejudicar-nos por mais terrível ou horripilante que seja o aspecto das entidades inferiores que possa ver (no caso de as ver, o que nem sempre acontece). Elas nada poderão fazer, a menos que se demonstre medo. A ausência de medo é garantia de protecção absoluta.Sendo assim, o leitor quererá praticar? Decidir aonde vai? Deite-se na sua cama; deverá estar sozinho e dizer a si próprio que esta noite vai a tal ou tal sítio, ver esta ou aquela pessoa; quando despertar, de manhã, lembrar-se-á de tudo quanto fez. A prática está na base dessa realização.   

               
.. LIÇÃO 11 ..

A viagem astral tem uma importância vital e por esse motivo pode haver vantagem em dedicarmos esta lição a um maior número de observações, o que é um passatempo fascinante.Então leia com cuidado esta lição percorrendo-a tão meticulosamente como fez com as anteriores e decida escolher um fim de dia, com alguma antecedência, para realizar a sua experiência. Prepare-se pensando que nesse anoitecer escolhido vai sair do corpo e continuar inteiramente consciente de tudo quanto acontecer. Há muita coisa a preparar e há que decidir com antecedência o que se pretende fazer. Os antigos recorriam ao «encantamento», ou seja, repetiam um mantra (forma de oração) que tinha como objectivo subjugar o subconsciente. Repetindo esse mantra, o consciente – que constitui apenas uma décima arte de nós – conseguia emitir uma ordem imperativa ao subconsciente. O leitor também poderá utilizar um mantra como o que se segue: «no dia tal vou viajar no mundo astral e vou permanecer inteiramente consciente de tudo quanto fizer, de tudo quanto vir. Lembrar-me-ei de tudo quando regressar ao corpo. Farei isso sem fracassar». Deverá repetir este mantra três vezes seguidas. O mecanismo é mais ou menos o seguinte: afirma-se alguma coisa, mas isso não basta para alertar o subconsciente, porque estamos sempre a dizer coisas e temos e certeza de que o subconsciente acha que a nossa parte consciente é muito faladora. Tendo enunciado o nosso mantra apenas uma vez, o subconsciente não fica alerta. Da segunda vez as mesmas palavras são pronunciadas de modo inteiramente idêntico e aí o subconsciente começa a despertar. À terceira afirmação poderíamos dizer que o subconsciente fica furioso, tornando-se inteiramente receptivo ao nosso mantra que é recebido e armazenado. Suponhamos que o leitor faz as suas três afirmações pela manhã, repetindo-as ao meio-dia, depois à tarde e outra vez à noite antes de se deitar e dormir. É como bater num prego com marteladas sucessivas até o enterrarmos completamente na madeira. Assim, os mantras são como golpes que fazem penetrar a afirmação desejada na percepção do subconsciente. Não se trata de algum dispositivo novo, pois é tão antigo como a própria humanidade. Nós, na actualidade, é que nos esquecemos ou talvez nos tenhamos tornado cépticos em relação a isso. Por isso o leitor faça as suas afirmações para si próprio e não permita que ninguém tome conhecimento delas, pois o cepticismo de outrem pode lançar a dúvida no seu espírito. Foi a troça e o cepticismo das pessoas que impediram os adultos de ver os espíritos da natureza e de poder conversar telepaticamente com os animais.O leitor decidirá qual o anoitecer de um determinado dia e deverá fazer todos os esforços para permanecer tranquilo, em paz consigo próprio e com os outros. Isto é fundamental. Não deve existir em si nenhum conflito interno que o inquiete. Se se sentir perturbado ou agitado durante o dia escolhido, transfira a sua consciência de viagem astral para outro dia mais sossegado. Supondo que tudo tenha corrido tranquilamente e que durante o dia o seu pensamento esteve ocupado pela viagem astral, vá para o seu quarto, dispa-se devagar, mantenha-se calmo e respire pausadamente. Quando estiver pronto para deitar-se, certifique-se de que a sua roupa de dormir é cómoda, isto é, não deve ser apertada em redor do pescoço nem em redor da cintura, pois podem causar sobressalto num momento crítico. Assegure-se que no seu quarto reina uma temperatura conveniente. Se tiver pouca roupa na cama tanto melhor, porque não deverá sentir-se oprimido pelo peso excessivo de qualquer material sobre o seu corpo. Apague a luz depois de ter verificado que as cortinas estão bem fechadas, para que nenhum raio de luz atinja os seus olhos em momento menos oportuno. A seguir deite-se e instale-se confortavelmente. Relaxe-se, deixe-se amolecer totalmente. Não adormeça se o conseguir evitar, embora o sono, se tiver repetido o seu mantra correctamente, não tenha importância, pois mesmo assim lembrar-se-á de tudo. Aconselhamo-lo a permanecer desperto se puder, porque essa primeira viagem fora do corpo é realmente interessante.Deitado, de preferência de costas, imagine que está a forçar a saída de um outro corpo do seu, imaginando que a forma fantasmagórica do astral está a ser expulsa. Consegue senti-la erguendo-se como uma rolha a subir pela água acima, e sente-a retirando-se das próprias moléculas do seu corpo carnal. O formigueiro que se sente é muito leve e virá o momento em que deixará de se sentir. Logo a seguir sentirá uma sacudidela e se você não tiver cuidado, se deixar sacudir com violência, o corpo astral voltará ao físico com um baque.A maioria das pessoas já passou pela sensação de queda, exactamente no momento em que mergulhava no sono. Na verdade, essa sensação de queda é causada por uma contorção que faz com que o corpo astral, que começou a flutuar, caia de volta ao corpo físico. Isto faz a pessoa acordar em sobressalto e o corpo astral, a seguir a uma sacudidela brusca deste tipo, volta ao corpo físico sem ter saído deste mais do que alguns centímetros. Se o leitor se aperceber que está prestes a sentir um sobressalto, poderá manter-se firme. Depois de ter cessado o formigueiro não faça qualquer movimento e logo em seguida sentirá um frio repentino, como algo que o tivesse abandonado. Poderá ter a impressão de que alguém está a deixar cair um travesseiro em cima de si. Não se perturbe e verá que está a olhar para si próprio, ou da extremidade da cama ou até do tecto.Examine-se com toda a calma que conseguir, pois nunca se viu tão claramente como vai acontecer nesta primeira viagem. Olhe para si próprio e certamente não conseguirá deixar de se espantar quando descobrir que o seu aspecto é bem diferente daquele que imaginava. Não há nada como colocar-se frente a frente consigo próprio. Depois de se ter examinado deverá exercitar-se no movimento, deslocando-se no aposento, observando um armário, uma cómoda, verificando a facilidade com que pode deslocar-se a qualquer parte. Examine o tecto, os lugares que estão ao seu alcance. Decerto encontrará muita poeira nos lugares inacessíveis. Procure deixar impressões digitais no pó e verá que não consegue. Os seus dedos, a sua mão, o seu braço afundam-se na parede sem qualquer sensação. Quando vir que está satisfeito e que se pode mover à vontade, olhe por entre o seu corpo astral e o físico. Vê como cintila o seu cordão de prata? Afaste-se do seu corpo físico e verificará que o cordão de prata se alonga sem qualquer esforço e sem qualquer diminuição de diâmetro. Volte a olhar para o seu corpo físico e então vá para onde tinha pensado ir. Pense na pessoa ou no lugar e não faça esforços: limite-se a pensar na pessoa ou no lugar.Sairá pelo tecto e verá a sua casa e a rua lá de cima. Se for a sua primeira viagem consciente seguirá lentamente até ao seu destino e reconhecerá o terreno lá em baixo. Quando estiver habituado a viajar conscientemente no astral andará com a velocidade do pensamento e quando o fizer não terão limite as suas deslocações no astral.O corpo astral não respira oxigénio, de modo que pode viajar pelo espaço, ver outros mundos, coisa que muitas pessoas fazem, mas não se lembram dos lugares onde estiveram. Com a prática o leitor poderá ir a qualquer parte, não apenas deste planeta.Se achar difícil concentrar-se na pessoa que pretendeu visitar, então tenha uma fotografia da mesma, sem moldura, que segurará nas mãos. Antes de apagar a luz olhe demoradamente para o retrato. Depois apague a luz e procure reter uma impressão visual da pessoa fotografada. Isso facilitará as coisas.No Tibete e na Índia existem eremitas encerrados entre quatro paredes e que nunca vêem a luz do dia. Recebem alimentos de três em três dias e em quantidade apenas suficiente para que a vida se mantenha no corpo. Esses homens conseguem estar em permanente viagem astral e vão aonde quer que haja algo para aprender. Viajam de tal modo que podem conversar com telepatas e podem influenciar as coisas no bom sentido. É possível que o leitor, nas suas viagens astrais, encontre homens assim, e se isso acontecer será uma bênção, pois eles dar-lhe-ão bons conselhos, dizendo-lhe como fazer mais progressos.Leia e releia esta lição. Somente a prática e a fé são necessárias para que também você possa viajar no astral, libertando-se por algum tempo dos problemas desta mundo.

               
.. LIÇÃO 12 ..

É tanto mais fácil empenhar-se na viagem astral, clarividência e atitudes metafísicas do género, quanto os alicerces forem preparados com antecedência. A preparação metafísica requer uma prática considerável e constante. Não é possível ler algumas instruções e, sem prática, passar a uma viagem muito longa no plano astral. É preciso praticar constantemente.Não podemos esperar que a clarividência ou qualquer outra ciência oculta desabroche em mente fechada e selada ou em tumulto constante de pensamentos concatenados. A avalanche actual de pensamentos sem importância e o ruído constante do rádio e da televisão estão a embotar os talentos metafísicos.Os sábios da Antiguidade exortavam: «Permanece quieto e saberás o que está dentro». Esses homens dedicavam a sua vida à pesquisa metafísica antes de registarem uma só palavra por escrito. Retiravam-se para regiões desertas, para onde não houvesse ruído da chamada civilização, onde estivessem livres de distracções. O leitor tem a vantagem de poder beneficiar das experiências de todas as vidas dos homens na Antiguidade e pode tirar proveito de tudo isso sem ter de passar a maior parte do tempo a estudar. Se for sério quererá preparar-se para o desdobramento rápido do espírito e o melhor meio de o conseguir é, antes de mais, estar à vontade. A expressão «pôr-se à vontade» não significa que se afundem numa cadeira. Para se descontrair deverá deixar todo o corpo ficar mole, libertar todos os músculos da menor tensão.O leitor sabe relaxar-se? Consegue tornar-se flexível, capaz de recolher impressões? Eis como deverá fazer: Deite-se em qualquer posição que seja confortável, as pernas e os braços afastados. Convém que esteja retirado no seu próprio quarto para completo à-vontade, desligado de conceitos estéticos e adoptando a posição mais confortável.Imagine agora que o seu corpo é uma ilha povoada por seres minúsculos, sempre obedientes às suas ordens. Deitado confortavelmente, imagine uma série de pequenos seres nos dedos dos pés, nos joelhos, em todo o corpo. Imagine-se olhando para baixo, vendo o seu corpo e todas as minúsculas criaturas que estão a retesar os seus músculos fazendo com que os nervos estremeçam e se movimentem. Olhe para elas como se você fosse uma figura imensa no alto do céu e diga-lhes que saiam dos seus pés, abandonem as suas pernas, ordene-lhes que se afastem das suas mãos e braços, diga-lhes que se juntem no espaço entre o seu umbigo e a extremidade do esterno. Imagine que as vê descendo dos seus membros, subindo o corpo em fileiras cerradas, como os operários deixando uma fábrica movimentada no fim de um dia.Chegando ao ponto designado, esses seres terão abandonado as suas pernas, os seus braços e assim eles estarão destituídos de tensão e até de sensibilidade, pois essas minúsculas criaturas são as que fazem o seu maquinismo funcionar, as que alimentam as estações de retransmissão e os centros nervosos. Nessa altura os seus membros não terão tensão alguma, nenhum cansaço. Poderíamos dizer que eles quase «não estão lá».Agora faça com que todas essas criaturas se reúnam no lugar determinado. Olhe para eles deixando que o seu olhar os englobe a todos, por alguns momentos, e então, com firmeza e confiança diga-lhes que se vão embora, que abandonem o seu corpo até que você os chame de novo. Diga-lhes que subam pelo cordão de prata, afastando-se de si. Eles devem deixá-lo em paz enquanto você medita à vontade.Imagine de novo que o cordão de prata se alonga, distanciando-se do seu corpo físico e indo ter aos reinos longínquos. Veja o cordão de prata como um túnel ou como um metropolitano e idealize os viajantes na hora de ponta numa grande cidade; pense que todos eles estão a abandonar a cidade em direcção aos subúrbios, esvaziando-se em relativa tranquilidade. Faça com que esses pequenos seres lhe obedeçam e então ficará liberto de tensão, os seus nervos não vibrarão mais, os músculos deixarão de estar tensos. Continue deitado e sossegado, deixe a sua mente «tiquetaquear». Respire devagar, com intensidade e depois afaste todos os pensamentos tal como «despediu os seus operários da fábrica».Os seres humanos ocupam-se de tal maneira com os seus pensamentozinhos que não têm tempo para as coisas da vida maior. Terá alguma importância daqui a cinquenta anos coisas quotidianas e mundanas inteiramente triviais? Mas para si terão importância daqui a cinquenta anos os progressos que fizer agora, pois se é verdade que desta vida ninguém leva um vintém que seja, não é menos verdade que toda a gente leva os conhecimentos adquiridos nesta para a vida do além. Por isso é que as pessoas estão aqui e deve pôr a si próprio esta pergunta: pretende levar consigo conhecimentos de valor para o outro lado ou apenas um amontoado inútil de pensamentos sem relação entre si? Se a resposta for a primeira, este curso tem utilidade para si e poderá influenciar todo o seu futuro. É o pensamento – a razão – que mantém os seres humanos numa situação inferior como é a actual. Os homens referem-se à razão e dizem que ela os distingue dos animais; na verdade que outras criaturas, senão os seres humanos, se guerreiam com bombas atómicas? Conhece o leitor alguma outra criatura, que não seja um ser humano, que mutile homens e mulheres de modo tão espectacular? Os seres humanos, a despeito da sua decantada superioridade, encontram-se, em muitos aspectos, abaixo das mais inferiores feras da selva. E isto porque os seres humanos cultivam valores errados, anseiam pelo dinheiro, pelas coisas materiais da vida mundana, enquanto as coisas que têm importância para além desta vida são as imateriais, as que estamos tentando ensinar-lhe.Desligue-se dos seus pensamentos e torne a sua mente receptiva. Se praticar e insistir na prática descobrirá que pode desligar os pensamentos vazios e infinitos que o atravancam e, em vez disso, aperceber-se de realidades verdadeiras, perceber coisas de planos diferentes da existência, mas coisas tão completamente estranhas à vida na Terra – tão agradavelmente estranhas – que não existem termos concretos para descrever o abstracto. Apenas a prática é necessária para que também você possa ver as coisas do futuro. Existem grandes homens que conseguem entregar-se ao sono por momentos e em poucos minutos voltar a despertar, revigorados, com os olhos brilhantes de inspiração. São pessoas que conseguem desligar-se dos pensamentos sintonizando e recolhendo o conhecimento das esferas. Também você poderá fazê-lo com a prática.Para aqueles que desejam o progresso espiritual é muitíssimo prejudicial embrenharem-se na roda inútil da vida social. A bebida, o álcool, prejudicam a parte psíquica do indivíduo, podendo conduzi-lo ao astral inferior. Mas as festas e as actividades sociais comuns constituem uma visão penosa para quem tenta progredir. Só se pode melhorar se nos afastarmos dessa gente de mentalidade oca, cujo pensamento mais importante consiste em saber quantas bebidas consegue beber em reuniões deste tipo e que prefere tagarelar estupidamente acerca das dificuldades de outrem. Acreditamos na comunhão das almas, acreditamos que duas pessoas possam estar fisicamente juntas em silêncio, sem serem necessárias palavras, uma vez que elas comunicam telepaticamente. O pensamento numa delas evoca uma resposta na outra. No caso de pessoas idosas que tenham vivido maritalmente juntas durante anos é frequente observar que elas se antecipam ao pensamento do parceiro. Essas pessoas, verdadeiramente apaixonadas, não se ocupam com tagarelices tolas; sentem-se juntas recolhendo em silêncio a mensagem que vai de um cérebro ao outro. Aprenderam, tardiamente, quais os benefícios que advêm da comunhão silenciosa, porque estão no fim da vida. Mas o leitor poderá aprendê-lo enquanto é jovem.Um grupo de pessoas que pense de modo construtivo, pode alterar todo o curso dos acontecimentos mundiais. Infelizmente é por demais difícil reunir um pequeno grupo de pessoas que se mostrem tão altruístas que consigam desligar-se das suas preocupações e concentrar-se apenas no bem da humanidade. Se o leitor e os seus amigos se reunirem e formarem um círculo sentando-se confortavelmente de frente uns para os outros, desse facto poderá advir grande bem para os participantes e para outras pessoas. Nesse grupo os participantes devem sentar-se de modo que os pés se toquem. As mãos deverão estar entrelaçadas, porque assim as forças vitais do corpo são preservadas. Os antigos judeus sabiam que, ao tentarem fazer um negócio difícil, conseguiam sempre melhores resultados se permanecessem de pé, com os pés juntos e as mãos entrelaçadas, e os seus interlocutores sentados. A sua posição era ditada por saberem como conservar e utilizar as suas forças corporais. Alcançado o seu objectivo, podiam separar e abrir as mãos e afastar as pernas, pois já não precisavam de forças para «o ataque».Se cada pessoa do círculo de que falámos mantiver pés e mãos juntos, cada qual conservará a energia do próprio corpo. É como ter um íman e ligar-lhe os pólos, a fim de poupar a sua força magnética, sem a qual o íman não passaria de um pedaço de metal comum. O seu grupo deverá sentar-se em círculo, estando todos a olhar para o espaço central desse círculo, no soalho, para que as cabeças fiquem ligeiramente inclinadas para baixo, porque se torna mais repousante e natural. É necessário não falar. O tema dos pensamentos terá sido previamente escolhido. Mantenham-se sentados durante alguns minutos. Gradualmente, cada um sentirá uma grande paz a invadi-lo como que uma luz interior, e alcançará o esclarecimento espiritual verdadeiro, sentindo-se «unido ao universo». Os cultos nas igrejas são realizados com este objectivo.Sempre em silêncio, procure cada qual descontrair-se pensando em coisas puras ou no tema que foi antecipadamente escolhido. Não se deve dar lugar a pensamentos fúteis ou a preocupações do dia-a-dia. Devem elevar as respectivas vibrações, de modo que possam aperceber-se da natureza boa e da grandeza que reside na vida futura.Todos falamos demais. Se nos relaxarmos, se nos isolarmos mais tempo e se falarmos menos quando em companhia dos outros, então uma avalanche de pensamentos muito mais puros do que podemos imaginar, inundar-nos-á elevando as nossas almas. Muita gente da província, sobretudo pessoas idosas que passavam o dia sozinhas, tinham uma pureza de sentimentos muito maior do que qualquer pessoa que habitasse grandes cidades. Os pastores, se bem que não sejam possuidores de grande instrução, revelam um grau de pureza espiritual que faria inveja a muitos sacerdotes. Isto deve-se ao facto de eles terem tido tempo para estarem sós, para pensar e meditar, e quando se cansavam de meditar os seus pensamentos eram substituídos por pensamentos maiores vindos do «além». Por que não praticar meia hora todos os dias?Pratique sentado ou reclinado e lembre-se que deverá estar sempre inteiramente à vontade. Deixe que o seu espírito pare. Lembre-se desta frase: «permanece quieto e conhecerás o eu interior». Liberte-se de qualquer pensamento de preocupações e dúvidas e descobrirá que em cerca de um mês se sentirá melhor, por dentro e por fora.Em certas escolas ensina-se que devemos «fazer conversa» para bem receber. A ideia assenta no facto de evitar que os convidados sejam deixados em silêncio nem que seja por um momento. Nós dizemos, pelo contrário, que ao proporcionar-lhes alguns momentos de silêncio estaríamos a dar-lhe um bem precioso, pois no mundo de hoje não há silêncio. O leitor se souber proporcionar aos que o visitam um oásis de sossego, paz e tranquilidade, poderá fazer muito mais por si próprio e pelos seus semelhantes.Quer tentar evitar o ruído? Veja se consegue falar o menos possível; diga apenas o que for necessário, evitando tudo o que se mostre irrelevante, quanto se reduza a mexerico e tagarelice sem sentido. Se o fizer, consciente e deliberadamente, terá um choque no fim do dia ao aperceber-se de quanto fala em condições normais, sem dizer nada de importante. Muitas ordens religiosas são ordens de silêncio. Os superiores dessas congregações não obrigam os monges e as monjas a manter o silêncio por castigo, mas porque sabem que só no silêncio se podem ouvir as vozes do grande além.

               
.. LIÇÃO 13 ..

Quem não se interrogou já sobre a finalidade da vida na Terra? Depositamos demasiada confiança nas coisas deste mundo e achamos que não há nada mais importante do que a vida que temos na Terra. Mas afinal sobre a Terra somos apenas actores num palco, mudando de trajo conforme o papel que desempenhamos, retirando-nos no final de cada acto para regressar no seguinte, talvez com indumentária diferente. Quem não se perguntou o porquê de tanto sofrimento, de tanta dificuldade? De facto é necessário que haja sofrimento, dificuldades e guerras. As guerras são necessárias para que haja oportunidade de auto-sacrifício e para que o homem se eleve acima dos limites da carne, prestando serviço aos demais. Encaramos a vida como coisa única e importante, e na verdade não é assim.Quando nos encontramos no espírito somos indestrutíveis. Tornamo-nos imunes às vicissitudes e doenças. Assim, o espírito que tem de adquirir experiência motiva um corpo de carne e osso para que as lições possam ser assimiladas. Na Terra, o corpo é um fantoche agitando-se e contorcendo-se de acordo com as ordens do eu maior que as envia por intermédio do cordão de prata, o qual transmite também mensagens ao eu maior.Examinemos o cenário do que existe antes de se chegar à Terra. Uma pessoa – uma entidade – regressou ao eu maior nos planos astrais, depois de uma vida sobre a Terra. Essa entidade viu todos os seus erros, todas as suas faltas e defeitos nessa vida e decidiu, sozinha ou em companhia de outras, que certas lições não foram aprendidas e que terá de recomeçar a sua aprendizagem. Tendo sido feitos planos, a entidade descerá uma vez mais a um corpo. Procuram-se os pais e o ambiente adequados. Se uma pessoa tem de habituar-se a lidar com dinheiro nascerá de pais ricos ou se tem de sair da «sarjeta» nascerá de pais muito pobres. Poderá mesmo nascer aleijado ou cego, tudo depende daquilo que for necessário aprender. Um ser humano na Terra é como uma criança numa sala de aula; no novo ano escolar a criança reprovada volta a aprender as mesmas lições para ter outra oportunidade, mas as que estudaram mais prosseguem. A criança que ficou para trás sente-se envergonhada perante os novos colegas, tende a adoptar ares de superioridade por algum tempo para mostrar que se não passou de ano foi porque não quis. Se no final desse ano de estudo a criança não evidenciar sinal de progresso, pode ser que os professores decidam propor a sua transferência para outro tipo de escola. Se as crianças fizerem progressos e se estiverem a sair-se satisfatoriamente nos estudos, virá o momento em que terão de decidir o que farão em adultos. Qualquer que seja a escolha, terão de fazer a respectiva aprendizagem. O mesmo acontece no mundo espiritual. Antes de um ser humano nascer efectua-se, com meses de antecedência, uma reunião algures no mundo espiritual. Aquele que vai entrar num corpo humano examina, juntamente com assessores, a maneira como certas lições poderão ser aprendidas, tal como um estudante na Terra examinará a forma de obter o diploma desejado. Poderá haver um debate para saber o que deve ser aprendido e quais as dificuldades a serem atravessadas, pois é verdade que os obstáculos ensinam mais depressa e mais vincadamente do que a bondade. A posição social que uma pessoa ocupa na Terra não tem significado para o mundo espiritual. Uma entidade poderá na Terra executar trabalhos considerados inferiores, porque precisa de aprender certas lições específicas, mas na vida futura essa pessoa será uma entidade superior.Ninguém levará deste mundo um único vintém, mas sim todo o conhecimento, todas as experiências adquiridas. Os que esperam que a sua fortuna lhes dê um lugar de destaque no céu terão uma desagradável surpresa. O dinheiro, a posição, a raça não têm qualquer importância: a única coisa que importa é o grau de espiritualidade alcançado pela própria pessoa.Regressemos então ao espírito que está prestes a encarnar de novo: Logo que forem encontrados os pais adequados o espírito entrará no corpo da criança em gestação e no momento em que essa entrada for consumada apagar-se-á desse espírito toda a memória consciente da sua vida anterior. É um acto de misericórdia que o comum das pessoas não consiga lembrar-se da sua vida passada, mas quando passa novamente por esta vida e regressa ao mundo espiritual então tudo é recordado. Todos conhecem o preceito que manda «honrar pai e mãe». Embora seja um bom princípio, devemos esclarecer que grande número de pessoas na Terra jamais voltará a ver pai ou mãe quando entrar no mundo espiritual. Concordamos que os pais devam ser «honrados» pelos filhos desde que o mereçam. Mas se os progenitores se revelarem prepotentes ou sem bondade, então automaticamente rejeitaram todos os direitos a serem «honrados». Quem não se sente feliz com os pais que tem jamais voltará a vê-los no mundo espiritual. Neste existe a lei da harmonia, sendo inteiramente impossível que o leitor conheça alguém com quem não seja compatível. O mesmo acontece com quem se casou, se esse casamento foi feito em bases falsas, a menos que um dos dois se modifique. Todos devem ser compatíveis e estar em perfeita harmonia antes que possam encontrar-se de novo. É esse um dos motivos pelos quais os espíritos precisam de possuir um corpo físico para aprender lições, porque somente no corpo físico duas entidades antagónicas podem ser levadas a um contacto que proporcione uma ocasião para «limar arestas» e chegar à compreensão mútua.Os seres humanos pensam, erradamente, que constituem a mais alta forma de existência. Isto é de todo incorrecto, sendo ainda uma ideia fomentada pelas religiões organizadas. O pensamento religioso ensina-nos que o homem é feito à imagem de Deus; sendo assim não pode haver mais nada acima do homem. Mas noutros mundos existem formas altíssimas de vida. Deus é verdade, é um espírito vivo que nos guia a todos, mas não é necessariamente do mundo que nos ensinaram.Nesta lição pense na sua relação pessoal com os seus pais, com o seu cônjuge ou com os parentes. É feliz com eles ou vive à parte? Aceitaria viver com qualquer destas pessoas em permanência por todo o resto da existência? Lembre-se de que quando esteve na escola tinha de respeitar os professores, mas eles não estavam associados de modo permanente à sua vida, apenas supervisionavam a sua educação. Também os seus pais são criaturas que você escolheu – com permissão deles num mundo espiritual – para patrocinarem e supervisionarem o seu desenvolvimento. Se as pessoas amam sinceramente os pais, nesse caso terão a maior das alegrias ao saber que se encontrarão com eles no «outro lado». As condições nesse outro lado serão preparadas por si aqui na Terra.

               
.. LIÇÃO 14 ..

Provavelmente todos nós já oramos pedindo auxílio ou assistência de outrem. É natural e humano. O homem sente-se inseguro, quando só, e quer a imagem do «Deus-Pai» ou a imagem da «mãe» para se sentir protegido, para ter a sensação que pertence a uma grande família. Mas para receber é preciso dar. Nada se recebe sem se ter dado antes, pois o acto de dar, a atitude de abrir a mente, torna-o receptivo àqueles que estão prontos a dar-lhe o que deseja receber. Não estamos forçosamente a falar de dinheiro. O dinheiro pode ser dado, e deve ser dado, sob certas condições, mas dar significa também «dar-se», estar pronto a servir os outros. Podemos e devemos dar dinheiro, bens, assistência ou consolo espiritual àqueles que disso necessitem. Se não dermos não recebemos.Existem muitas concepções erradas a respeito de «dar esmola», «pedir», no mundo ocidental. As pessoas imaginam haver algo de vergonhoso, de degradante, em solicitar a ajuda de outrem, mas isso não corresponde à verdade. O dinheiro não passa de uma mercadoria que nos é emprestada enquanto nos achamos na Terra, com a qual podemos comprar felicidade e auto-aperfeiçoamento, ajudando os outros em vez de o guardar inutilmente num cofre.No mundo ocidental um homem é julgado pelo guarda-roupa da mulher, pelo carro que dirige ou pela casa onde reside. Este é um mundo de falsos valores – repitamos isto quantas vezes forem necessárias para que o subconsciente tome conhecimento dessa realidade –, pois nunca ninguém levou fosse o que fosse para a outra margem do rio da morte. Tudo o que podemos levar é o que se acha dentro do nosso conhecimento, é a soma total das nossas experiências, boas e más, generosas e mesquinhas, destiladas a tal ponto que apenas a essência dessas experiências permanecerá. E o homem que tenha vivido para si próprio, sozinho sobre a Terra, embora tenha sido milionário, quando vai para o «outro lado» encontrar-se-á em bancarrota espiritual.No Oriente, num país como a Índia vê-se uma cena muito comum, tal como o foi na China e no Tibete antes que os comunistas se apoderassem do poder: a dona de casa – por mais pobre que seja – dirige-se à porta no fim do dia e ali encontra um monge, de manto, com a sua humilde tigela de esmola. Isso faz parte da vida no Oriente a tal ponto que todas as donas de casa guardam sempre um resto de comida para dar ao monge mendigo que depende da sua generosidade. Considera-se uma honra para a casa, e não um encargo, o facto de um monge a ela se dirigir para pedir o seu sustento. Contrariamente à crença comum no Ocidente, um monge não é um parasita nem um mendigo, nem tem medo de trabalhar nem vive apenas à custa dos outros. Alimentar um monge é pagar com pouco a dívida que todas as pessoas sentem ter contraído para com aqueles que se encontram nas ordens sagradas. Os monges não comem mais do que o necessário – uma única refeição ao dia – vivem de modo frugal, apenas para manter vigor e saúde, sem nunca pecar por gula. Demasiada quantidade de comida impede o desenvolvimento espiritual e a comida demasiadamente rica ou os alimentos fritos prejudicam a saúde física. Se alguém pretender desenvolver o espírito deve viver como fazem os monges: comer apenas o suficiente, com simplicidade, para manter o corpo, mas evitando alimentos ricos que deixam a mente saciada e o espírito trancado no receptáculo de argila que é o corpo. O monge, tendo recebido a comida, não tem de ficar grato: desde tempos imemoriais, um modo de vida surgiu no Oriente e assim um monge é alimentado por direito, não constituindo um encargo público, não sendo um mendigo, um agitador ou um parasita. Durante o dia, antes da refeição nocturna, o monge esteve sentado horas seguidas à disposição de todos quantos o procuraram e precisaram dos seus serviços: os que precisam de consolo espiritual, os que têm parentes doentes e os que desejam escrever urgentemente uma carta. Há os que procuram o monge para saberem se ele tem notícia de entes queridos que vivem em lugares distantes, pois o monge «viaja» permanentemente pelo país, sempre a pé, de cidade para cidade, de uma a outra fronteira. E o monge presta os seus serviços gratuitamente, sem olhar ao que lhe peçam ou ao tempo que o assunto lhe ocupe. É um homem santo e educado. Sabe que muitos dos camponeses que o procuram não lhe podem pagar por serem pobres de mais; ele, monge, precisou de estudar para adquirir conhecimentos com que socorre as pessoas, pelo que não teve tempo de trabalhar manualmente para ganhar a vida. Sendo assim constitui um dever, um privilégio e uma honra para as pessoas recebem auxílio, ajudá-lo em troca, alimentando-o, para que possa manter juntos o corpo e a alma. O monge viaja cobrindo longas distâncias muito depressa e dormindo pouco. É um homem respeitado em todos os países budistas.Também nós deveríamos estar prontos para dar, para assim podermos receber. Na Antiguidade havia uma lei divina segundo a qual todos os homens deviam dar um décimo dos seus bens para triunfo do bem. Esse «décimo» tornou-se conhecido por «dízimo», passando afazer parte integral da vida. Hoje os padrões são diferentes dos antigos. As pessoas já não vivem de dízimos nem pagam dízimos, o que é pena. Para quem queira progredir espiritualmente é essencial que pague «dízimo» para bem dos outros – e especialmente porque «o bem dos outros» traz muitos benefícios a quem o faz. Em suma, só poderemos progredir e ser ajudados se ajudarmos os outros.Muitos homens de negócios muito sagazes e sem grande inclinação espiritual dão prazenteiramente uma décima parte da sua renda para o bem dos outros – e de modo ainda mais particular para o seu próprio bem. Eles não o fazem por serem religiosos mas porque a experiência comercial concreta e os factos dos livros de contabilidade lhes ensinaram que, agindo assim, eles recebem a dobrar. Os que emprestam dinheiro nem sempre são marcados por qualquer ponta de espiritualidade ou de generosidade. No entanto, se um só desses homens tiver fé suficiente no «dízimo» é porque deve haver algo de muito proveitoso no esquema.  As leis ocultas aplicam-se tanto ao não espiritual como ao espiritual. É correcto, bom e proveitoso ajudar os outros. Daí provém grande benefício para a pessoa que «se» dá. Quando não se dá com prazer é melhor não dar absolutamente nada.O dízimo significa também um modo de vida, porque quem dá também recebe. «Para receber é preciso dar antes», mas se alguém precisa que as suas «boas acções» sejam impressas nos jornais, então essa pessoa não está a dar de modo correcto.Existem muitas maneiras de dar. Podemos, além de dedicar uma décima parte das rendas às boas obras, ajudar os outros nas suas necessidades espirituais, ministrando-lhes o apoio necessário quando atravessam maus bocados. Ao dar aos outros estamos a dar de nós próprios. Assim como um negócio deve ter um bom movimento para prosperar, precisamos de ter um bom movimento de dádivas em ambos os sentidos. Devemos dar para ajudar os outros. Devemos dar para que possamos ser ajudados.É inútil orar para que algo nos seja dado, a menos que demonstremos ser dignos, dando àqueles que necessitam. Dê, decida quando pode dar e como, e ponha tudo em prática. Experimente durante três meses e verá que no fim desse tempo se sentirá compensado quer espiritual quer financeiramente ou até em ambos os aspectos.Pedimos ao leitor que medite sobre este assunto e que se lembre da frase: «Dá para poderes receber».

               
.. LIÇÃO 15 ..

Existe um costume que é o de guardar os objectos de estimação, recordações que por vezes ficam esquecidos em qualquer sótão, até que alguém dá com eles por acaso, e que fazem reviver tempos bons e tempos maus.E você, também examina o seu sótão? Ele vale bem uma visita de vez em quando pois existem lá coisas úteis, coisas que fazem voltar as recordações e que aumentam o conhecimento do próprio.Nesta lição não vamos pedir-lhe que suba ao seu sótão; vamos sugerir que venha connosco, subindo degraus que parecem partir-se a todo o momento. Venha connosco ao nosso sótão examinar coisas, pois esta lição e a seguinte estarão no compartimento daquele. Nele temos todos os tipos de informações que talvez não se ajustem numa lição separada, mas que têm indiscutível valor e interesse para o leitor. Assim, pense no nosso sótão, continue lendo e veja que parte deste assunto se aplica a si, qual a parte que lhe esclarece pequenas dúvidas ou incertezas que poderão ter ocupado a sua mente ou tê-lo perseguido por algum tempo.Foquemos as pessoas que se concentram em demasia. O leitor pode trabalhar com demasiado afinco. Diz o ditado que «ninguém morreu por trabalhar demais». Mas queremos dizer que se o indivíduo se concentra demais no trabalho estará a regredir. O esforço pode por vezes ser demasiado. Trata-se de um defeito do cérebro, pois quem se esforça demais não faz qualquer progresso; de facto, ao esforçarmo-nos demais criamos o que pode chamar-se «retro alimentação negativa». Todos conhecemos o indivíduo soturno que segue pela vida em esforço contínuo e não chega a parte alguma, permanecendo em estado de confusão e de incerteza. Quando sobrecarregamos o nosso cérebro geramos uma carga excessiva de electricidade que impede a existência de pensamento para além desse ponto. O cérebro humano tem muito em comum com a electrónica, e se a electrónica e a electricidade fossem utilizadas no estudo do cérebro humano tais estudos seriam grandemente facilitados.Quando nos concentramos em demasia, quando realmente forçamos o cérebro por causa de um problema, é frequente aplicarmos uma «polarização negativa de grade» que tem por efeito inibir inteiramente o pensamento. Por isso não nos devemos esforçar em demasia, precisamos de ser sensatos nesses momentos e ter presente o adágio chinês: «Devagar, devagarinho é que se apanha o macaquinho». Devemos aplicar a nossa concentração de tal modo que o cérebro não se fatigue, fazendo apenas o que estiver dentro das nossas capacidades, seguir o «caminho do meio». O caminho do meio é um modo de vida oriental, significa que não devemos ser maus de mais nem bons em demasia. Se se for mau de mais cair-se-á nas malhas da lei; se se for bom de mais haverá lugar para a presunção ou então não se poderá permanecer nesta Terra. Até as grandes entidades que vêm a este mundo triste têm de adoptar alguma forma de incapacidade, algum capricho de carácter, de modo que enquanto estiverem sobre a Terra não sejam perfeitas, porque nada perfeito pode existir neste mundo de imperfeição.Portanto, não devemos esforçar-nos em demasia, mas sim fazer as coisas naturalmente, dentro da razão e das próprias capacidades. Não é necessário andar por aí numa adesão servil a algo que outros afirmam. Usando a senso comum devemos usar o caminho do meio.Experimente esse caminho do meio, a via da tolerância, do respeito, dos direitos alheios na qual os seus próprios direitos serão respeitados. No Oriente, sacerdotes e leigos estudam judo e outras formas de luta, não por serem gente belicosa, mas porque ao aprenderem judo e formas semelhantes de luta aprendem a controlar-se e, acima de tudo, a ceder o passo para que possam vencer. No judo não se utiliza a força necessária para vencer uma batalha, mas a força do próprio adversário para o derrotar. Quanto mais forte for o homem tanto mais feroz será o seu ataque e tanto mais fácil será vencê-lo porque a sua própria força faz com que ele caia pesadamente.Vamos utilizar a força da oposição a fim de sobrepujarmos os nossos problemas. Não se canse nem se esgote; considere maduramente um problema que o esteja a incomodar, não fuja à questão. Muitos receiam encarar um problema, contornam-no, sondam-no, mas não atingem a solução. Por mais desagradável que a questão seja, por mais culpado que se sinta em relação a alguma coisa, chegue à raiz do seu problema, descubra o que o perturba, o que o assusta, e depois, quando tiver examinado consigo próprio todos os aspectos do problema, durma com ele! Se «dormir com uma coisa» ela passará para o seu eu maior, que tem uma compreensão muito mais ampla do que a sua, pois o seu eu maior é uma grande entidade comparada com o ser humano. Quando o seu eu maior ou mesmo o seu subconsciente puder examinar o problema e encontrar uma solução, é frequente que passe essa solução para o seu consciente, indo ter à sua memória, de modo que ao despertar ficará admirado e satisfeito ao verificar que tem a resposta para aquilo que o perturbava e que, a partir de então, não o perturbará mais.Vamos passar agora a um pequeno «tesouro» que está esquecido na poeira do nosso sótão. Muitas pessoas pensam que ser-se bom é ser-se infeliz. Pensam que é preciso andar por aí de semblante triste e sombrio quando se é «religioso». Estão redondamente enganados. Tais pessoas receiam sorrir, não porque isso lhes desmanchasse a expressão sofredora, mas porque poderia desmantelar a fachada do seu fino verniz de crença religiosa. A religião, a verdadeira religião é uma coisa alegre. Promete-nos a vida para além da Terra, recompensa para tudo o que nos custou esforço, promete-nos que não haverá morte e nada a recear. A maioria dos seres humanos tem um medo latente da morte e isto justifica-se porque se alguém se lembrasse das alegrias da vida que nos espera seria tentado a pôr fim a esta passando à felicidade. Seria como a criança que falta à aula, o que a prejudica. A religião promete-nos que, quando formos para além dos confins deste mundo já não estaremos em companhia daqueles que nos atormentam, não voltaremos a encontrar os que nos irritam, que azedam a nossa alma. Rejubilemos na religião, pois se tivermos a verdadeira religião isso será fonte de alegria.Temos de reconhecer que muitas das pessoas estudantes do ocultismo ou da metafísica se encontram entre os piores pecadores. Nós acreditamos que a fé é o que importa. É indiferente acreditar na religião ou no ocultismo, o importante é crer.O ocultismo não é mais misterioso ou complicado do que a tabuada ou uma excursão pela história. Consiste apenas em aprender coisas diferentes, coisas que não pertencem ao mundo físico. Não devemos entrar em êxtase se descobrimos repentinamente como um nervo faz funcionar um músculo ou como podemos mexer um dedo do pé, pois isso seriam questões comuns. Sendo assim, por que motivo deveríamos entrar em êxtase e julgar que os espíritos estão todos sentados à nossa volta, se soubermos passar a energia etérea de uma pessoa a outra? Dissemos «energia etérea» mas podíamos dizer prana, usando o termo oriental. Quanto mais o leitor aprender sobre o ocultismo e sobre a religião tanto mais ficará convencido da verdade da vida maior que nos espera para além do túmulo. Não há nada a recear no conhecimento metafísico, nem na religião, pois quanto mais aprender sobre ela mais convencido ficará de que se trata da verdadeira religião. As religiões que prometem o fogo do Inferno e a condenação se se sair da vereda estreita não prestam um bom serviço aos seus adeptos. Há muito tempo atrás, quando as pessoas eram menos civilizadas, talvez fosse admissível o uso de certos métodos persuasivos e intimidantes para as chamar à razão, mas hoje o caminho a seguir é outro.Qualquer pai concordará que é mais fácil controlar os filhos pela bondade do que através de ameaças contínuas. Os pais que sabem educar com firmeza e bondade, criam os filhos na alegria e fazem deles bons cidadãos. É preciso utilizar a bondade e a disciplina, mas esta não deve ser sinónimo de severidade ou de sadismo.Voltemos a regozijar-nos com a religião, sejamos os «filhos» dos «pais» que ensinam com amor, com paixão, com compreensão. Afastemos todas as falsidades, toda a degradação do terror, castigo e condenação eterna. Não existe «condenação eterna», ninguém é abandonado nem banido do mundo espiritual. Todas as pessoas podem ser salvas por piores que tenham sido. O Registo Akáshico – se será estudado depois – diz-nos que se uma pessoa for tão má que não se possa fazer nada por ela, entretanto é apenas atrasada na sua evolução e mais tarde recebe outra oportunidade de viver outra existência, tal como uma criança que brincou durante o ano todo e não passou nos exames finais não pode acompanhar os colegas e é obrigada a repetir o ano.Se perder esta oportunidade não desanime, pois terá outra. Deus não é sádico, não está a tentar destruir-nos, mas sim ajudar-nos. Se acreditamos em Deus, acreditemos na misericórdia, porque crendo na misericórdia tê-la-emos e devemos também demonstrar misericórdia pelo próximo.Vamos examinar outra caixa onde se acumulou muita poeira, porque no passado parece que ninguém se interessou por ela. De acordo com o Registo Akáshico, o povo judeu pertence a uma raça que em existência anterior não conseguiu progredir: faziam tudo o que não deviam e deixavam por fazer coisas que deviam ter sido realizadas. Dedicaram-se todos aos prazeres da carne, tornaram-se excessivamente amantes de comida, tão rica, que os seus corpos se tornaram pesados e os espíritos deixaram de entrar no astral de noite, ficando presos nos seus invólucros carnais grosseiros. Esses a quem hoje chamamos «judeus» não foram destruídos nem foram submetidos a condenação eterna. Foram colocados noutro ciclo existencial, tal como as crianças que brincando na sala de aula são expulsas da escola, mas podem recomeçar tudo numa nova escola. No ciclo actual da existência há gente que está neste ciclo pela primeira vez e quando entra em contacto com os judeus fica perplexa, confusa e receosa. Percebem que existe algo de diferente, que um judeu tem um conhecimento superior, que parece não pertencer à Terra, de modo que o indivíduo em primeiro ciclo existencial pensa e tem medo. E aquilo que uma pessoa receia torna-se objecto da sua perseguição. Por isso, os judeus, sendo uma raça antiga, se vêem perseguidos porque têm de abrir caminho por um novo ciclo de vida. Algumas pessoas invejam aos judeus o seu conhecimento, a sua resistência, e acontece que as pessoas tendem a destruir aquilo que invejam.Mas estamos a tratar da alegria na religião; alegria e prazer fazem-nos aprender tudo o que não aprenderíamos sob terror. Não há tormentos eternos, fogos diabólicos, etc. Examine o seu pensamento, medite no que lhe foi ensinado e veja como é muito mais razoável que tenha alegria e amor na sua crença religiosa. Estamos a lidar com grandes espíritos que passaram por tudo isso muito antes de os homens terem aparecido: eles passaram por tudo, conhecem as respostas, os problemas e têm compaixão. O nosso «tesouro» do sótão diz-nos para nos rejubilarmos na religião, sorrirmos para ela e acalentarmos um sentimento eterno quanto ao nosso Deus, seja qual for o nome que Lhe dermos, pois Ele está sempre pronto a enviar ondas benéficas se conseguirmos expulsar esse medo do nosso sistema.

               
.. LIÇÃO 16 ..

Voltamos ao nosso sótão e descobrimos novos objectos. Alguns deles talvez lhe esclareçam uma dúvida que palpitava no seu espírito: o medo. O medo é a única coisa que pode entravar a marcha de alguém. Vamos analisar este aspecto.Todos nos alimentamos de certos medos. Algumas pessoas podem ter consciência dos seus medos, ou seja, eles estão a nível consciente. Mas a nossa consciência representa apenas uma décima parte do que somos: nove décimos de nós são subconscientes. E o que acontece se o medo estiver a esse nível? Muitas vezes fazemos ou não coisas levados por um impulso. Ignoramos por que motivo fazemos isto e não aquilo. Agimos irracionalmente e, se fizermos psicanálise, provavelmente esse medo sairá do nosso subconsciente, onde estava talvez desde a infância. O medo estaria assim oculto à nossa percepção, agindo dentro de nós, perturbando-nos, instalado no nosso subconsciente. O medo não precisa de ser consciente para se mostrar activo e na verdade tem mais poder quando é subconsciente, porque ignoramos a sua existência, não podendo, por isso, dominá-lo.Durante toda a nossa vida temos estado sujeitos a certas influências condicionantes. Um indivíduo que foi educado dentro de uma determinada religião aprendeu que certas coisas «não se fazem» e que outras são totalmente interditas. No entanto, pessoas de religião diferente, educadas doutra maneira, podem ter princípios opostos.O leitor tem medo de fantasmas? Porquê? Temos medo de fantasmas porque eles constituem um fenómeno incompreensível para muitos de nós. Receamo-los porque a nossa religião nos ensinou que eles existem e só se veriam se fossem santos. Receamos o que não compreendemos e vale a pena pensar que se não houvesse barreiras idiomáticas seria menor o número de guerras. Porque os não compreendemos não sabemos o que os comanda ou o que pretendem fazer contra nós.O medo é uma coisa terrível, uma doença, um flagelo, um mal que corrói o nosso intelecto. Se alimentamos reservas em relação a qualquer coisa, então devemos começar a procurar explicação para esse facto. Certas religiões ensinam que a reencarnação não existe. Receava-se que, se as pessoas tivessem conhecimento da reencarnação, facilitassem as coisas nesta vida, dispostas a sofrer por isso na vida seguinte. Na antiga China era comum contrair uma dívida nesta vida para ser paga só na encarnação seguinte. Assim, a China entrou em decadência porque o povo acreditava a tal ponto na reencarnação que não se preocupava muito com esta vida. Se esforçava por progredir, pois seria compensado na vida seguinte, que se anunciava como uma espécie de paraíso. Nesta despreocupação a cultura chinesa entrou em decadência.Uma vez mais examine o seu intelecto, a sua imaginação. Faça uma autocrítica profunda e descubra o que o seu subconsciente procura camuflar, trazendo-o tão temeroso, preocupado, «assustado» em relação a certos assuntos. Quando descobrir isso descobrirá que o receio deixará de existir, e o medo que impede as pessoas de fazerem a viagem astral. A viagem astral é uma coisa notavelmente simples – tão simples como respirar – não requerendo qualquer esforço. Mas, contudo, as pessoas receiam-na. Pensamos talvez que durante o sono alguém poderá cortar o cordão de prata, o que nos perderia, mas isso não pode acontecer. Não há perigo nenhum na viagem astral: o único perigo reside no medo, no medo que cada um conhece mas cuja existência se desconhece. É necessário aprofundar esse problema do medo de modo a começar a compreender aquilo que se receia, porque o que conhecemos e compreendemos não é de temer.Vamos prosseguir. Olhe à sua volta no nosso sótão. Vê alguma coisa que o faça utilizar a expressão «do outro mundo»? Diz-se de uma coisa muito bela que ela é «do outro mundo». Quando passamos desta existência edificada em átomos de carbono ouvimos sons, vemos cores, passamos por experiências que são literalmente «do outro mundo». Aqui estamos confinados à caverna da nossa ignorância, limitados pelos nossos apetites, desejos e pensamentos errados. Mas não conseguiremos meia hora por dia para fazer um pouco de meditação? Se meditarmos poderemos sair deste mundo. Com alguma prática poderemos entrar no astral e no mundo que se segue a este. A experiência é animadora e eleva os espíritos. Quando isto acontece a nossa cadeia de vibrações aumenta e quanto mais alto ouvirmos a nossa «escala de piano» tanto mais bela será a experiência por que passamos.«O outro mundo» deveria ser naturalmente o nosso objectivo. Queremos sair deste mundo quando tivermos aprendido as lições, mas não antes. Devemos ter sempre presente que estamos aqui como quem cumpre uma sentença em circunstâncias particularmente melancólicas e não nos apercebemos como é horrível esta Terra. Mas se pudermos sair e olhá-la, teremos um choque e não desejaremos regressar. A menos que se esteja preparado, o regresso da viagem astral é realmente uma experiência desagradável, uma vez que toda a alegria se encontra do outro lado. Podemos ter a certeza de que nos esperam alegrias, bem-estar e perfeição espiritual quando deixarmos este mundo e entrarmos no outro, que é incomparavelmente melhor. Quem fez a viagem astral anseia pelos dias de libertação, mas também providencia para ter o melhor comportamento possível neste mundo e não perder o «dia da remissão».Posto isto, vamos viver o melhor que pudermos na Terra, de modo a que, quando passarmos desta vida estejamos preparados para as coisas maiores da vida no além. O que nos espera vale bem o pequeno esforço necessário de vivermos aqui. Muitas pessoas julgam que «os videntes» estão sempre a olhar para a aura dos outros ou a ler-lhes o pensamento. Puro engano! O indivíduo dotado de capacidade telepática ou de clarividência não está sempre a ler pensamentos ou a observar a aura de amigos ou inimigos. Algumas das coisas susceptíveis de se ver seriam por demais incómodas ou desagradáveis e também seria moralmente errado. Não receie videntes, ocultistas, clarividentes e outros, porque se forem pessoas de boa moral não irão ocupar-se da vida privada de cada um, mesmo quando instados. O que queremos dizer é que a vidente de ruela que lê a sua sorte por dinheiro não possui qualquer capacidade verdadeira de «ver». Trata-se de gente que não consegue ganhar dinheiro de outra maneira, mas essas coisas não se fazem a partir de uma base comercial. A simples transferência de dinheiro faz com que a capacidade telepática enfraqueça. Portanto, uma pessoa de bom carácter não lê os pensamentos de outrem sem mais nem menos e a de mau carácter não tem essa capacidade. Esta é uma lei do ocultismo e o indivíduo de mau carácter não é clarividente. Por muito que ouça contar acerca de A ou B, no que respeita a clarividência, dê um desconto de noventa e nove por cento.Um clarividente aguarda sempre que lhe digam sobre o que desejam que ele fale, ele não se intromete mesmo que seja convidado a fazê-lo. Um bom vidente não lerá os seus pensamentos. Existem certas leis do ocultismo que têm de ser rigorosamente cumpridas, pois se alguém as infringir poderá ser rigorosamente punido tal como acontece com as leis deste mundo.Passemos a examinar uma outra coisa. O leitor dá-se bem com o seu cônjuge? Esse pode ser o obstáculo que têm de ultrapassar na Terra. Talvez você tenha andado muito rapidamente e com demasiada facilidade nas suas últimas «lições», caso em que pode ser-lhe imposta a desvantagem de um cônjuge inadequado. Faça o melhor que puder, enquanto puder, lembrando-se de que se o seu cônjuge é realmente incompatível consigo, então nunca mais voltarão a estar juntos na vida para além da Terra. O cônjuge pode ser encarado como uma ferramenta que nos facilita a execução de determinada tarefa ou a aprendizagem de uma lição.Muito se disse e escreveu acerca da «glória da humanidade», mas nós afirmamos que os seres humanos não são a mais elevada forma de vida. Eles constituem um grupo bastante miserável, sádico, egoísta e interesseiro. Se assim não fossem não estariam na Terra, porque as pessoas vêm até aqui precisamente para aprenderem a ultrapassar esses defeitos: se o nosso cônjuge ou os nossos pais não são compatíveis connosco, pode ser que isso tenha acontecido porque nós assim o planeámos, como obstáculo a ultrapassar – tal como a vacina protege o indivíduo de uma dose mais forte e talvez fatal do agente da doença. Também os nossos pais ou os nossos cônjuges podem ter sido escolhidos para que aprendêssemos certas lições com eles. Depois da morte viveremos em harmonia e quem não estiver em harmonia connosco não poderá associar-se a nós.Vamos deixar o sótão, fechar a porta suavemente, deixando lá dentro os «tesouros escondidos».

               
.. LIÇÃO 17 ..

Esta lição é dedicada aos sonhos, pois é um tema que interessa a toda a gente. Já quase todos devem ter sonhado, de uma forma ou de outra, que se passeava nu pela rua. «Sonhamos» entrar numa sala cheia de gente e, de repente, descobrimos estar sem roupa ou termo-nos esquecido de vestir uma peça importante. Isto pode ter sido uma verdadeira experiência astral. Os que conseguem ver as pessoas a fazer viagens astrais têm encontros espantosos e divertidos. Mas este curso não é para divertir, é sim para ajudá-lo a encarar estes acontecimentos como coisas banais. Desde tempos imemoriais que os sonhos têm sido encarados como presságios, sinais ou prodígios, e há até quem se aventure a interpretá-los e a prever, através deles, o futuro das pessoas. Outros acham que os sonhos são apenas fruto da imaginação, quando a mente se encontra desligada do controlo exercido pelo corpo durante o sono, o que é inteiramente errado.Como dissemos nas lições anteriores, somos constituídos por dois corpos, pelo menos: o físico e o astral imediato, embora existam mais. Quando adormecemos o nosso corpo astral separa-se gradualmente do físico pairando acima deste. Com a separação dos dois corpos a mente separa-se de facto. No corpo físico fica todo o mecanismo, como uma estação emissora sem locutor. Flutuando agora por cima do físico, o corpo astral cogita por momentos a decidir onde quer ir e o que fazer. Assim que tenha tomado a decisão o corpo astral inclina-se com os pés para a frente e instala-se geralmente aos pés da cama. Então, como um pássaro que abandona o ramo onde estava pousado, o corpo dá um pequeno salto para cima e desaparece, afastando-se na outra extremidade do cordão de prata. Os nossos «sonhos» são tão verdadeiros como uma viagem de Londres a Nova Iorque, mas mesmo assim chamamos-lhes «sonhos».No Ocidente, a maioria das pessoas não percebe o que se passa na sua viagem astral, não tem recordação de qualquer incidente particular, mas ao regressar pode ter uma agradável sensação de amizade, ou de ter sonhado com Fulano durante a noite. E, de facto, a pessoa visitou essa a quem se refere, porque fez uma viagem das mais simples e frequentes, visitando quase sempre lugares conhecidos.Não há nada de extraordinário no facto de se visitarem os amigos, porque todos fazemos viagens astrais e precisamos de ir a algum lado. Até estarmos «educados» no assunto não percorremos os reinos astrais, mas prendemo-nos tenazmente aos lugares conhecidos na Terra. As pessoas que não adquiriram conhecimentos sobre a viagem astral podem visitar amigos no exterior, ou uma pessoa com grande desejo de ver determinada loja ou localidade conseguirá ir e verá, mas ao regressarem à carne, depois de acordar, se se lembrarem, pensarão que foi tudo um sonho.Desde o Concílio de Constantinopla, no ano 60, quando os dirigentes da Igreja católica resolveram o que seria incorporado na «cristandade», grande parte dos ensinamentos dos grandes mestres foi distorcido ou suprimido. Podíamos fazer alguns comentários sobre tudo isto com base em informações obtidas no registo Akáshico, mas contentemo-nos em dizer que no hemisfério ocidental, durante séculos, as pessoas não aprenderam absolutamente nada sobre a viagem astral porque esta não se encontra em parte alguma da religião organizada. Do mesmo modo a maioria das pessoas não acredita em fadas, nem nos espíritos da natureza e as crianças que com eles brincam são ridicularizadas ou repreendidas pelos adultos, pois nesta questão as crianças estão muito mais despertas que os adultos. As crianças aprendem a disfarçar o que realmente vêem, e perdem a capacidade de ver outras entidades devido a essa necessidade de ocultarem as suas capacidades reais. Acontece algo semelhante com os sonhos: quando o corpo físico está adormecido as pessoas passam por acontecimentos, pois o corpo astral nunca dorme. O corpo astral conhece a verdade e o físico está embotado por noções preconcebidas inculcadas desde a infância e mantidas na idade adulta. Daí, quando o corpo astral regressa ao corpo físico pode haver um conflito entre os dois e formam-se imagens distorcidas na nossa memória. Os adultos não encaram a verdade, mediante o condicionamento. O corpo astral saiu, fez coisas, sentiu, mas o físico não pode acreditar nisso porque todo o ensinamento do povo ocidental despreza tudo o que não possa segurar-se nas mãos. Os ocidentais querem provas, e durante o resto do tempo procuram demonstrar que a prova está errada. Assim, temos um conflito entre o físico e o astral, o que leva à necessidade de racionalização, numa espécie de experiência, com os resultados mais estranhos que se possa imaginar.No estado astral podemos levitar, flutuar e subir, viajar para qualquer parte e ver qualquer pessoa. No estado físico não é possível atravessar o mundo num piscar de olhos, e no conflito entre os dois corpos a fantasia instala-se, temos pesadelos ou sucedem as coisas mais invulgares que é possível imaginar. Nas nossas experiências na viagem astral surgem representações tão extraordinariamente distorcidas que acabam por anular qualquer benefício que o astral estivesse a tentar dar. Estão neste caso os chamados sonhos sem sentido. Mas as coisas consideradas como tolices, no plano físico, no astral são muito comuns.Quase toda a gente já passou, em sonho, por essa experiência embaraçosa de andar pelas ruas sem roupa. Mas isso não se trata de sonho nenhum. Isso provém do facto de que quando alguém faz a viagem astral se ter esquecido de vestir as roupas astrais. Se uma pessoa não «imagina» a indumentária necessária teremos essa pessoa a viajar no astral inteiramente nua. Muitas vezes a pessoa deixa o corpo físico e ergue-se apressadamente no espaço, feliz por se ter libertado do corpo, sem tempo para pensar noutras coisas.Na Antiguidade o homem e a mulher podiam ver o astral um do outro. Nessa época os pensamentos eram evidentes a todos, a motivação do ser humano encontrava-se inteiramente aberta, as cores da aura brilhavam, mais brilhantes e mais fortes, em redor das partes que hoje trazem cobertas. As mulheres mantêm certas áreas do corpo cobertas porque não querem que leiam os seus pensamentos e conheçam as suas motivações. Isto serve para lhe dar ensejo a pensar no vestuário.Quando se está em viagem astral «imagina-se» geralmente o tipo de roupa que se usaria durante o dia. Se essa «imaginação» for omitida, um clarividente que receba o visitante astral pode verificar que o mesmo não tem nada sobre o corpo. Também é vulgar que pessoas demasiado conscientes em relação à roupa, muitas vezes imaginam-se «sonham-se» vestindo roupa que não usariam de modo algum no corpo físico. Mas, chegados ao céu, não cremos que tenhamos de usar roupa como aqui na Terra.Os sonhos são, portanto, uma racionalização de acontecimentos vivos, verdadeiros, ocorridos no mundo astral, e quem estiver no astral vê com alcance muito maior e com mais clareza. Tudo é mais vivo, tudo é «maior» do que na vida física e então podemos ver todos os pormenores.Se o leitor teve um «sonho» em que conseguiu ver com clareza surpreendente, tendo ficado encantado com a notável variedade de tons, nesse caso saiba que não teve um sonho comum, mas que está a racionalizar uma verdadeira viagem astral que efectuou.Há outro motivo que impede muita gente de recordar os prazeres experimentados no astral. É o seguinte: quando se está no astral vibra-se em cadência muitíssimo mais alta do que quando se está no corpo físico. Quando deixamos o corpo é coisa simples, porque a diferença de vibração não tem importância quando se vai «sair». Os obstáculos surgem quando regressamos ao corpo físico e se os conhecermos poderemos examiná-los conscientemente e ajudar os dois corpos a chegar a um tipo de acordo. Imaginemos que estamos no astral: lá em baixo o nosso corpo físico vibra com uma certa velocidade, quase «tiquetaqueando», enquanto o astral estremece com vitalidade. Temos de aprender a entrar no corpo quando as velocidades dos dois veículos são diferentes. Quando regressamos das viagens astrais o nosso problema consiste em entrar no corpo. No astral estamos a vibrar em cadência muito mais alta que no físico, e como não podemos desacelerar um ou acelerar o outro senão numa margem muito limitada, temos de aguardar até conseguirmos «sincronizar essa harmonia» entre os dois. Com a prática poderemos acelerar ao de leve o corpo físico e desacelerar levemente o corpo astral, de modo que surja uma harmonia fundamental – uma compatibilidade de vibrações – entre os dois, o que nos permite «entrar» seguramente. Trata-se de uma questão de prática, instintiva, prática de memória racial e quando o conseguirmos fazer conseguimos também conservar todas as nossas recordações.Se formos desajeitados ou falhos de prática e regressarmos sem estar em «sincronia», despertamos sentindo-nos inteiramente «desencaixados», contrariamo-nos com tudo, temos dores de cabeça, sentimo-nos maldispostos. Isso deve-se ao facto de dois conjuntos de diferentes vibrações terem sido unidos com um embate. Voltando com a cadência errada de vibrações, talvez verifiquemos que o corpo astral não se ajusta com exactidão ao físico, ficando inclinado para um lado ou para outro. Se tivermos a infelicidade de passar por isso, a única cura consiste em voltar a dormir ou a descansar tão tranquilamente quanto possível, sem nos movermos, sem pensar se o conseguiremos, mantendo-nos imóveis e procurando fazer com que o corpo astral se liberte do físico mais uma vez. O corpo astral ascenderá pairando poucos palmos acima do físico, num alinhamento perfeito. Nunca mais nos sentiremos doentes nem deprimidos. Basta a prática e dez minutos do seu tempo, permitindo aos dois veículos que entrem em alinhamento completo.À vezes despertamos pela manhã com recordações de um sonho muitíssimo peculiar: acontecimentos históricos ou «algo do outro mundo». Por qualquer motivo relacionado com o treino pode ser que tenhamos entrado em contacto com o Registo Akáshico (trataremos o tema na Lição 19) tendo visto o que nos aconteceu no passado ou, o que é mais raro, o que provavelmente acontecerá no futuro. Grandes videntes que fazem profecias podem ir frequentemente ao futuro e ver as probabilidades, não as realidades (pois estas ainda não aconteceram), porque estas podem ser conhecidas e previstas. Verá que quanto mais se cultivam as recordações do que se passa no astral tanto maior a quantidade de benefícios que podemos obter.Acontece muitas vezes acordar-se com mau génio, odiando tudo e todos. São necessárias muitas horas para se sair desse estado de alma sombrio. Há uma série de explicações para esta situação: uma delas é que no estado astral podemos fazer coisas agradáveis, ir a lugares bonitos e ver gente feliz. Normalmente entra-se no astral como forma de divertimento para o corpo astral, enquanto o físico dorme e se recompõe. No corpo astral tem-se uma sensação de liberdade, uma ausência total de restrições e impedimentos, uma sensação realmente maravilhosa. E é quando surge o chamamento de regresso à carne para começar outro dia, que geralmente é pouco agradável. Regressar, ser retirado dos prazeres do astral representa uma verdadeira infelicidade e daí o mau génio ao despertar. Outra explicação é que quando estamos na Terra somos como crianças numa sala de aula, aprendendo ou tentando aprender as lições que nós próprios planeámos aprender antes de virmos à Terra. Quando vamos dormir o corpo astral tem a oportunidade de «deixar a escola» e voltar para casa ao fim do dia, tal como as crianças no fim das aulas regressam a casa. Muitas vezes, porém, uma pessoa satisfeita consigo própria na Terra, achando-se muito importante, vai dormir e desperta de manhã com o pior estado de alma que é possível. Isto geralmente acontece porque a pessoa viu no astral que está a fazer da sua vida na Terra um disparate revoltante e que a sua prosápia a não levará a parte alguma. O facto de se ter muito dinheiro e propriedades não significa obrigatoriamente que se esteja a fazer um bom trabalho. Nós vimos à Terra para aprender coisas específicas. É extraordinário o número de pessoas que pensam que se estão a sair muito bem porque juntam muito dinheiro enganando outras, explorando-as. Essa gente que tem «consciência de classe», ou o nouveau riche, não está a provar nada do que pensa, a não ser um retumbante fracasso da sua vida na Terra. Há um momento em que todos temos de enfrentar a realidade. Mas a realidade não está aqui. Este é o reino da ilusão onde todos os valores estão errados e onde, para fins de ensino, se acredita que o dinheiro, o poder temporal e a posição são o que há de mais importante. Nada pode estar mais longe da verdade do que isso, pois os monges mendigos da Índia e de outras zonas da Terra possuem mais valor espiritual para a vida futura do que o financeiro cheio de poder que empresta dinheiro com juros exorbitantes a pessoas pobres que atravessam dificuldades e sofrem verdadeiramente.Há outra classe de pessoas que deve merecer a nossa atenção: os que dormem pouco. Essas pessoas já têm tanta coisa na sua consciência astral que o corpo astral não deseja deixar o corpo físico e ir enfrentar as coisas. Muitas vezes um alcoólico terá medo de adormecer devido a entidades estranhíssimas que se reúnem em volta do seu corpo astral. Em tais casos o corpo físico permanecerá acordado e esta circunstância será origem de muito sofrimento, tanto no plano físico como astral. Provavelmente já conheceu alguém que passa o tempo todo irritado e agitado sem conseguir parar por um instante. Geralmente essas pessoas têm a mente – a consciência – tão sobrecarregada que não se atrevem a descansar, pois aí começariam a pensar e a compreender o tipo de coisas que fazem e que não fazem. Assim nasce o hábito de não dormir, de não descansar. Não dão a oportunidade ao eu maior de entrar realmente em contacto com o físico. Se não se dormir não se pode aproveitar a vida na Terra, pelo que terão de regressar para se saírem melhor da próxima vez.O leitor gostaria de saber se um sonho é invenção da imaginação ou uma recordação distorcida resultante de uma viagem astral? O meio mais prático consiste em perguntar a si próprio se nesse sonho vê as coisas com mais clareza. Se isso acontece estamos em presença de uma recordação da viagem astral. As cores eram mais vivas do que alguma vez pôde ver na Terra? Também neste caso foi uma viagem astral. Se fitar uma fotografia de alguém a quem muito ama poderá ter a certeza de que viajará para junto dela quando fechar os olhos e se descontrair. Examinemos o reverso da situação. Imagine o leitor que acordou cheio de agressividade pensando numa pessoa com quem está desavindo. Pode ter ido visitá-la no astral e ela, também nesse nível, ter debatido consigo uma solução para os problemas. Mas, abandonando o facto de terem ou não chegado a um acordo amigável, se ao voltar ao plano físico você passou por um solavanco forte ou não se sincronizou com o corpo físico, nesse caso todas as boas intenções, todos os bons acordos ficariam arruinados e distorcidos e, ao despertar, a sua recordação seria de desarmonia, desagrado e frustração.À noite, quando for dormir, decida que quando despertar de manhã terá uma recordação nítida de tudo o que aconteceu durante a noite. Isto consegue-se facilmente. Algumas pessoas no Oriente entram em transe, que é apenas uma outra maneira de sair do plano físico, outras adormecem e ao despertar têm resposta para problemas que não sabiam como resolver. Também você pode conseguir isso desde que pratique e sinta desejo sincero de fazê-lo apenas no sentido do bem. Cultive os seus sonhos e examine-os. Os chamados sonhos são janelas que dão para uma existência muito melhor do que esta.

               
.. LIÇÃO 18 ..

Talvez devamos fazer uma pausa para avaliar a nossa posição e olhar em volta, pensar no que lemos e também no que aprendemos. É essencial parar de vez em quando. «Recreação» é afinal «recriação». Focamos este ponto porque todo ele gira em volta do cansaço: quem se cansa não consegue os melhores resultados no trabalho. Sabe o que acontece quando se cansa?

Durante este curso frisamos que toda a vida é de natureza eléctrica. Sempre que pensamos geramos uma corrente eléctrica. Sempre que movemos um dedo enviamos uma corrente eléctrica que «galvaniza» o músculo, pondo-o em acção. Mas ao sobrecarregarmos um músculo fazendo repetidamente um certo movimento, como por exemplo o de erguer um peso grande com um braço, ao fim de algum tempo os músculos desse braço ficam a doer. Nesse caso os nervos que transportam a corrente eléctrica do cérebro ficam com sobrecarga e nós ficamos com os músculos entorpecidos e doridos. De idêntico modo se tivermos um fusível comum e o sobrecarregarmos ele talvez não se queimará de imediato mas dará sinais de sobrecarga ao tornar-se descorado. Assim acontece com os nervos que servem os músculos: ficam sobrecarregados com a passagem constante de corrente e estes cansam-se de contrair-se e distender-se sem cessar.

Por que nos cansamos? É fácil responder. Quando movemos um dos nossos membros os seus músculos são estimulados pelo cérebro. A corrente eléctrica provoca secreções que passam a fluir na estrutura muscular e que levam os feixes de músculos a afastarem-se, diminuindo o comprimento total, pelo que o membro se dobra. Como resultado secundário do movimento as substâncias químicas em jogo ao fazerem com que as estrias de músculos se separem, cristalizam e implantam-se no tecido. Assim, se enviarmos essas secreções, essas substâncias químicas, para a musculatura, mais depressa do que o tecido as possa absorver, teremos cristais como resultado e estes terão pontas muito agudas que causam dor considerável se insistirmos no movimento. Depois é necessário esperar alguns dias até que os cristais tenham sido novamente absorvidos e as fibras dos músculos se encontrem outra vez livres para deslizarem suavemente e sem esforço uma sobre a outra. Quando se tem reumatismo há cristais em diversas partes susceptíveis do corpo que prendem o tecido. Se houvesse um processo para dissolver os cristais poderíamos curar o reumatismo, mas isso ainda não é possível.Quer isto dizer que se o leitor se esforçar demasiado não chegará a parte alguma, porque seu cérebro ficará cansado de mais. Muitas pessoas não conseguem optar pelo caminho do meio porque foram educadas na crença de que apenas o trabalho mais árduo merece recompensa. As pessoas esforçam-se e escravizam-se e não chegam a parte alguma precisamente pelo excesso de esforço. Quando nos cansamos a corrente eléctrica produzida no cérebro enfraquece e a electricidade negativa sobrepõe-se aos impulsos positivos tornando-nos irritadiços. A irritação e o mau génio opõe-se ao bom génio, é o aspecto negativo deste, e se nos deixarmos ficar cheios de mau génio devido ao cansaço ou a qualquer outra causa, isso quer dizer que estamos realmente a corroer as células que produzem correntes dentro de nós. Mantenha o seu bom génio, pois a sua saúde melhorará com isso, e não se entregue a dietas drásticas de emagrecimento só porque estão na moda, mas que desequilibram o sistema nervoso. Um indivíduo bem alimentado tem invariavelmente melhor temperamento do que um carenciado.Vejamos a questão do «caminho do meio». É claro que devemos fazer o melhor possível em todas as circunstâncias mas também se nos esforçamos para além da nossa capacidade é apenas esforço perdido, que nos cansa desnecessariamente. Encaremos este facto como se examinássemos uma central geradora de energia: ela produz energia que fornece luz a um certo número de lâmpadas. Se o gerador produzir uma quantidade de energia que supra facilmente as necessidades das lâmpadas, estará a trabalhar bem, dentro da sua capacidade. Se, porém, por algum motivo o gerador for acelerado e a produção for muito maior do que a que possa se produzida pelas lâmpadas, todo o excesso de energia terá de ser desviado para algum lado, desperdiçada, e também se desperdiça a vida do gerador que estará a girar a uma velocidade excessiva, desnecessariamente.O caminho do meio significa, portanto, seguir o rumo sensato, trabalhar com um afinco apenas necessário para realizar determinada tarefa e não desperdiçar a sua vida e energia com excesso de trabalho. É demasiado o número de pessoas que julgam que é necessário trabalhar cada vez mais e que quanto mais se esforçarem mais mérito têm por isso. Nada poderia estar mais longe da verdade, e devemos trabalhar com o afinco apenas suficiente para executar a tarefa que temos pela frente.Mas voltemos ao recreio. Recreação é aqui sinónimo de recriação. Se nos cansamos isso quer dizer que certas partes do corpo se cansaram, como por exemplo se erguermos demasiadas vezes o braço direito carregando tijolos, mas as nossas pernas ainda se acham em condições de funcionamento e bem assim os nossos ouvidos e olhos. Sendo assim vamos «recrear-nos» saindo para dar um passeio, ouvindo boa música ou lendo um livro. Ao fazê-lo estaremos a usar nervos e músculos e a retirar qualquer carga excedente de electricidade dos músculos que foram sobrecarregados e necessitam de descanso.Trabalhou de mais procurando ver a sua aura? Procurando ver o etéreo? Talvez tenha andado a fazer demasiados esforços. Se não teve o êxito que deseja, não fique desanimado pois é preciso tempo, paciência e muita fé, mas tudo é realizável. A verdade é que está a procurar fazer algo que nunca fez e os resultados não se obtêm da noite para o dia. Muitas das filosofias da Índia contam que em nenhuma circunstância alguém deve procurar aplicar a clarividência com menos de dez anos de preparação. Nós não somos da mesma opinião, pois acreditamos que quando uma pessoa está pronta para ver pela clarividência ela verá, mas achamos que não se podem conseguir resultados instantâneos. Será preciso trabalhar, praticar, ter fé. Lembre-se que Roma não foi construída num dia e um médico ou um advogado não se formam de repente. É preciso estudar, sempre. Não há soluções fáceis e isentas de dor.

               
 .. LIÇÃO 19 ..

Vamos agora dedicar-nos ao Registo Akáshico que já mencionámos. É dos assuntos mais fascinantes, pois aquele registo diz respeito a todas as pessoas e criaturas que já tenham vivido. Através do Registo Akáshico podemos viajar pela história, ver tudo quanto aconteceu não apenas neste mundo mas também nos outros mundos, habitados por outra gente, não obrigatoriamente seres humanos, contudo seres conscientes.Antes, porém saibamos algo quanto à natureza da energia ou da matéria. Pelo que nos dizem, a matéria é indestrutível, existe eternamente. As ondas eléctricas são indestrutíveis. Vamos examinar o comportamento das ondas luminosas. A luz vem de planetas muito distantes, em universos longínquos. Alguns dos astros que nos enviam luz emitiram-na antes da existência deste nosso universo. A luz propaga-se a uma velocidade enorme, a sua velocidade é tal que nos é difícil imaginá-la, mas isso é porque estamos prisioneiros em corpos humanos cheios de limitações. O que consideramos «rápido» aqui tem um significado diferente num outro plano de existência. Como exemplo digamos que um ciclo de existência para o ser humano é de setenta e dois mil anos. Durante esse ciclo uma pessoa vem repetidamente a mundos diferentes, a corpos diversos. Os setenta e dois mil anos são a duração do nosso «ano escolar».Quando nos referimos à luz, ao contrário das ondas de rádio, ou das ondas eléctricas, fazemo-lo porque a luz pode ser observada sem qualquer equipamento, enquanto o mesmo não acontece com a onda de rádio.A luz também é utilizada como medida de tempo ou de distância. Os astrónomos falam em «anos–luz» e nós repetimos que a luz vinda de uma estrela muito distante pode estar ainda a caminho mesmo após essa estrela ter deixado de existir, pelo que se torna claro que podemos estar a receber uma imagem de algo que já não existe há muito. Nós, para os fins que pretendemos atingir neste estudo, queremos viajar instantaneamente. Partamos do princípio que queremos ir instantaneamente a um planeta que recebe luz da Terra, enviada, supondo sempre há três mil anos. Imaginando-nos possuidores de um telescópio muito especial, na verdade inexistente, com o qual pudéssemos observar a superfície da Terra ou interpretar raios de luz que nos alcançam, essa luz, enviada três mil anos antes, revelar-nos-ia cenas do momento: a vida do antigo Egipto, a Europa habitada pelos bárbaros e a China com uma civilização bastante adiantada, e muito diferente dos dias de hoje. Se pudéssemos viajar instantaneamente para mais perto, veríamos quadros totalmente diferentes. Passemos, então, a um planeta distante da Terra que a luz leve mil anos a viajar entre ele e a Terra. Neste caso veríamos cenas nesta última como as mesmas foram representadas há mil anos: um a alta civilização na Índia, a disseminação da cristandade pelo mundo ocidental e talvez algumas das invasões na América do Sul. O mundo também pereceria um pouco diferente do que é hoje, porque os continentes vão-se modificando, aumentando ou diminuindo. Durante o período de uma vida não se nota tanta diferença, mas o panorama de mil anos proporcionar-nos-ia a possibilidade de ver e calcular a diferença.Na actualidade encontramo-nos num mundo que apresenta as maiores limitações: conseguimos perceber e receber impressões apenas numa faixa muito limitada de frequências. Se pudéssemos ver algumas das nossas capacidades «fora do corpo», na sua plena medida, tal como podemos fazer no mundo astral, veríamos as coisas a uma luz muito diferente, perceberíamos que toda a matéria é realmente indestrutível, tudo quanto já aconteceu no mundo se está ainda a propagar para o exterior sob a forma de ondas. Através de capacidades específicas poderíamos interceptar essas ondas tal como interceptamos as ondas luminosas. Para exemplificar, arranjemos um projector de slides coloquemos nele um diapositivo e liguemo-lo; se recorremos a uma tela diante da lente do projector, focando, veremos uma imagem, mas se orientarmos o projector para uma janela aberta na escuridão apenas veremos um débil feixe de luz, sem qualquer imagem. Daí que a luz tem de ser interceptada, tem de reflectir-se em alguma coisa antes que possa ser inteiramente percebida e apreciada.Desde há muito que um dos sonhos da humanidade é «viajar no tempo». Trata-se de um conceito fantástico para quem ainda estiver no corpo físico e nesta mundo, pois nesta nossa condição somos muito limitados: os nossos corpos não passam de instrumentos dos mais imperfeitos e, como estamos aqui para aprender, impera em nós a dúvida, a indecisão. Antes de nos podemos convencer queremos «provas». Quando chegamos ao além, ao astral ou até mesmo para além do astral, a viagem no tempo é coisa tão simples como na Terra uma ida ao cinema ou ao teatro.O Registo Akáshico é, portanto, uma forma de vibração, não necessariamente de vibrações luminosas porque também engloba o som, para o qual ainda não encontramos termo. Podemos, quando muito, compará-la a uma onda de rádio. À nossa volta temos, em todos os momentos, ondas de rádio emitidas de todas as partes do mundo, cada uma delas trazendo um programa diferente, línguas diferentes, música e tempos diferentes. Todas estas ondas vêm ter connosco constantemente, mas nós não as percebemos e só quando dispomos de um receptor é que podemos recebê-las desacelerando-as de modo a que se tornem audíveis e compreensíveis. De modo semelhante, se na Terra pudéssemos desacelerar as ondas do Registo Akáshico, conseguiríamos projectar cenas históricas autênticas na tela da televisão, caso que chocaria os historiadores ao verem que a história dos compêndios está errada. O Registo Akáshico é composto por vibrações indestrutíveis, armazenando a soma total do conhecimento humano que irradia do mundo, de modo semelhante à emissão de um programa radiofónico. Tudo quanto aconteceu neste planeta existe ainda sob a forma de vibrações. Quando saímos do corpo não utilizamos um dispositivo especial para compreender essas ondas. Ao sairmos do corpo os nossos próprios «receptores de ondas» são acelerados de modo que, com alguma prática, podemos receber o registo a que nos referimos.Vamos voltar ao problema da ultrapassagem da velocidade da luz, mas será mais fácil compreender se tomarmos como exemplo o som, porque este é mais lento e não precisamos de distâncias tão grandes para obter resultados. Durante a Segunda Guerra Mundial foram disparados da Europa alguns foguetes destinados à destruição da Inglaterra. Os foguetes caíam sobre as casas destroçando-as e matando pessoas. O primeiro aviso que os londrinos recebiam de que tais mísseis estavam perto era o ruído da explosão, a queda de pedras, os gritos dos feridos. Mais tarde, quando a poeira se dissipava, é que chegava o som produzido pelo foguete. Essa experiência, bastante extraordinária, era devida ao facto de o foguete viajar mais depressa do que o som por ele causado. Pelo que era impossível prevê-lo pelo som.Nunca ninguém foi morto por um projéctil que tivesse ouvido, pois este chega primeiro do que o som. Por isso, o facto de as pessoas se baixarem ao som de uma bala, se podem ouvir o som, é porque o projéctil já passou. O som é lento comparado com a visão ou a luz.O registo Akáshico contém o conhecimento de tudo o que aconteceu neste mundo. Os outros mundos têm o seu próprio Registo Akáshico, tal como os países têm os seus próprios programas de rádio. Aqueles que sabem, podem sintonizar o Registo Akáshico de qualquer mundo e não apenas o do seu, podendo assim observar os acontecimentos históricos e ver até que ponto a história dos compêndios tem sido falseada. Mas existe no Registo Akáshico mais do que simples satisfação de curiosidade ociosa – podemos examiná-lo e ver o que havia de errado nos nossos próprios planos. Quando morremos para a Terra chegamos a outro plano de existência onde cada um de nós tem de prestar contas do que fez ou do que não fez. Vemos toda a nossa vida passada com a rapidez do pensamento; vemo-la no Registo Akáshico, não apenas desde o momento em que nascemos, mas desde o momento em que planeámos como e quando nasceríamos. E, então, dispondo desse conhecimento, tendo em vista os nossos erros, planeamos outra vez e voltamos a tentar, exactamente como uma criança na escola descobre erros nas respostas que deu e se submete a novas provas.É necessária uma longa preparação antes que se consiga ver o Registo Akáshico, mas com treino, prática e fé podemos consegui-lo e, na realidade, isto verifica-se constantemente. É altura de fazer uma pausa e de examinar a palavra «fé» no seu conteúdo. A fé é uma coisa definida que pode e deve ser cultivada, tal como um hábito ou uma planta de estufa. A fé não é tão resistente como uma erva daninha, pois parece-se mais com uma planta de estufa: precisa de ser tratada, alimentada, protegida. Para obter a fé devemos repetir mais e mais as nossas afirmações de fé, para que o conhecimento da mesma seja levado ao nosso subconsciente. Esse subconsciente representa nove décimos de nós, ou seja, uma parte maioritária. Comparámo-lo com frequência a um velho preguiçoso que não quer ser incomodado. Prossigamos, invocando a nossa fé, e então o «velho» virá à vida com um solavanco e quando o conhecimento estiver implantado no subconsciente a fé virá automaticamente. Deixemos bem claro que a fé não tem nada a ver com a crença. A fé é algo que, em geral, cresce connosco. Tornamo-nos cristãos, budistas ou judeus porque geralmente os nossos pais pertencem a uma dessas religiões. Temos fé nos nossos pais – acreditamos ser certo aquilo em que eles acreditavam – e assim a nossa «fé» passa a ser igual à deles. Certas coisas que não podem ser provadas enquanto estamos na Terra requerem fé, outras coisas que podem ser provadas podem também ser acreditadas ou desacreditadas. Existe uma distinção e nós temos de aperceber-nos disso.Antes de mais, em que é que o leitor quer acreditar? Qual o assunto que requer a sua fé? Pense e resolva. Precisa de ter fé numa religião, numa capacidade? Examine o assunto por todos os lados possíveis e então com a certeza de que pensa nisso de modo positivo, afirme – enuncie – a si próprio que pode fazer isto ou aquilo ou que o fará ou que acredita firmemente nisto ou naquilo. O leitor deve continuar a afirmá-lo, senão nunca mais terá «fé». As grandes religiões possuem seguidores fiéis. Estes são os que estiveram na capela, igreja, sinagoga ou templo e mediante orações repetidas, não apenas em seu próprio favor mas também pelos outros, o seu subconsciente tomou conhecimento de que existem algumas coisas que devem ser objectos de fé. No Extremo Oriente existem os mantras. Uma pessoa diz determinada coisa – um mantra – e repete-a uma porção de vezes. Possivelmente essa pessoa nem sabe do que trata o mantra. Mas isso não importa porque os fundadores da religião que compuseram o mantra asseguraram-se de que o compuseram de tal modo que as vibrações engendradas ao repetir o mantra gravam no subconsciente o que se deseja. Logo, embora a pessoa não compreenda inteiramente o mantra, ele torna-se parte do seu subconsciente e a fé nesse caso apresenta-se puramente automática. Também se repetirem as orações muitas vezes acabaremos por acreditar nelas. É todo questão de fazer com que o seu subconsciente compreenda e colabore e, uma vez com fé, não é necessário importar-se porque o seu subconsciente o fará lembrar-se de que tem essa fé e de que pode fazer umas certas coisas.Repita para si próprio muitas vezes que vai ver uma aura, que vai ser telepata, que vai fazer isto ou aquilo, seja lá o que for que deseje de modo especial. Então, com o tempo, acabará por fazê-lo. Todos os homens bem sucedidos e vitoriosos, ou milionários ou os inventores são pessoas que têm fé em si próprios, naquilo que empreendem, porque acreditando antes de mais em si, acreditando nos seus próprios poderes e capacidades, eles geram então a fé que faz com que essa crença se realize. Se continuar a dizer a si próprio que vai vencer, vencerá, mas vencerá apenas se continuar com a sua afirmação de êxito e não permitir que a dúvida (que nega a fé) se intrometa. Experimente essa afirmação de êxito e os resultados deixá-lo-ão atónito.Há pessoas que sabem dizer o que as outras foram ou fizeram na vida passada. Tudo isto vem no Registo Akáshico, pois muita gente no seu «sono» viaja para o astral e vê aquele Registo. Quando regressa, de manhã, essa mesma gente pode trazer consigo uma recordação distorcida, de modo que, embora algumas coisas que possa dizer sejam verdadeiras, outras são distorções. Verificará que a maioria das coisas que lhe contam se relacionam com o sofrimento. As pessoas parecem ter sido torturadores, todo o tipo de coisas na sua maior parte más. Isso é porque vimos a esta Terra como se vai para a escola. É preciso ter sempre presente que as pessoas têm necessidade das vicissitudes para expiarem as suas faltas. Os seres humanos têm de atravessar momentos difíceis, que os leva quase ao ponto de ruptura, de modo que a espiritualidade possa ser posta à prova e as suas faltas erradicadas As pessoas vêm a este mundo para aprender coisas e aprendem muito mais depressa e melhor pela provação do que pela bondade.Este é um mundo de vicissitudes, uma escola de preparação, quase um reformatório. Embora haja raras benignidades que brilham como o feixe de luz de um farol em noite escura, grande parte do mundo é luta e esforço. Trata-se realmente um mundo de impureza e isso é um obstáculo à vinda de entidades maiores. Estas vêm para inspeccionar o que se passa. É um facto que uma entidade maior vinda a este mundo tem de receber alguma impureza, que servirá quase como âncora, mantendo-a em contacto com a Terra. A entidade maior que vem até nós não pode fazê-lo na sua própria forma pura e imaculada, porque não suportaria as tristezas e provocações da Terra. Assim, tenha cuidado quando pensar que esta ou aquela pessoa não pode sertão superior como dizem, por gostar demasiado disto ou daquilo. Desde que ela não beba, poderá ter um espírito muito elevado. A bebida cancela todas as capacidades elevadas.Muitos dos maiores clarividentes e telepatas têm uma deficiência física, pois o sofrimento pode muitas vezes aumentar a cadeia de vibrações e conferir o poder de telepatia ou de clarividência. Não pode avaliar-se da espiritualidade de ninguém só por um simples olhar. Não julgue que uma pessoa é má por ser doente; a doença pode ter sido adoptada deliberadamente para que essa criatura aumente a cadeia de vibrações para uma tarefa especial. Não julgue ninguém com dureza por praguejar ou por não agir, como você acha que uma grande pessoa deveria agir. Pode tratar-se de uma grande pessoa que recorre a palavrões ou a um «vício» a fim de dispor de uma âncora que lhe permita continuar sobre a Terra. Existe muita impureza na Terra e tudo quanto é impuro degenera; apenas o puro e o incorruptível continuam e sobrevivem. Esse é um dos motivos que nos trás à Terra, porque num mundo espiritual, para além do astral, não pode existir corrupção, não pode existir o mal. De modo que as pessoas vêm à Terra para aprender pelo processo difícil. Repetidas vezes uma entidade que vem à Terra adoptará um vício ou deficiência, sabendo que veio para uma tarefa especial, caso em que tal deficiência não será mantida como carma (o tema é tratado na lição 24), mas, pelo contrário, será encarado como um instrumento, uma âncora, que acaba com a corrupção, juntamente com o corpo físico.Há mais um ponto a ser esclarecido: os grandes reformadores nesta vida são às vezes aqueles que na sua vida anterior foram grandes transgressores no mesmo campo que depois pretendem reformar. Hitler, sem a menor dúvida, voltará como grande reformador. Muitas das pessoas pertencentes à Inquisição espanhola já voltaram como grandes reformadores. Aqui temos um pensamento digno de meditação. Lembre-se: o caminho do meio é o melhor. Não seja demasiadamente mau para não ter de sofrer por isso mais tarde, e se não for tão puro e santo que todos se situem abaixo de si, nesse caso não poderá ficar nesta Terra. Felizmente, porém, ninguém é assim tão puro.

               
.. LIÇÃO 20 ..

Nesta lição vamos abordar a telepatia, a clarividência e a psicometria, mas antes disso examinemos outro assunto. Deve ficar bem claro que as pessoas que desejem tornar-se clarividentes, telepatas e possuir capacidades psicométricas, terão de andar muito devagar. O progresso neste campo não pode ser forçado para além de um certo limite. Se levarmos em conta a natureza, descobrimos que as orquídeas exóticas são plantas de estufa e se se forçar o seu desenvolvimento darão flores raquíticas. O mesmo se aplica a todas as coisas cujo crescimento tenha de ser estimulado artificialmente ou que tenham o seu crescimento forçado. Queremos que o leitor tenha uma dose muito sadia de telepatia, que consiga ver no passado e que esteja em posição tal que possa apanhar uma pedra, por exemplo, na praia, e dizer o que lhe aconteceu ao longo dos anos. Um bom psicometrista pode, ao apanhar uma pedra na praia, que não tenha sido tocada pelo homem, ver mentalmente com total clareza o momento em que aquele fragmento se achava na montanha de que fazia parte. Isto não é exagero e até é fácil quando se sabe como fazê-lo. Vamos então lançar um bom alicerce.Ao falar dos nossos «alicerces» comecemos por dizer que a serenidade e a tranquilidade interiores são duas pedras fundamentais, pois quem não possuir tranquilidade interior não poderá fazer grandes progressos, quer na telepatia quer na clarividência. A tranquilidade interior é uma necessidade das mais definidas para quem tenciona ir além das etapas primárias mais elementares.Os seres humanos são uma massa de emoções em conflito. Estamos sempre efervescentes e os nossos cérebros emitem fagulhas de raiva e frustração. Damos connosco frequentemente irritados, sob tensão, deprimidos. Nessas alturas ficamos capazes de explodir. Mas no campo da pesquisa esotérica será muito inconveniente ter-se ondas cerebrais descontroladas, pois estas irão impedir a recepção dos sinais que chegam, e estes estão sempre a chegar vindos de toda a parte e de todas as pessoas. E se abrirmos a nossa mente, recolheremos e compreenderemos tais sinais. A menos que consigamos libertar-nos dessa electricidade na nossa própria mente, teremos dificuldades com a telepatia, pois o ruído que um cérebro humano emite é muito pior do que o produzido até mesmo pelo automóvel mais desafinado. O leitor pode achar que isso é exagero, mas à medida que os seus poderes aumentam nesse sentido perceberá que até fomos moderados nesta afirmação.Precisamos de conhecer os obstáculos que teremos pela frente, porque enquanto não os conhecermos não os poderemos ultrapassar. O cérebro e o corpo, de uma maneira geral, geram electricidade. O cérebro e os músculos emitem electrões pulsantes que constituem, na verdade, o programa de rádio do corpo humano. Grande parte do comportamento do corpo humano e grande parte dos fenómenos de clarividência, telepatia, psicometria e tudo o mais, pode ser facilmente compreendida utilizando referências ao rádio e à electrónica. Estamos a tentar simplificar o assunto para o leitor, pelo que deve dar atenção a este conhecimento de electrónica e rádio, pois quanto mais os estudar tanto mais facilmente progredirá no seu desenvolvimento.Os instrumentos delicados precisam de ser protegidos contra choques. Nós temos os receptores mais caros que existem: os nossos cérebros. E se vamos utilizar o «receptor» com o melhor efeito, temos de protegê-lo contra o choque. Se nos deixarmos arrastar pela agitação ou pela frustração, vamos criar um tipo de onda dentro de nós que inibirá a recepção de ondas externas. Na telepatia temos de manter-nos tão calmos quanto possível, pois de outra forma estaremos a perder o nosso tempo ao fazer qualquer tentativa para receber os pensamentos dos outros.Sempre que pensamos geramos electricidade. Se pensarmos com calma e sem qualquer emoção forte, a nossa electricidade cerebral vibrará numa frequência bastante suave, sem picos altos nem vales profundos. Um pico alto significa que alguma coisa está a interferir com o teor suave dos nossos pensamentos. Precisamos de estar certos de que não serão geradas voltagens excessivas, nem nada que possa causar «alarme e desânimo» deve ser permitido nos nossos processos de pensamento. Em todos os momentos devemos cultivar a tranquilidade interior, e gestos calmos. Sabendo que tudo quanto aprendemos na Terra é que faz de nós aquilo que vamos ser na vida seguinte, concentremo-nos no conhecimento, nas coisas que poderemos levar para a vida futura.Actualmente, o mundo está louco por dinheiro, pelo sentimento de posse. Mas as únicas coisas que interessam são as que aprendemos: levamos connosco todo o conhecimento adquirido durante a nossa estada na Terra e deixamos cá, se o tivermos, o dinheiro e o resto para que outros o esbanjem. Por isso temos de dar a maior atenção às coisas que são realmente nossas: o conhecimento.Uma das maneiras mais fáceis de adquirir tranquilidade consiste em respirar segundo um padrão regular. A maioria das pessoas respira mal matando, praticamente, o cérebro por deficiência em oxigénio. Devemos aprender a respirar devagar e profundamente, de modo a assegurar-nos que todo o ar estagnado saiu dos nossos pulmões. Se respirarmos apenas com a parte superior dos pulmões o ar que fica no fundo torna-se cada vez mais estagnado. Quanto melhor for a nossa reserva de ar tanto melhor será a nossa força cerebral, pois não podemos viver sem oxigénio e o cérebro é o primeiro a sentir a falta desse gás, originando cansaço, sonolência, lentidão de movimentos, dificuldade em pensar. Uma forte dor de cabeça também prova que necessitamos de muito oxigénio.Um padrão de respiração regular abranda as emoções perturbadoras. Se o leitor se sentir com mau génio, fora de si, apetecendo-lhe ser violento com alguém, inspire fundo, o mais fundo que puder e retenha o ar nos pulmões durante alguns segundos. Depois deixe-o sair lentamente. Repita isto algumas vezes e descobrirá que consegue acalmar-se mais depressa do que julgou ser possível. Não inspire o ar muito depressa, nem o expulse com rapidez. Inspire lentamente, com firmeza e pense que está a inspirar vida e a própria vitalidade. Considere este exemplo e experimente: comprima o peito e procure expirar todo o ar que puder até ficar com falta de ar. Durante dez segundos encha os pulmões completamente, expanda o peito e deixe entrar todo o ar que puder. Depois recomece o processo meia dúzia de vezes. A seguir descobrirá que as suas frustrações e mau génio terão desaparecido, e se sentirá melhor por dentro. Descobrirá então que começa a sentir serenidade interior.Se vai a uma entrevista ou encontro de verdadeira importância, antes, respire fundo algumas vezes. Verificará que a sua pulsação acelerada se tornará regular e que está com mais confiança, tem menos com que se preocupar e a pessoa com quem vai encontrar-se terá uma boa impressão de confiança ao vê-lo.Há um número alarmante de frustrações e de irritações na vida quotidiana que é muito prejudicial. A «civilização» é exemplo disso, quanto mais a pessoa se enreda nos liames da civilização tanto mais dificuldade encontra em obter paz. Por isso torna-se cada vez mais necessário um controlo sobre as emoções. O leitor pode estar preocupado sem saber como arranjar dinheiro para pagar a conta do gás, ou aborrecido porque vêm contar a electricidade no momento menos oportuno ou porque uma série de pessoas tolas lhe envia circulares idiotas pelo correio. Para quê deitá-las fora? Porque não deixar que o remetente as destrua poupando-lhe o trabalho? Diga para consigo: «calma. Que importância terá isto dentro de cinquenta ou cem anos?» Sempre que se sentir frustrado ou acabrunhado pelos problemas e dificuldades faça aquela pergunta a si próprio.Esta era de civilização é realmente muito penosa. Tudo conspira para nos levar a formar ondas cerebrais contranatura, para fazer com que sejam geradas voltagens estranhas dentro das nossas células cerebrais. Quando alguém pensa desenvolve-se um padrão bastante rítmico de ondas cerebrais que os médicos podem registar com instrumentos adequados. No Extremo Oriente há diversos métodos que os sacerdotes médicos utilizam para ajudar as pessoas atingidas de perturbações mentais a restaurar as suas ondas cerebrais, reconduzindo-as à normalidade. O corpo é um gerador eléctrico, sendo muitíssimo delicado manter esse gerador em produção constante. Se mantivermos constante essa produção, pode dizer-se que dispomos de tranquilidade, mas se a produção for perturbada e variar, por causa de preocupações ou de certas intervenções, nesse caso, a tranquilidade perde-se temporariamente, mas o mais certo é que se recupere.Se fizermos bem a alguém isso terá importância dentro de cinquenta ou mesmo de cem anos, porque ao fazermos o bem a alguém melhoramo-lo, ao passo que se lhe fizermos mal lhe deprimimos a visão. Quanto mais bem fizermos aos outros mais ganharemos para nós próprios. Esta é uma lei oculta: nada se pode receber sem que antes se tenha dado. Se o leitor der – serviço prestado, dinheiro ou amor – receberá também, por seu turno. É indiferente a natureza do que se dá ou do que se recebe: tudo tem de ser pago com o tempo. Se receber um acto de bondade terá de praticar uma acção da mesma natureza.Mantenha-se calmo, esteja atento para conservar-se tranquilo. A tranquilidade íntima, a paz e a serenidade estão à sua espera se você as aceitar. Tudo o que é preciso fazer é respirar, de modo a que o cérebro receba a quantidade máxima de oxigénio, e pensar que todas as contrariedades pequenas e tolas não terão importância dentro de meio século. Então verá que eram coisas sem importância. Procuramos mostrar que a maior parte das grandes preocupações simplesmente não acontece. Há algo que nos ameaça, receamos que algo de desagradável esteja prestes a acontecer, entramos num frenesim de medo, de tal modo descontrolados que nem sabemos se estamos de pernas para o ar ou com os pés no chão. Por fim descobrimos que o nosso medo era injustificado, que nada aconteceu! Medo sem motivo… Então a adrenalina que estava pronta para nos galvanizar na acção tem de ser eliminada quando o medo se dissipa, e isso deixa-nos enfraquecidos. Se o leitor estiver preocupado não estará tranquilo. Se estiver agitado não poderá gozar de serenidade interior e em vez de estar apto a receber uma mensagem telepática estará a emitir uma mensagem inteiramente caótica de frustração, que não só impede a sua própria recepção de mensagens telepáticas como as recepções a considerável distância em redor de si. Portanto, para seu bem e para o bem dos outros, seja comedido, mantenha-se calmo, lembre-se outra vez que todas essas irritações são acidentes de somenos importância. Elas são enviadas para experimentá-lo e às vezes acabam por conseguí-lo!Pratique a serenidade, pratique a visão das suas dificuldades através de uma perspectiva correcta. O que é importante é que você aprenda, que progrida, porque quanto mais aprender agora tanto mais levará consigo para a vida que se segue a esta, e quanto mais conhecimentos levar consigo tanto menos o número de vezes que terá de voltar a este mundo velho e melancólico que é o nosso.Sugerimos que se deite e se ponha à vontade, de modo que nenhum músculo do corpo fique sob tensão. Entrelace ao de leve as mãos, respire fundo e de modo regular. Enquanto respira, pense ao ritmo da respiração: «paz… paz… paz…». Se repetir este exercício descobrirá que uma sensação realmente divina de paz e tranquilidade o invadirá. Mais uma vez, expulse quaisquer pensamentos de discórdia, concentrando-se na paz, na tranquilidade e na calma. Se pensar na paz, tê-la-á. O mesmo acontece com a calma. Para concluir diremos que se as pessoas dedicassem dez minutos em cada vinte e quatro horas a este exercício, os médicos não estariam ocupados com tantas doenças!

               
.. LIÇÃO 21 ..

Chegamos a um assunto que nos interessa a todos: a telepatia. Observe a figura 9 que representa a «Cabeça Tranquila». Chama-se «tranquila» porque devemos estar nesse estado antes de podermos entrar na telepatia, clarividência ou psicometria, sendo essa a explicação para o facto de na lição anterior termos abordado essas questões. Temos de estar interiormente tranquilos se quisermos progredir.Na figura da «Cabeça Tranquila» verá que existem áreas receptoras diferentes no cérebro. Grosso modo, a área correspondente ao halo recolhe as ondas telepáticas. Quando estamos tranquilos podemos captar todas as espécies de impressões. Estas são apenas as ondas de rádio de outras pessoas, absorvidas pelo nosso cérebro-receptor. Como se sabe a maioria das pessoas tem «palpites»: uma impressão estranha de que algo vai acontecer ou que deve adoptar determinado curso de acção. Quem não sabe ao certo o que vai acontecer diz que tem um «palpite». Na realidade, trata-se apenas de telepatia inconsciente ou subconsciente. Isto é, a pessoa que teve o «palpite» estava a captar uma mensagem telepática enviada consciente ou inconscientemente por outra.A intuição é o mesmo tipo de fenómeno. Afirma-se correntemente que as mulheres possuem mais intuição do que os homens, e as mulheres poderiam de facto ser melhores telepatas do que o homem médio se não falassem tanto! O cérebro feminino pode vibrar em harmonia com as mensagens que até ele chegam, ele é um receptor que pode ser sintonizado para uma «estação» com mais facilidade do que um cérebro masculino. O cérebro feminino é assim: mais fácil de sintonizar do que o masculino.Gostaríamos de lembrar os gémeos verdadeiros. Estes estão sempre em contacto um com o outro, mesmo que se encontrem fisicamente afastados. Um pode estar na América do Norte e o outro na América do Sul, mas acontecem coisas semelhante aos dois e cada um sabe o que se está a passar com o outro. Isto resulta de serem os dois oriundos de uma só célula, de um só ovo, de modo que os seus cérebros são como um par de rádios receptores ou transmissores «sintonizados» sem qualquer esforço pelos seus possuidores.O leitor quererá saber agora como fazer telepatia, já que tem fé e está disposto a praticar. Mas por mais que se exercite não o conseguirá se não dispuser da grande aliada que é a serenidade interior. O melhor meio de praticar é o seguinte: diga para si próprio, durante um ou dois dias, que em tal dia às tantas horas vai tornar o seu cérebro receptivo, de modo que, de início, poderá recolher impressões gerais e depois mensagens telepáticas claras. Continue a repetir para si próprio que vai ter êxito. No dia escolhido, de preferência ao anoitecer, recolha-se num aposento particular. Não se esqueça de reduzir a iluminação e certifique-se de que a temperatura é agradável. Depois recline-se numa posição confortável. Segure na mão uma fotografia da pessoa a quem se acha mais ligado. A luz deverá iluminar a fotografia. Respire profundamente durante alguns minutos e depois varra tudo do pensamento, pensando só na pessoa da fotografia. Olhe para ela e imagine essa pessoa de pé à sua frente. O que é que ela lhe diria? Qual seria a sua resposta? Estruture os seus pensamentos. Se quiser pode dizer: «Fale comigo… fale comigo.» Em seguida espere uma resposta. Se estiver calmo e se tiver fé sentirá algo a agitar-se no cérebro. De início inclinar-se-á para atribuir isso à imaginação, mas trata-se de realidade. Se desprezar este facto atribuindo-o a uma imaginação ociosa estará a desprezar a telepatia.A maneira mais fácil de adquirir capacidades telepáticas é a de trabalhar com uma pessoa que conheça muito bem e com quem mantenha relações de amizade muito íntimas. Ambos devem examinar o que vão fazer, combinar em que dia e a hora vão entrar em contacto telepaticamente. A distância, por maior que seja não constitui obstáculo. Também é necessário combinar quem vai transmitir e quem vai receber. Se o leitor resolver transmitir primeiro e fazê-lo de novo dez minutos depois, o seu amigo transmitirá em resposta. Nas duas ou três primeiras vezes não tem uma garantia de êxito, mas a prática traz consigo a perfeição. Quando puder mandar uma mensagem telepática a um amigo, ou recebê-la, neste caso já está a caminho de captar os pensamentos alheios, mas só o poderá fazer se não tiver más intenções em relação aos outros.O leitor não poderá usar nunca a telepatia, a clarividência ou a psicometria para fazer mal a outra pessoa, nem outra pessoa pode usar aquelas capacidades para o prejudicar a si. Se uma pessoa má fosse telepata ou clarividente conseguiria fazer chantagem com o conhecimento dos segredos alheios, mas isso é impossível. Não se pode ter luz e treva ao mesmo tempo e no mesmo lugar, e não se pode usar a telepatia para o mal, pois essa é uma lei inexorável da metafísica. Portanto não se alarme, pois as pessoas não lêem o seu pensamento, não o conseguirão, para lhe fazerem mal. É verdade que as pessoas de mente mais pura poderiam recolher os seus pensamentos, ver na sua aura quais os pontos fracos, mas essas pessoas nunca pensariam fazer isso e às impuras faltar-lhes-ia capacidade para tanto.Sugerimos que o leitor pratique telepatia com um amigo ou, se não conseguir uma pessoa amiga para colaborar, descontraia-se e deixe que os pensamentos cheguem até si. Descobrirá, em primeiro lugar, que a sua cabeça tem um zumbido de pensamentos em conflito, como quando se está no centro de um magote de pessoas: a confusão da conversa, um ruído horrível, todos parecem falar ao mesmo tempo no tom de voz mais alto que é possível. Mas se tentar conseguirá isolar uma das vozes. É possível fazer o mesmo na telepatia. Pratique. Deve praticar e ter fé e, então, desde que permaneça calmo e não tenha intenção de prejudicar ou de ferir ninguém, poderá fazer telepatia.Na figura nove poderá ver que os raios da visão clarividente vêm da localização da terceira visão e observará que eles são de frequência inteiramente diversa dos da telepatia. De certo modo, é o mesmo tipo de coisa que dá resultados diferentes. Podemos dizer que, quando recebemos mensagens telepáticas estamos a ouvir rádio e quando recebemos mensagens clarividentes estamos a ver imagens de televisão, muitas vezes a cores.Se quiser ser clarividente necessitará de um cristal ou de algo que brilhe. Se tiver um anel com um diamante servirá tão bem quanto um cristal. Também neste caso deve adoptar uma posição cómoda e de reduzir bastante a iluminação, fechando cortinas e persianas para eliminar qualquer raio de luz. O leitor está a descansar inteiramente à vontade no seu quarto ao anoitecer e o aposento está tão escuro que mal consegue ver os contornos do cristal ou qualquer ponto de luz. Mas você sabe que o tem na mão, sabe que pode ver alguma coisa. Continue a fitar o cristal sem procurar ver coisa alguma, olhando-o como se estivesse a olhar para um lugar muito distante. Esse cristal está a centímetros de si, mas procure olhar para ele como se estivesse a quilómetros. Verá, então, o cristal a nublar-se gradualmente, nuvens brancas a formarem-se e o cristal que era transparente parecerá estar cheio de leite. Está quase na etapa seguinte…Não se sobressalte, não se alarme. A brancura afasta-se, como cortinas de renda que revelam um palco. O seu cristal desapareceu e você agora vê o mundo em vez dele. Está a olhar para baixo, tal como um deus que, no Olimpo, contemplasse o mundo. Talvez veja nuvens e um continente através delas. Terá uma sensação de queda e poderá involuntariamente inclinar-se para a frente, mas procure evitar isso, porque se tiver um sobressalto perderá o «quadro» e terá que recomeçar tudo noutra noite. Suponhamos, então, que não se agitou; terá a impressão de descer rapidamente e de que o mundo se torna cada vez maior: verá os continentes desfilarem por baixo e depois fará uma paragem num ponto qualquer. Poderá assistir a uma cena histórica, cair no seio de uma guerra e pensar que um tanque vai atacá-lo. Não deve recear, pois o tanque passará através de si sem que o sinta. Talvez lhe pareça que está a ver como pelos olhos de outra pessoa, cujo rosto não conseguirá distinguir. Não se assuste, pois verá com inteira clareza, e embora não escute um único som saberá de tudo quanto estiver a ser dito. É assim que vemos na clarividência. É fácil desde que você tenha fé.Algumas pessoas não chegam a ver um «quadro» e recebem todas as impressões sem chegarem a ver. Isto acontece com frequência a quem esteja empenhado em negócios. A pessoa pode ser muito clarividente, sem dúvida, mas se estiver empenhado em negócios ou relacionada com o comércio, nesse caso terá uma atitude de cepticismo que tornará difícil ver quadros e imagens, uma vez que a pessoa, subconscientemente, julgará que isso não pode estar a acontecer. E como a clarividência não pode ser inteiramente subtraída, essa pessoa recebe impressões em alguma zona da cabeça, que são tão verdadeiras como as imagens.Com a prática o leitor conseguirá a clarividência. Poderá visitar qualquer período da história mundial e ver realmente como as coisas aconteceram. Vai divertir-se e espantar-se quando descobrir com a maior frequência que a história não está de acordo com a dos compêndios, pois a história escrita reflecte a política da sua época.Agora tratemos da psicometria. A psicometria pode definir-se como o poder de «ver» por meio dos dedos. De alguma forma, já todos tivemos essa experiência. Por psicometria queremos significar a capacidade de conhecer a origem de um objecto através do toque: o que lhe aconteceu, quem o teve e qual o estado de espírito dessa pessoa. Pode obter-se uma espécie de psicometria quando sentimos que um objecto esteve num ambiente feliz ou desagradável.Podemos praticar psicometria solicitando ajuda de uma pessoa amiga e solidária, que deverá desejar vê-lo progredir.  Eis como proceder: sugerimos que a faça lavar as mãos e depois apanhar uma pedra. Esta também deve ser lavada com água e sabão. Em seguida o seu amigo deve secar bem as mãos e a pedra e, segurando-a na mão esquerda, deve pensar com intensidade durante um minuto, mais ou menos, e pensar numa só coisa – qualquer assunto, tanto faz, desde que pense com intensidade durante mais ou menos um minuto. Depois ele deve envolver a pedra num lenço limpo e entregar-lha. Você não a deve desembrulhar logo, mas esperar até ficar só no seu quarto de meditação. Dissemos para segurar a pedra com a mão esquerda porque, de acordo com a tradição esotérica, a mão direita é a mão prática, a mão dedicada às coisas do mundo, enquanto a esquerda é a mão espiritual, a que se dedica às coisas metafísicas. Desde que você seja destro, normalmente obterá melhores resultados utilizando a mão esquerda para a psicometria. Se for canhoto deverá usar a direita no sentido metafísico. Devemos observar que você pode obter resultados com a mão esquerda que não os conseguiria com a direita.  Quando estiver no seu quarto de meditação deverá lavar as mãos e enxugá-las antes de secarem, porque se não o fizer outras impressões ficarão nas suas mãos, e nós pretendemos apenas uma impressão para essa experiência. Deite-se confortavelmente – neste caso não importa a luz –, em seguida desembrulhe a pedra ou o que quer que seja, segurando-a com a mão esquerda e fazendo com que role para o centro da palma da mão. Não pense nela, nem se preocupe com nada: deixe a sua mente esvaziar-se. Em seguida sentirá um formigueiro muito leve nessa mão e receberá uma impressão – provavelmente a que o seu amigo desejava transmitir-lhe. Também poderá receber a impressão de que ele não o leva a sério.Se se exercitar neste sentido, verificará que, estando tranquilo, poderá recolher impressões interessantíssimas. Faça-o por conta própria, saia e apanhe uma pedra que lhe pareça não ter sido tocada por ninguém. Praticando obterá resultados verdadeiramente notáveis: poderá, por exemplo, apanhar uma pedrinha e ficar a saber a época em que ela pertencia a uma montanha, como foi trazida por um rio e levada para o mar. A informação que se pode obter pela psicometria é realmente espantosa, mas necessitamos de muita prática e você deve manter a mente tranquila.É possível agarrar numa carta que esteja ainda dentro do envelope e obter a noção geral do conteúdo. É igualmente possível perceber o significado de uma carta escrita numa língua estrangeira, passando as pontas dos dedos da mão esquerda ao de leve sobre a superfície da mesma, ainda que não se compreenda o significado de cada palavra isoladamente. Com a prática isto é infalível, mas nunca o faça apenas para provar que o sabe fazer. As pessoas não se prestam a provar que são telepatas, clarividentes, etc., porque um telepata precisa de dispor de condições favoráveis e não pode fazer telepatia quando existe outra pessoa tentando provar que ele está errado. O telepata recebe ondas emitidas por outras pessoas e, se houver alguém nas proximidades tentando provar o contrário, então descobrirá que as irradiações de tal criatura são tão fortes que apagam as ondas mais fracas vindas de longe. Recomendamos que se alguém lhe pedir que dê provas, responda que não está interessado, pois não precisa de provar aquilo que sabe.Gostaríamos também de dizer algo a respeito dos clarividentes que ganham dinheiro com essa capacidade. Os dons de clarividência são intermitentes e, portanto, não podem ser usados quando se quer.Nunca se deve receber dinheiro por «ler» o cristal ou por «ler» as cartas. Se o fizer perderá a capacidade de ver pela clarividência. Jamais deverá provar que sabe fazer isto ou aquilo, porque se o tentar será praticamente arrasado pelas ondas cerebrais dos que não acreditam, que lhe podem fazer muito mal. Muitas vezes é melhor não reconhecer quanto sabemos. Quanto mais normal e natural o leitor parecer tanto mais conseguirá recolher. Pratique mais e mais, e cultive a serenidade interior, sem a qual não conseguirá fazer qualquer dessas coisas. Com serenidade interior e fé você pode fazer tudo!

               
.. LIÇÃO 22 ..

Durante todo o curso fizemos referência às correntes eléctricas do corpo, dizendo como percorrem os nervos, activando os músculos. Podemos visualizar um futuro no qual todos os artefactos serão controlados pelas «correntes bioquímicas».Posto isto, vamos falar sobre emoções, porque nós somos aquilo que pensamos. Se pensamos de mais em coisas tristes damos início a um processo que vai corromper certas células do nosso corpo. Demasiada tristeza, demasiado abatimento podem provocar perturbações vesiculares ou de fígado. As pessoas muito excitadas, bem como as muito deprimidas não deveriam ser persuadidas ou obrigadas a comer, pois embora a persuasão seja bem intencionada o resultado está longe de ser benéfico. A tristeza ou qualquer emoção profunda provocam uma transformação profunda nos processos químicos do corpo. A incerteza ou o pesar podem colorir de modo total a visão de alguém, tornar essa pessoa insuportável, fazer dela uma criatura com um «trato impossível». Quando dizemos «colorir a visão de uma pessoa» queremos dizer exactamente isso, pois as secreções químicas modificam as cores ou o aspecto geral das cores que alguém vê. Todos sabemos que os apaixonados vêem o mundo «cor-de-rosa», enquanto os deprimidos e fatigados vêem o mundo «cinzento».Se quisermos progredir devemos cultivar a serenidade, devemos alcançar tal equilíbrio de emoções que não fiquemos loucamente excitados nem indevidamente deprimidos. É preciso que as ondas cerebrais sobre as quais falamos não apresentem picos altos nem vales profundos. O corpo humano é feito para funcionar de determinada maneira. Todos os acessos e sobressaltos a que estamos sujeitos no que apelidamos de «civilização» causam malefícios evidentes. A prova está no número de homens de negócios que têm úlceras gástricas ou ataques cardíacos ou que se tornam acabrunhados. Também isto é resultado de altas flutuações de electricidade que criam aquela contrapressão de que falámos atrás. A contrapressão difunde-se por diversos órgãos e vem interferir com o seu funcionamento normal. Portanto, quem quiser progredir e chegar à telepatia, clarividência, psicometria e tudo o mais, tem de cultivar realmente o equilíbrio temperamental. E isto pode ser cultivado!É vulgar sentirmo-nos taciturnos, deprimidos, incertos. Isto faz com que tenhamos um temperamento difícil. Qualquer incidente que outra pessoa não notaria ou que encararia jovialmente, irrita a pessoa que está nervosa e pode até causar-lhe um ataque de histeria ou de suicídio simulado. Essas coisas acontecem!A histeria está relacionada com um dos mais importantes órgãos e funções femininos. Há muitos anos pensava-se que só as mulheres podiam sofrer de histeria, mas hoje sabe-se que todos os homens têm um pouco de hormonas femininas e todas as mulheres um pouco de hormonas masculinas. A histeria, portanto, também afecta os homens e funciona como inibidora nos fenómenos do ocultismo. Se uma pessoa cede a abatimentos e apresenta amplas flutuações de produção eléctrica do cérebro, certamente se absterá da viagem astral, telepatia, clarividência e outros fenómenos metafísicos. Temos de possuir um temperamento calmo, precisamos de estar equilibrados antes de podermos lidar com as ciências ocultas. É de notar que há quem encare os clarividentes e telepatas como seres neuróticos ou imaginativos, desequilibrados. Nada podia estar mais longe da verdade! Apenas o clarividente impostor, o telepata fraudulento pode ser neurótico ou desequilibrado porque, como já são impostores, o seu estado de saúde mental nada tem a ver com o assunto. Só se pode ser telepata ou clarividente quando a mente funciona de maneira normal e as ondas cerebrais se mostram bastante calmas e imperturbadas. As ondas emanadas do cérebro devem ser suaves, isto é, não devem formar picos ou depressões bruscos que perturbem a recepção. Se a nossa mente estiver agitada durante todo o tempo, se estivermos ocupados pensando nos nossos próprios sofrimentos, nesse estado não receberemos mensagens telepática ou clarividentemente. Um neurótico não pode ser genuinamente clarividente. O psicopata não é um telepata!Mantenha a sua mente aberta, liberta de perturbações. Quando se sentir irritado ou quando achar que as ansiedades e inquietações do mundo estão amontoadas nos seus ombros cansados e doloridos, inspire fundo uma, duas, três vezes. Pense se todas essas questões o preocuparão dentro de cem anos. Se não o vão preocupar daqui a cem anos, por que motivo o preocupariam agora?A manutenção da calma é de vital importância para a nossa saúde, tanto física como mental. Assim, sugerimos que quando sentir que começa a tornar-se irritável faça uma pausa e pergunte a si próprio por que motivo está assim. Por que está tão triste, tão abatido? Por que perturba a vida das pessoas à sua volta? Lembre-se que ao ficar sombrio, irritável, com mau génio, abatido, estará a prejudicar-se apenas a si próprio, envenenando-se como se tomasse veneno para ratos! Há quem tenha grandes problemas à sua volta, mas não demonstre os efeitos da tensão. Se você mostrar efeitos da tensão, isso quererá dizer que não tem uma perspectiva correcta e que possivelmente não está na mesma situação mental e espiritual da pessoa a que nos referimos antes.Estamos na Terra para aprender e nenhum ser humano normal recebe de cada vez uma quantidade demasiada para aprender. Podemos achar que somos perseguidos, que nos maltratam, podemos sentir que somos alvo de um destino maligno e sem bondade, mas se realmente reflectirmos nisso veremos que não estamos a ser demasiadamente forçados, apenas cuidamos que isso acontece.Voltemos às crianças. Elas trazem da escola trabalhos para fazer em casa, mas com a ideia da brincadeira fica tão obcecada, que acha que tem demasiada quantidade de trabalhos, e nem sequer o seu décimo normal da mente dedica ao trabalho, que assim parece mais difícil. Como não se está a esforçar verdadeiramente para fazer o trabalho, descobre que leva muito mais tempo do que seria necessário. Cansa-se do estudo, não dedica uma vigésima parte da sua consciência ao mesmo e torna-se cada vez mais frustrada. Com o tempo queixa-se aos pais que lhe dão deveres em demasia, que toda essa tensão e esforço o abatem. Por sua vez os pais queixam-se ao professor e ninguém pensa em meter um pouco de bom senso na cabeça da criança, que é, afinal, quem deve receber o ensinamento. Nós somos como esta criança. Queremos progredir? Então teremos de obedecer a certas regras: teremos de manter-nos calmos e escolher o caminho do meio. O caminho do meio é o meio muito simples de lhe dizer que não deve trabalhar tanto, que «não pode ver o bosque por causa das árvores». Não deve ficar ansioso a tal ponto que não faça nada; adopte uma posição entre os dois extremos e descobrirá que o seu progresso é notável. Se se esforçar de mais estará como um automóvel que roda com a mudança errada, fazendo muito barulho, grande desgaste e nenhum progresso. 

O PODER DA MENTE

Infelizmente nem todos podem ter o que desejam. Existem leis da natureza ou do mundo oculto que possibilitam a obtenção de êxito ou dinheiro seguindo regras simples. O ocultismo, cujo verdadeiro significado reside «naquilo que é desconhecido», segue leis e regras inteiramente sensatas e que nada existe de místico nisso. Para tanto vamos dizer-lhe como obter o que quer!

Porém, quando dizemos «obter o que quer» voltamos a frisar que devemos esforçar-nos pelos valores espirituais e devemos em todos os momentos trabalhar com decisão para aumentar o valor que se terá na vida seguinte. O dinheiro é muito útil, concordamos, mas não passaria de uma ilusão consegui-lo à custa da nossa própria vida. A estada neste planeta é temporária e todos os nossos esforços na Terra devem ser dedicados a aprender e a aperfeiçoarmo-nos, de modo que tenhamos mais valor quando passarmos à vida seguinte. Vamos então lutar pela espiritualidade, envidando esforços para que possamos demonstrar benignidade para com os outros, bem como aquela humildade verdadeira que não deve ser confundida com falsa modéstia, mas humildade que nos ajuda na escalada. Tudo está em movimento. A vida é movimento, até a morte é movimento porque as células decompõem-se noutros produtos. Lembremo-nos sempre de que não se pode ficar parado. As nossas tentativas devem ser no sentido de andar para a frente, isto é, devemos seguir rumo à espiritualidade, bondade, compreensão dos outros, e não para trás, onde estaríamos sequiosos de dinheiro que se prendem aos bens temporais, em vez de se esforçarem por atingir as riquezas do espírito. Mas mostremos, leitor, como conquistar tudo o que deseja.A mente pode dar-nos tudo o que pedirmos, se a deixarmos agir assim. Existem poderes imensos que estão latentes no subconsciente, mas infelizmente muitas pessoas não têm quem lhes ensine como entrar em contacto com o subconsciente. Funcionamos com um décimo de consciência e, quando muito, um décimo da nossa capacidade. Trazendo o subconsciente para o nosso lado podemos fazer milagres.De nada adianta orarmos ociosamente sem sermos específicos. De nada adianta orarmos com a mente vazia, porque serão palavras ocas as que pronunciarmos. Use o seu cérebro, a sua mente, as grandes possibilidades do subconsciente. Existem alguns passos invioláveis que têm sempre que ser seguidos. Em primeiro lugar decida com precisão o que quer (precisa de dizer o que quer e vê-lo mentalmente): o que é que quer exactamente? Não adianta dizer que quer muito dinheiro, um automóvel novo, outra mulher ou um marido. É preciso enunciar com exactidão o que deseja. Deve visualizá-lo e reter essa visão com firmeza. Se quer dinheiro diga logo quanto quer, deve ser uma soma definida. Dizer que quer «mais ou menos um milhão» não serve porque a soma deve ser exacta. Mas se for inteligente não se importará tanto com o dinheiro e com as coisas deste mundo e quererá ser como Gandhi, Buda, Cristo, S. Pedro… Você esforçar-se-á por adquirir virtudes que lhe sirvam de alguma coisa quando deixar esta vida.Quando tiver decidido o que quer chega à segunda etapa. Já lhe dissemos que você deve dar para poder receber. Se pede uma determinada soma de dinheiro que deverá ser especificada com exactidão, estará pronto a dar um dízimo que, naturalmente corresponde a uma décima parte desse dinheiro? Estará pronto a ajudar outras pessoas que não se encontrem em tão boa posição como a sua? De nada adianta dizer «sim, quando receber esse dinheiro darei uma décima parte dele». Antes disso deverá começar a ajudar os outros. Se assim fizer estará a «dar para receber». Repetimos uma vez mais que se tem de ser claro, preciso. O terceiro passo é saber quando: quando quer esse dinheiro, automóvel, etc.? Não se pode colocar a questão no futuro indefinido, mas também é absurdo dizer que se quer imediatamente o que se pediu, porque há leis da física que não podem ser transgredidas. O seu limite de tempo deve ser fisicamente exequível. Você pode, por exemplo, dizer que quer o dinheiro em tal mês do ano tal, mas não poderia querer uma fortuna nos cinco minutos mais próximos, pois isso seria contra as leis da natureza e cancelaria o seu poder de pensamento.O que vai fazer para realizar a sua ambição? Suponhamos, a mero título de exemplo, que queria um automóvel novo. De nada serve desejar um automóvel se não tem carta de condução, pelo que se tiver a intenção de fazer tal pedido é bom que antes aprenda a conduzir.Como quinto requisito chamamos à atenção para o facto de a palavra escrita ter mais poder do que a falada e de que as duas juntas formam uma combinação insuperável. Escreva o que quer com a maior simplicidade e clareza de que for capaz. Você sabe o que quer, portanto pode escrevê-lo. Quer ser espiritual? Quem representa o seu ideal no mundo da espiritualidade? Enumere as capacidades, talentos e pontos fortes no carácter dessa pessoa. Escreva tudo. Se pretende dinheiro, escreva a soma precisa que deseja, escreva também quando o quer receber e deixe bem claro que vai ajudar outras pessoas, que vai pagar o «dízimo». No fim escreverá: «eu darei, para poder receber». Deverá também introduzir uma nota explicativa como vai trabalhar para obter o resultado desejado, pois tenha presente uma vez mais que não pode trocar alguma coisa por nada. Tudo tem de ser pago de uma maneira ou de outra: nada é grátis. Se receber cem euros inesperadamente tem de prestar serviços no mesmo valor. Se esperar que outras pessoas o ajudem é preciso ajudá-las primeiro.Supondo que escreveu tudo isto, leia em voz alta para si próprio, três vezes por dia. Receberá uma certa força se ler em voz alta no retiro do seu próprio quarto. Leia-o de manhã, antes de sair da cama, à hora do almoço e mais uma vez antes de deitar-se, à noite, de modo que, pelo menos, três vezes ao dia tenha feito a sua afirmação, que assim passou a assemelhar-se a um mantra. Ao ler sinta que o dinheiro, o automóvel ou o que quiser, vem na sua direcção. Seja positivo a esse respeito, imagine que tem o objecto desejado, que está realmente ao seu alcance. Quanto mais vigorosamente pensar nisso, imaginar isso, tanto mais positiva será a reacção. É desperdício de forças pensar: «bem, espero conseguir… mas tenho as minhas dúvidas». Isto invalidará imediatamente o seu mantra. Você deverá ser todo positivo e absolutamente construtivo durante o tempo todo, não deixando que nenhuma dúvida se intrometa. Se adoptar estes passos, implantará o pensamento no seu subconsciente e este é nove vezes mais esperto do que você. Se puder interessar o seu subconsciente, então receberá ajuda, maior ainda do que julgava possível. Quanto mais dinheiro se tem mais dinheiro se atrai e isso funciona de acordo com uma lei semelhante à do magnetismo.Existem coisas de maior valia do que o dinheiro. Ninguém levará uma única moeda para a sua vida futura e quanto mais dinheiro tiver mais deixará a outras pessoas. Quanto mais se esforçar pelo dinheiro tanto mais se contaminará, tornando difícil para si próprio desejar atingir os valores espirituais. Quanto maior for o bem que fizer aos outros tanto maior o bem que levará consigo. A vida na Terra é dura e uma das coisas mais difíceis liga-se com a deturpação de valores. Na época actual as pessoas julgam que o dinheiro é tudo o que interessa. Enquanto tivermos o suficiente para comer, vestir e ter casa não precisaremos de mais. Mas nunca teremos espiritualidade em demasia, pureza demasiada de pensamento, jamais ajudaremos os outros excessivamente, pois ao ajudá-los estamos a ajudar-nos a nós próprios.Leia e releia esta lição. Talvez seja a mais importante até agora. Se seguir as instruções verificará que pode ter praticamente qualquer coisa que deseje. O que pretende? A escolha deve ser sua porque você pode ter o que muito bem desejar. Dinheiro?… Êxito?… E depois o eclipse e recomeçar do zero. Ou preferirá a espiritualidade, a pureza, o serviço prestado ao próximo? Isto pode representar pobreza ou semipobreza na Terra, mas o que é ela senão um grão de poeira a flutuar no espaço? Após esta vida curtíssima vem o mundo maior, onde a pureza e a espiritualidade são a «moeda do reino», onde o dinheiro deste mundo não tem qualquer valor. A escolha é sua!

               
.. LIÇÃO 23 ..

Algumas palavras tiveram uma evolução semântica em sentido negativo. Há uma série de palavras que são boas, descritivas em todas as línguas, mas que mediante o mau emprego ao longo de séculos sofreram uma transformação completa de significado. Imaginação, eis a palavra que se acha em desgraça. Há tempo o homem dotado de imaginação era o ser de ideias sensíveis que podia escrever, compor música ou fazer poemas. Era essencial, na verdade, que um cavalheiro fosse dotado de imaginação. Hoje parece até que «imaginação» indica uma pobre mulher frustrada que sofre de histeria ou se encontra à beira de um colapso mental. As pessoas abandonam experiências, que fariam melhor em estudar, exclamando: «ora, isso é tudo imaginação sua! Não seja tolo!».Imaginação é, portanto, uma palavra que caiu em desgraça nos nossos dias, mas a imaginação controlada é uma chave que pode abrir muitas experiências actualmente envoltas num véu de mistério, atitude que as pessoas adoptam quando se referem aos problemas ocultos. Será bom recordar que em qualquer batalha entre a imaginação e a vontade, a primeira sairá sempre vencedora. As pessoas orgulham-se da sua força de vontade, da sua coragem indómita, do facto de nada as assustar. Mas o que é verdade é que com a força de vontade nada poderão fazer a menos que a imaginação o permita. Não existe maior força que a imaginação. Temos em nós mecanismos que nos protegem do perigo, certas salvaguardas automáticas, de modo que um ser humano não consegue normalmente meter-se num perigo fútil. A imaginação quase impossibilita uma pessoa de se expor ao perigo e não há palavras que a consigam fazer compreender que se trata de um acto seguro; é necessário imaginar que o pode fazer. Enquanto não conseguir realmente «imaginar-se» a realizar com firmeza e segurança determinado movimento, você não o fará. Se alguém ordena a si próprio, pela força de vontade, que faça algo, quando a imaginação diz «não», nesse caso a pessoa encontra-se mesmo em risco de colapso nervoso, pois em qualquer batalha que se trave entre a imaginação e a força de vontade é a primeira que vence. Forçamo-nos a fazer algo quando todos os sinais de alarme ressoam dentro de nós, pode arruinar-nos os nervos e a saúde.Algumas pessoas têm um medo desesperado de passar por um cemitério numa estrada solitária à meia-noite. Se surgir uma ocasião em que tenham de o fazer, sentem os cabelos em pé, as palmas das mãos a transpirar e todos os sentidos aguçados, todas as impressões exageradas. Pessoas nestas condições estão prontas a dar um salto prodigioso em busca de segurança caso um fantasma lhes ordene essa fuga.As pessoas que não gostam do seu trabalho e que são forçadas a executá-lo põem muitas vezes em acção um mecanismo de fuga. Alguns desses «mecanismos de fuga» conduzem a resultados estranhos e podem ser bênçãos disfarçadas, porque se os avisos não forem levados em conta pode sofrer-se um colapso mental. A verdade é que todos os dias vemos homens de negócios hipertensos com receio de perderem os lugares, com receio do patrão ou medo de perder «prestígio» trabalhando com uma tensão interior tão grande que acabam por sofrer ulceras nervosas, a doença dos quadros de chefia.A imaginação pode derrubar mas também pode construir um império. Se você cultivar a sua imaginação e a controlar, poderá ter aquilo que quiser. Não é possível dar ordens à imaginação, ditar-lhe o que deve fazer, porque a imaginação assemelha-se a uma mula: pode orientá-la mas não dominá-la. Isso requer prática mas faz-se.Como proceder para controlar a imaginação? É, como sempre, uma questão de fé e de prática. Pense numa situação que lhe desperte medo ou desagrado e depois vença-a pela fé, persuadindo a sua imaginação de que você pode fazer algo, quer os outros possam fazê-lo quer não. Convença-se que de que é uma pessoa especial. Utilize o método que quiser desde que ponha a imaginação a trabalhar a seu favor. Decidamos que somos capazes de fazer qualquer coisa com a maior facilidade e então, cheios de fé, julgando-nos diferentes dos outros conseguiremos convencer a nossa imaginação a fazer o que quer que seja. Houve um famoso equilibrista chamado Blondin que atravessou várias vezes as cataratas do Niágara sobre uma corda. Blondin era apenas um homem comum com fé nas suas capacidades. Ele sabia que a única coisa a recear era o próprio medo, sabia que se tivesse confiança em fazer a travessia poderia fazê-lo, mesmo empurrando um carrinho de mão sobre a corda ou com os olhos vendados. Todos nós temos o mesmo tipo de experiência. Subimos uma escada alta e enquanto olharmos para cima não sentimos medo. Mas assim que olhamos para baixo ocorre-nos o pensamento de que seria uma coisa horrível se caíssemos da escada e fossemos embater no solo. A nossa imaginação fornece-nos então imagens da nossa queda lá em baixo e pode convencer-nos de que estamos de tal modo presos àquela escada que não nos consigamos libertar. Os operários que trabalham a grandes alturas já passaram por este tipo de experiência.Se você controlar a imaginação, aumentando a fé na sua própria capacidade, conseguirá fazer qualquer coisa. Não conseguirá dominar a sua imaginação pela força, e o exercício da sua força de vontade não vencerá a imaginação mas, pelo contrário, darás uma neurose. Lembre-se uma vez mais de que precisa, em todos os momentos, de conduzir a sua imaginação, de controlá-la. Se tentar forçá-la fracassará. Mas se a orientar conseguirá fazer todas essas coisas que parecem impossíveis. Acima de tudo acredite que o «impossível» não existe.

                
.. LIÇÃO 24 ..

Muitos já terão ouvido falar na lei do carma. Infelizmente grande número dessas questões metafísicas recebeu nomes em sânscrito ou brâmane, como muitos nomes científicos são nomes latinos. Esta prática teve início na Antiguidade. Há muitos anos atrás os médicos procuravam manter os conhecimentos para si próprios e o uso do latim era o meio de ocultarem os termos técnicos das pessoas que não tinham instrução. Esse hábito perdurou até hoje. É claro que também existem certas vantagens em dispor de termos técnicos numa única língua, porque facilita a comunicação entre os cientistas dos diversos países. Os operadores de rádio usam um processo semelhante, quando usam o código de Morse ou o código Q. Os radioamadores que mantêm contacto com outros em todo o mundo utilizam o código para se entenderem.Sânscrito é a língua universal dos ocultistas de alto nível, de modo que ao falar em carma temos uma imagem particular daquilo a que poderíamos chamar «lei da causa e efeito». Como se vê, o carma nada tem de misterioso, nem de assustador. O carma é um acto mental ou físico que edifica o bem ou o mal. Existe um antigo dito que diz «colherás o que semeares». E é mesmo assim. Se semearmos o mal, colheremos maus frutos em qualquer das vidas seguintes. Se nesta vida semear o bem, se demonstrar bondade e compadecimento para com os necessitados, então quando chegar a sua vez de sofrer, alguém demostrará bondade e consideração e compaixão por si.Não se iluda ao pensar que pelo facto de estar a passar vicissitudes neste mundo essa pessoa é má. Pode ser que isso aconteça para a experimentar, para ver como reage ao sofrimento; pode ser um processo de aperfeiçoamento para expulsar, pela dor, alguma impureza, parte do egoísmo da humanidade. Todos, quer sejam príncipes ou mendigos, viajam pela roda da vida, o círculo da existência sem fim. Um homem pode ser rei numa vida e mendigo noutra.Existem pessoas isentas da lei do carma, pelo que é inútil pensar que aquela pessoa que tem uma vida difícil está a pagar por algum pecado grave cometido numa vida anterior. As entidades superiores, a quem chamamos avatares, vêm à Terra para que certas tarefas sejam realizadas. Os hindus, por exemplo, acreditam que o deus Vixnu desce à Terra de vez em quando para trazer novamente à humanidade as verdades da religião, que os homens tanta tendência têm para esquecer. Esse avatar ou ser avançado virá frequentemente viver na pobreza, para mostrar o que pode ser feito por compaixão. Ele não é imune ao sofrimento pois sendo de natureza mais delicada sofre ainda mais agudamente.O avatar não nasce porque tenha de nascer, não nasce para pagar o seu carma. Pelo contrário, ele vem à Terra, toma um corpo e o seu nascimento é o resultado de uma livre escolha. Poderá até apoderar-se do corpo de outrem. Quem ler a Bíblia compreenderá que Jesus, o homem, nasceu de José e de Maria, mas na plenitude do tempo e na idade adulta, Jesus dirigiu-se para o deserto e o Espírito de Cristo – o Espírito de Deus – desceu e habitou o seu corpo. Por outras palavras, foi um caso em que uma alma se apoderou do corpo propício de Jesus, filho de José e Maria. Porém, não gostamos de pensar que algumas pessoas estão a ser incriminadas pelos infortúnios da pobreza quando na realidade vieram ajudar outras, demonstrando assim o que se pode fazer pelos menos afortunados.O pensamento é uma fonte muito verdadeira, não há dúvida. O modo de pensar revela o indivíduo. Assim, se pensar em coisas puras torna-se puro, se pensar em sensualidade torna-se sensual e contaminado, e terá que voltar à Terra repetidas vezes até que o «desejo» morra em si sob o peso da pureza de bons pensamentos.Ninguém é destruído, nenhuma pessoa é tão má que seja condenada a um castigo eterno. Cristo nunca anunciou o sofrimento eterno, a condenação eterna. Cristo ensinou que se uma pessoa se arrependesse, e disso desse provas, seria «salva» da sua própria loucura, recebendo repetidas oportunidades. O castigo eterno foi um recurso criado pelos antigos sacerdotes, que queriam manter a disciplina num rebanho desobediente.O carma é, portanto, o processo pelo qual contraímos dívidas e as saldamos. Homens, mulheres, crianças, todos têm de pagar nesta Terra: só o avatar está imune das leis do carma. Por isso, os que não são avatares fariam melhor em procurar levar uma vida boa, para assim abreviarem a sua estada na Terra, pois há coisas muito melhores noutros planetas e noutros planos de existência.Devemos perdoar a quem nos ofendeu e devemos procurar o perdão daqueles a quem ofendemos. Devemos ter sempre presente que o meio mais seguro de alcançar um bom carma é fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem.O carma é algo a que poucos podem escapar. Contraímos uma dívida? Temos de pagá-la Fazemos bem aos outros? Eles terão de pagar-nos fazendo-nos bem a nós. É bom receber o bem. Portanto, vamos ser bondosos e compassivos para com todas as criaturas. Lembrando-nos de que aos olhos de Deus todas as criaturas são iguais, quer sejam gatos, ou cavalos, ou outros.Deus opera misteriosamente na realização das suas maravilhas. Não nos cabe discutir os caminhos de Deus, mas sim trabalhar nos problemas que nos são dados, pois apenas solucionando-os e levando-os a uma conclusão satisfatória poderemos saldar o carma.Devemos, em todos os momentos, demonstrar grande cuidado, atenção e compreensão para os que estão doentes, tristes ou atormentados, pois é bem possível que a nossa tarefa seja a de demonstrar tal cuidado e tal compreensão. É demasiadamente fácil repelir uma pessoa cansativa com um gesto impaciente, mas os doentes têm quase sempre um alto grau de sensibilidade; sentem a sua incapacidade, sentem particularmente que estão a ser pesados, que não são desejados. Gostaríamos de lembrar-lhe que, tal como as coisas se apresentam no actual momento na Terra, todos os verdadeiros ocultistas, que podem exercer as principais artes ocultas, possuem qualquer incapacidade física. Assim, ao desprezar, ao repelir duramente um apelo de ajuda feito por um enfermo, estará a afastar uma pessoa que é muito mais dotada do que você pode imaginar.Não nos interessamos por qualquer tipo de desporto fatigante, mas desejamos perguntar ao leitor se já ouviu falar de algum desportista que fosse clarividente ou que soubesse, quando muito, soletrar a palavra.A existência de uma incapacidade física é muitas vezes um processo de aperfeiçoamento do corpo humano imperfeito, de modo a que possa receber vibrações de frequência mais elevada do que o ser humano médio. Assim, demonstre consideração por aqueles que estão doentes. Não se impaciente com um doente. Existe um lado egoísta nesse comportamento também, é que o enfermo pode estar muito mais evoluído do que você, que está saudável. E ao ajudá-lo você poderá, na verdade, ajudar-se imensamente a si próprio.

               
.. LIÇÃO 25 ..

Você já foi repentina e chocantemente privado de um ser muito amado? Sentiu alguma vez o Sol retirar-se para trás das nuvens para nunca mais brilhar para si? A perda de alguém que amamos é realmente trágica – trágica para si e para quem «partiu antes de si» se você continuar a lamentar-se.Nesta lição vamos falar de assuntos que geralmente são considerados tristes, sombrios. Mas se encarássemos as coisas como deveríamos fazê-lo perceberíamos também que a morte não é realmente um momento para lamentos, não é motivo de tristeza.Examinemos o que acontece quando tomamos conhecimento de que uma pessoa passou para aquele estágio a que a gente na Terra chama morte. Estamos muito bem e, de repente, como um raio vindo do céu azul, somos informados de que essa pessoa a quem muito amamos já não está connosco. Nesse momento uma grande angústia se apodera de nós e as lágrimas procuram aliviar a tensão interna. Descobrimos que já não há cores alegres, tudo é sombrio, com nuvens cor de chumbo.Voltamos aos nossos conhecidos electrões, pois quando somos repentinamente atingidos pela tristeza a voltagem gerada nos nossos cérebros modifica-se e pode até mudar de direcção do seu fluxo, de modo que, se estávamos a ver o mundo através de lentes cor-de-rosa, depois de recebermos essa notícia triste passamos a ver o mundo através de vidros escuros que tornam tudo baço e deprimente. Trata-se de uma função fisiológica natural no plano mundano, mas no astral também ficamos deprimidos devido à inércia horrível que o nosso veículo físico nos imprime quando tentamos cumprimentar aquele que acabou de chegar ao que é a vida maior, a vida mais feliz.É realmente triste ver um amigo a quem amamos partir para um lugar distante, mas na Terra consolamo-nos com o pensamento de que podemos escrever-lhe, mandar-lhe um telegrama ou mesmo telefonar-lhe. A chamada «morte», por outro lado, não parece deixar qualquer possibilidade de comunicação. O leitor acha que os mortos estão para além do nosso alcance? Pois então está muito enganado. Isto não é um devaneio, não é um pensamento fantástico. Há diversos cientistas em centros científicos idóneos, pelo mundo fora, que estão a trabalhar com um instrumento que poderá fazer-nos comunicar com os chamados «espíritos desencarnados». Antes, porém, de podermos entrar em contacto com aqueles que passaram para além do nosso alcance imediato, há muito que podemos fazer para ajudá-los.Quando uma pessoa morre, as funções fisiológicas desaceleram-se e com o tempo param. Vimos nas etapas preliminares deste curso que um cérebro humano pode viver apenas dois minutos quando privado de oxigénio. O cérebro humano é uma das primeiras porções do corpo a «morrer», e quando o cérebro está morto a morte completa torna-se inevitável. Após a morte do cérebro outros órgãos privados das suas ordens e orientações tornam-se inertes. À medida que o corpo humano arrefece, quando um órgão segue o outro também há ruídos, tal como acontece com o motor de um automóvel que arrefece e o metal se contrai. O corpo astral leve três dias a separar-se por completo do corpo físico. O cordão de prata que une o corpo astral ao corpo físico murcha gradualmente como acontece com o cordão umbilical de uma criança depois de cortado. Durante três dias, portanto, o corpo astral permanece em contacto mais ou menos íntimo com o corpo físico em decomposição.A pessoa que morreu passa por uma experiência deste tipo: ela está na cama, possivelmente rodeada por parentes ou amigos pesarosos; sobrevem-lhe um arquejo, o estertor da morte e, por fim, o último suspiro escapa-se pelos lábios entreabertos. O coração bate mais depressa, depois cada vez mais devagar e irregularmente até que pára. Ao longo do corpo notam-se vários estremecimentos e gradualmente a temperatura baixa. No instante da própria morte um clarividente pode ver uma forma de sombra sair do invólucro físico e flutuar, subindo como uma bruma prateada que se estende por cima do cadáver. Ao longo de três dias o cordão de prata escurece e acaba por tornar-se negro no ponto onde entra no corpo físico. É então que se vê como que uma poeira negra que sai da parte do cordão que ainda estava ligada ao corpo. Finalmente o cordão solta-se e a forma astral fica livre para erguer-se e passar para a vida acima do astral. Em primeiro lugar tem de olhar para baixo e ver o corpo que habitou, agora morto. A forma astral pode acompanhar o carro funerário até ao cemitério e assistir ao enterro. Não há nem dor nem perturbação porque o astral, no caso de alguém que não tenha recebido uma preparação semelhante à administrada neste curso, encontra-se em estado de semichoque. Ele acompanha o corpo no caixão tal como um papagaio de papel segue o menino que o segura na extremidade de um cordel. Em seguida esse cordão de prata – que já não é de prata – afasta-se, e então o corpo astral estará livre para subir sempre e preparar-se para a sua segunda morte. Esta é isenta de dor. Antes, porém, a pessoa tem de passar pelo Salão de Memórias e ver tudo o que aconteceu na sua vida. Cada um só é julgado por si próprio e não há juiz maior e mais severo. Quando nos vemos despidos de todos os orgulhos mesquinhos, de todas as falsas virtudes que nos eram caros na Terra, descobriremos que, a despeito de tudo – dinheiro, posição, etc. – o que tenhamos deixado na Terra, não somos tão importantes como pensávamos. Frequentemente os mais humildes, os mais modestos e os mais pobres em dinheiro são os que têm julgamento mais satisfatório e elevado.Depois de nos termos visto no Salão de Memórias passamos para a parte do «outro mundo» que julgamos mais adequada para nós. Não iremos para o Inferno e acreditemos que o Inferno está na Terra, nossa escola de formação.Os povos do Oriente, grandes místicos, grandes professores, nunca deixaram o seu verdadeiro nome ser conhecido, porque os nomes têm um grande poder e se todas ou apenas algumas pessoas puderem chamar-nos através da vibração correcta do nosso nome, nesse caso somos atraídos irresistivelmente para a Terra. Em algumas zonas do Oriente e do Ocidente, Deus é conhecido como «Aquele cujo nome não pode ser pronunciado». Isto justifica-se porque se todos estivessem permanentemente a chamar por Deus o dirigente deste mundo teria péssimos momentos. Muitos professores adoptaram um nome diferente do seu, um nome que difere acentuadamente da pronúncia do seu verdadeiro nome, pois os nomes consistem em vibrações, acordes e harmonias, e se alguém for chamado pela sua própria combinação harmónica de vibrações, nesse caso a sua atenção é também muito desviada de qualquer trabalho que possa estar a fazer no momento. Lamentar indevidamente aqueles que «passaram» causa-lhes dor, faz com que se sintam arrastados para a Terra. Assemelham-se muito ao homem que foi atirado à água e se sente puxado para o fundo pela roupa molhada e as botas pesadas.A vibração é a essência da vida nesta Terra e, afinal, em todos os mundos. Conhecemos um exemplo muito simples do poder da vibração: quando alguns soldados, marchando em passo certo e regular, se preparam para atravessar uma ponte, interrompem esse passo e entram na ponte com passo desorganizado. A ponte poderá suportar o tráfego mecanizado mais pesado, pode ser capaz de suportar uma procissão de tanques blindados ou uma carga de locomotivas, no entanto, se uma coluna de soldados marchar com passo certo por essa ponte isso criará um impulso que fará a ponte oscilar e balançar e, com a continuação, cair. Outro exemplo é o do violinista: este poderá, tocando uma só nota durante alguns segundos, fazer com que um copo se estilhasse com fragor. Os soldados são um exemplo extremo sobre a vibração. Qual é o outro extremo? Se alguém conseguir pronunciar as palavras «OM Mani Padmi UM» de determinada maneira e continuar a repeti-las durante alguns minutos poderá obter uma vibração de surpreendente efeito. Lembre-se de que os nomes são coisas poderosas. Assim, aqueles que passaram não devem ser indevidamente chamados e muito menos chamados com pesar, pois o nosso desgosto não deve causar-lhes pena e fazê-los sofrer. Não sofreram eles já o suficiente?Talvez queiramos saber por que motivo vimos à Terra e sofremos a morte. Ora a morte e o sofrimento aperfeiçoam a criatura, desde que não seja demasiado. E, mais uma vez, temos de recordar-lhe que, em quase todos os casos (há excepções especiais), nem homem nem mulher são chamados a suportar um sofrimento maior do que a sua particular necessidade de aperfeiçoamento. Compreenderá isso mesmo quando vir alguém desmaiar de dor. O desmaio é apenas uma válvula de segurança, para que a pessoa não fique sobrecarregada de dor, prejudicando gravemente o seu equilíbrio. Muitas vezes, depois de ter sofrido um grande desgosto, uma pessoa fica entorpecida. Neste caso o entorpecimento é um acto de misericórdia para quem ficou e para quem partiu. Essa situação pode levar a pessoa aflita a ter consciência da perda e passar assim pelo processo de refinamento. Assim, ao perceber a perda, essa pessoa não se vê insuportavelmente atormentada. A pessoa que faleceu é protegida pelo entorpecimento do que ficou, porque se assim não fosse talvez a pessoa desgostosa, dominada pelo choro e lamentações, criasse grande tensão e obstrução à que acabara de fazer a passagem.Em seu tempo pode ser que todos nós consigamos comunicar com os que passaram, como se tratasse de um contacto à distância neste mundo.Estudando conscienciosamente este curso, tendo fé em si próprio e nos poderes desta vida e da seguinte, também você deve poder entrar em contacto com aqueles que já passaram. É possível fazê-lo pela telepatia, pela clarividência e pela chamada «escrita automática» (psicografia). Nesta última, no entanto, é preciso que a pessoa se mantenha bem afastada da sua própria imaginação distorcida, é necessário controlá-la de modo a que a mensagem escrita, aparentemente subconsciente, não emane da sua consciência ou do seu subconsciente, mas venha directamente de alguém que tenha «passado» e que nos pode ver, embora a maioria de nós não possa vê-lo por enquanto.Seja alegre, tenha fé, pois querendo poderá fazer milagres. Não é verdade que a fé move montanhas?

               
.. LIÇÃO 26 ..

Agora vamos enunciar as regras do bom viver. São regras inteiramente básicas, positivamente obrigatórias. Deve juntar-lhe as suas próprias regras. Em primeiro lugar enunciemo-las e em seguida examinemo-las com mais cuidado, a fim de que possamos perceber algumas razões em que se apoiam: 1.      proceda como desejaria que procedessem para consigo.2.      Não julgue os outros.3.      Seja pontual em tudo.4.      Não discuta religião nem troce de crenças alheias.5.      Cinja-se à sua religião e demonstre total tolerância para com os adeptos de outras.6.      Abstenha-se da prática de magia.7.      Abstenha-se de bebidas e drogas inebriantes. Vamos agora examinar essas regras em pormenor. Dissemos «proceda como desejaria que procedessem consigo». Se você estiver na posse de todas as suas faculdades não vai apunhalar-se pelas costas, nem enganar-se, nem cobrar a si próprio mais dinheiro do que seria justo. Se for uma pessoa normal cuidará de si o melhor possível. Se tratar do seu vizinho como de si estará a viver de acordo com as regras de ouro. Por outras palavras, «faça aos outros aquilo que gostaria que lhe fizessem». Isso ajuda e dá resultado. Se houver alguém que não consiga aceitar a sua pureza de pensamento e motivação, acontece que, depois de você ter sofrido em silêncio duas ou três vezes, melhor fará em evitar a presença dessa pessoa. No mundo que nos aguarda depois desta vida não podemos encontrar-nos com pessoas que se nos opõem, com quem não estamos em harmonia. Infelizmente temos de conviver com pessoas suficientemente horríveis enquanto estamos na Terra, mas não por escolha, só por necessidade. Portanto, proceda como gostaria que procedessem consigo e o seu carácter o sustentará e servirá de luz fulgurante para homens e mulheres. Será conhecido como pessoa que espalha o bem, cumpre promessas, de modo que se for enganado por um aldrabão este jamais será alvo de qualquer solidariedade.«Não julgue os outros», pois você poderá vir a encontrar-se numa situação semelhante à da pessoa que julgou ou condenou. O leitor conhece as circunstâncias relacionadas com os seus próprios problemas, mas nem mesmo a pessoa mais próxima pode partilhar dos pensamentos da sua alma. Pelo menos na Terra ninguém consegue estar em harmonia completa com outra pessoa. Mesmo no mais feliz dos casamentos um cônjuge fará algo de todo incompreensível para o outro. «Que aquele que está inocente atire a primeira pedra», ou «quem tem telhados de vidro não deve atirar pedradas». Ninguém está inteiramente isento de culpa. Se alguém fosse totalmente puro e inocente não conseguiria permanecer neste velho e mau planeta que é a Terra, pelo que se só o inocente pudesse atirar pedras elas nunca seriam atiradas. Todos nós vimos à Terra para aprender alguma coisa, porque se não tivéssemos nada para corrigir teríamos passado para outro lugar muito melhor. Todos nós cometemos erros, muitos de nós são incriminados por coisas que não fizeram e muitos outros não recebem qualquer reconhecimento pelo bem que tenham feito. E isso que importa? Mais tarde, ao deixarmos a Terra que é a nossa escola, verificaremos que os padrões são muitíssimo diferentes: seremos julgados pelo nosso valor verdadeiro. Portanto, não julgue os outros.A nossa terceira regra é: «seja pontual em tudo». É uma regra lógica. As pessoas têm projectos, fazem planos e existe um momento e um lugar para tudo. Quando não somos pontuais contrariamos os planos e as ideias da outra pessoa, geramos ressentimento em quem nos espera, essa pessoa poderá adoptar um rumo diferente do que foi inicialmente planeado, e a responsabilidade recai sobre nós. A pontualidade pode ser um hábito, tal e qual como a não pontualidade, mas a primeira corresponde a uma disciplina do corpo, do espírito e da alma. A pontualidade demonstra respeito por si próprio, porque consegue manter a palavra dada, e pelos outros, porque somos pontuais por respeitar os outros. A pontualidade é uma virtude que vale a pena cultivar, e que aumenta a nossa própria posição mental e espiritual.Falemos agora da religião. É errado troçar da religião alheia. Uns acreditam nisto, outros naquilo. Que importa a imagem que se tem de Deus? Deus é Deus, seja qual for o nome que lhe dê. Ao longo de toda a história da humanidade tem havido grande quantidade de maus pensamentos em torno da religião, assunto que só deveria dar origem a bons pensamentos. Devemos cingir-nos à nossa própria religião. Raramente é aconselhável mudar. A maior parte de nós veio à Terra com um certo plano em mente. Para a maioria isso implicava ter uma certa religião, e se o motivo não for extraordinariamente forte não é aconselhável mudar de religião. Assimilamos a religião tal como assimilamos a linguagem falada na nossa infância, pelo que também é mais difícil absorver as alterações numa religião diferente. Também é errado tentar influenciar outra pessoa para que mude de religião. O que lhe serve a si pode não ser adequado a outrem. Devemos conceder plena tolerância e liberdade a outrem para crer e adorar como entender, do mesmo modo que devemos fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem. Nós próprios não gostamos de interferências, pelo que a outra pessoa não as receberá bem.A regra número 6 é: «abstenha-se da prática de magia». Isto porque muitas das formas de magia são perniciosas. Existem muitas coisas no ocultismo que podem fazer muito mal a quem estuda sem orientação. Um astrónomo nunca olharia para o Sol através de um poderoso telescópio sem adoptar certas precauções, neste caso filtros apropriados, sem os quais ficaria cego. Assim, envolvermo-nos nas coisas ocultas sem preparação e sem uma orientação competente poderia levar-nos a um colapso nervoso e a toda uma séria de sintomas extremamente desagradáveis. Opomo-nos à prática de exercícios de ioga orientais onde um pobre corpo ocidental é torturado ao tentar executar aquelas posições. Esses exercícios destinam-se ao corpo oriental, que para isso foi preparado desde os primeiros dias, mas que podem fazer muito mal a quem, por falta de preparação, acabe num amontoado de músculos contorcidos e magoados. Estudemos o ocultismo, mas de maneira sensata e com orientação. Não aconselhamos ninguém à «comunhão com os mortos» ou outras práticas do mesmo tipo. Isso faz-se, naturalmente e até todos os dias, mas é um campo que pode revelar-se penoso e daninho para ambos os lados, a menos que se faça sob a supervisão competente de uma pessoa preparada.Algumas pessoas estudam o jornal diário para ver o que diz o seu horóscopo para esse dia, e muitas, infelizmente, levam tais previsões a sério e moldam a sua vida de acordo com elas. O horóscopo é uma coisa inútil e perigosa, a menos que tenha sido estabelecido de acordo com os dados rigorosos ligados ao nascimento de um indivíduo, mas o custo dos serviços do astrólogo que fizesse esse estudo seria elevadíssimo, devido ao considerável conhecimento que é preciso ter para fazer tais cálculos. Sugerimos que não se imiscua na astrologia, ela pode fazer-lhe mal. Em vez disso estude apenas o que for puro e inocente como este curso, que é, afinal, apenas uma exposição de leis naturais, leis que se relacionam até com a respiração e o modo de andar.A última regra é: «abstenha-se de bebidas ou drogas inebriantes». Acreditamos ter dito o suficiente neste curso para fazê-lo compreender os perigos de expulsar o corpo astral do corpo físico, por bem ou por mal, atordoando-o, por assim dizer. As bebidas inebriantes prejudicam a alma, deformam as impressões transmitidas pelo cordão de prata, prejudicam o mecanismo do cérebro que não passa de uma estação receptora e transmissora ocupada com a manipulação do corpo na Terra e o recebimento de conhecimentos no mundo do além.As drogas têm ainda efeito mais pernicioso porque escravizam ainda mais. Quando se começa a tomar drogas está-se de facto a abandonar tudo aquilo a que se aspira nesta vida e, ao abrir a porta dos falsos afagos das bebidas e drogas inebriantes, está-se a abrir caminho para vidas sucessivas sobre a Terra, até que se tenha eliminado completamente o carma que os hábitos maus constituíram para nós.Toda a vida deve ser organizada, deve ter disciplina. Uma crença religiosa, se nos cingirmos à nossa, é uma forma útil de disciplina espiritual. Enquanto a disciplina do amor dos pais e a disciplina da religião não entrarem em cena, a delinquência dos adolescentes continuará e aumentarás. Se nós tivermos disciplina mental poderemos dar o exemplo àqueles que a não têm, pois recordamos de novo que a disciplina é essencial. É ela que distingue um exército treinado de uma turba desorganizada.

                
.. LIÇÃO 27 ..

Vamos trazer a primeiro plano o subconsciente, já que a relação entre a mente consciente e a mente subconsciente oferece uma explicação do funcionamento do hipnotismo. Na realidade, nós somos duas pessoas numa. Uma é um pequeno ser nove vezes menor do que o outro, mas activo, que gosta de interferir, de dar ordens e de controlar (a mente consciente tem a razão e a lógica). O outro ser, o subconsciente, pode ser comparado a um gigante afável, sem poder de raciocínio, mas ele é a base da memória. Tudo quanto já aconteceu a alguém, até mesmo coisas ocorridas antes do nascimento, se encontra guardado no subconsciente e mediante tipos adequados de hipnose essa memória pode ser libertada para exame por parte de outrem.

As pessoas são assim: a mente consciente tem essa capacidade de raciocinar (por vezes incorrectamente) e pode exercer uma forma de lógica, mas não dispõe de memória. A sua virtude está em que, quando preparada, pode despertar o subconsciente de modo a que este último proporcione as informações armazenadas nas células da memória. Entre a mente subconsciente e a consciente existe uma coisa que poderíamos designar por tela, que bloqueia todas as informações quanto à mente consciente. Isto quer dizer que a última não pode sondar a subconsciente em qualquer momento. O subconsciente tem memória, mas não tem raciocínio. É claro que se a memória pudesse combinar-se com o raciocínio algumas facetas de informação seriam distorcidas, porque o subconsciente, dotado de poder de raciocínio, poderia dizer: «Isso é ridículo! Isso não pode ser! Devo ter lido mal, deixe-me modificar os meus depósitos de memória!». Por isso o subconsciente está destituído de razão e o consciente de memória.Temos duas regras a recordar:

  1. A mente subconsciente não é dotada de raciocínio e só pode agir de acordo com a sugestão que lhe seja dada. Ela só consegue reter na memória qualquer afirmação, verídica ou não, que lhe seja dada e não tem capacidade para avaliar se essa informação corresponde ou não à verdade.
  2. A mente consciente pode apenas concentrar-se numa ideia de cada vez. Estamos permanentemente a receber informações, formando opiniões, vendo, ouvindo, tocando em objectos, e as a mente subconsciente não fosse protegida, tudo acabaria por entrar, ficando nós com a mente congestionada, a abarrotar de informações inúteis, muitas vezes incorrectas. Entre as mentes subconsciente e consciente há uma tela que pode impedir a entrada dessas coisas que tenham de ser examinadas pelo consciente, antes de serem transmitidas ao subconsciente para arquivar.

Como já afirmámos, os depósitos de memória da mente subconsciente contêm o conhecimento de tudo quanto aconteceu a esse corpo. Essa tela consciente não impede a entrada de informações e tudo vai ter à memória subconsciente. Mas as informações que precisam de ser examinadas pelo cérebro de raciocínio lógico são detidas até ao momento em que tenham sido avaliadas e sopesadas.Vejamos então como é que o hipnotismo funciona.A mente subconsciente não tem poder de discernimento, de raciocínio ou de lógica, de modo que se pudermos forçar uma sugestão fazendo-a passar pela tela existente entre o consciente e o subconsciente, podemos levar este último a comportar-se como nós o desejarmos. Se concentrarmos a atenção consciente num só pensamento aumentaremos a capacidade de sugestão. Se conseguirmos que uma pessoa se convença que vai ser hipnotizada, isso acontecerá mesmo, porque então a tela que atrás nos referimos é retirada. Muitos gabam-se de não poderem ser hipnotizados, mas não deviam fazê-lo, pois ao negarem a sua susceptibilidade à hipnose estão apenas a aumentá-la. Como já dissemos, em qualquer batalha entre a imaginação e a vontade é a primeira que vence.Vamos voltar à questão de como se hipnotiza. Antes de mais é preciso ter um meio para atrair a atenção da pessoa, de modo que a mente consciente (que só pode reter um pensamento de cada vez) fique presa, e então as sugestões possam invadir o subconsciente. Em geral o hipnotizador tem um botão ou um pedaço de vidro brilhante, ou outra coisa, e pede ao paciente que concentre a sua atenção com firmeza nesse objecto brilhante. O objectivo dessa manobra consiste em mobilizar a mente consciente de tal maneira que ela não se dê conta do que se está a passar «nas suas costas». O hipnotizador segurará um objecto um pouco acima do nível dos olhos do paciente, porque ao olhar para cima desse nível os olhos ficam numa posição não natural de tensão. Isso força os músculos dos olhos e os das pálpebras e como estes últimos são os mais fracos de todo o corpo humano cansam-se com mais rapidez. Passam-se alguns segundos. Os olhos cansam-se e começam a lacrimejar. É, então, tarefa simples para o hipnotizador dizer que os olhos estão cansados e que a pessoa quer dormir. Ela quer, naturalmente, fechar os olhos porque o hipnotizador os deixou fatigadíssimos. A monotonia com que ele repete que os olhos estão cansados entedia o paciente e afasta a defesa, a percepção. Na verdade apetece-lhe mesmo dormir para acabar com aquele aborrecimento todo.Quando se fez isto algumas vezes a sugestionabilidade do paciente aumentou, ou seja, ele está a criar o hábito de se tornar hipnoticamente influenciado. Assim, quando o hipnotizador diz que os seus olhos estão cansados o paciente aceita-o sem a menor hesitação, porque as experiências anteriores provaram que os olhos realmente se cansaram em tais condições. Assim, o paciente passa a ter cada vez mais fé nas afirmações do hipnotizador.A mente subconsciente é inteiramente destituída de crítica: não consegue discernir, de modo que se a mente consciente pode aceitar a afirmação de que os olhos se cansam, quando o hipnotizador o afirma, também o subconsciente concordará que não haverá dor quando o hipnotizador o disser. Neste caso se o hipnotizador souber trabalhar, pode fazer com que uma mulher dê à luz sem dor ou um paciente deixe extrair um dente sem sentir. É uma questão muito simples que apenas requer uma prática pouco aturada.O importante é que a pessoa que vai ser hipnotizada tenha aceitado as afirmações do hipnotizador. Por outras palavras: foi dito ao paciente que tinha os olhos cansados. A sua própria experiência vinha provar-lhe que isso acontecia. O hipnotizador disse-lhe que ia sentir-se muito bem quando fechasse os olhos e isso aconteceu realmente.O hipnotizador precisa sempre de ter o cuidado de fazer afirmações que sejam inteiramente aceites pela pessoa a hipnotizar. Não se vai dizer a alguém que está de pé quando é obvio que se encontra deitada. A maioria dos hipnotizadores só falará com o paciente sobre alguma coisa depois de ter comprovado essa mesma coisa. Eis um exemplo: o hipnotizador poderá dizer ao paciente que estenda o braço o mais que possa. Repetirá isso em voz monocórdica durante algum tempo e, quando vê que o braço do paciente está a cansar-se, dirá: «O seu braço está a ficar cansado. O seu braço pesa muito…». O paciente concordará logo, porque é evidente que está cansado, mas no estado de transe superficial não está em condições de retorquir: «Ora, seu idiota! Claro que tenho o braço cansado por estar estendido desta maneira à tanto tempo!». Em vez disso, limita-se a acreditar que o hipnotizador tenha um certo poder, certa capacidade que o pode obrigar a fazer o que for ordenado.O hipnotismo é natural, não tem consequências negativas, e quase todas as pessoas são susceptíveis às suas ordens. Quanto mais uma pessoa afirma que não pode ser hipnotizada mais fácil é hipnotizá-la. Nós, no entanto, não estamos interessados em hipnotizar os outros, porque o hipnotismo é na realidade uma coisa muito perigosa em mãos sem preparação e sem escrúpulos.Diz-se no Ocidente que nenhuma pessoa pode ser hipnotizada instantaneamente por alguém que tenha sido preparada por métodos orientais. Felizmente poucos ocidentais receberam essa preparação. Afirma-se também que ninguém pode ser hipnotizado e obrigado a fazer uma coisa que colida com o seu código moral. Também isso é inteiramente falso. Não se pode ir ter com um homem correcto e que viva bem, hipnotizá-lo e dizer: «Agora vá roubar um banco!». O paciente não o faria e até acordaria da hipnose. Mas um hipnotizador habilidoso pode enunciar as suas ordens e palavras de tal modo que o paciente hipnotizado acredite que está apenas a participar num jogo. Sugerimos que o leitor não utilize o hipnotismo de modo algum senão como tratamento e, nesse caso, sob a orientação de um médico idóneo, com muita experiência e preparação.Ao lidar com o auto-hipnotismo, se seguir as nossas instruções, você não se prejudicará, pelo contrário, poderá fazer muito bem a si próprio e até talvez aos outros.

               
.. LIÇÃO 28 ..

Ao longo de todo o curso e particularmente na última lição vimos como somos duas pessoas numa só, sendo uma delas o subconsciente e outra o consciente. É possível fazer com que uma delas trabalhe para a outra, em vez de permanecerem como entidades separadas, quase inteiramente fechadas em si e isoladas. O subconsciente é o armazenador de todo o conhecimento e poderíamos chamar-lhe guardião dos registos ou bibliotecário-chefe. Pode ser comparado com uma pessoa que nunca sai nem faz nada senão armazenar conhecimentos e pôr as coisas em movimento mediante ordens que dá aos outros. A mente consciente, por outro lado, pode comparar-se a uma pessoa sem memória, ou com pouquíssima memória, de fraca preparação. Essa pessoa é activa, sobressaltada, pulando de uma coisa para outra e utilizando o subconsciente apenas como meio de obter informações. Feliz ou infelizmente, o subconsciente, normalmente, não é igualmente acessível quanto a todos os tipos de conhecimento. A maioria das pessoas, por exemplo, não consegue lembrar-se do momento em que nasceu, embora tudo isso esteja arquivado no subconsciente. Com processos adequados até é possível hipnotizar uma pessoa e fazê-la regressar a momentos que antecederam o seu nascimento. Embora isso constitua uma experiência interessantíssima não é assunto que pretendamos tratar aqui a fundo.Por ter interesse vamos dizer-lhe que é possível hipnotizar uma pessoa numa série de entrevistas e fazê-la percorrer todos os anos da sua vida, até chegar ao momento e ao tempo que antecedeu este. Podemos até levar a pessoa a voltar ao momento em que projectava descer de novo à Terra.O nosso intuito nesta lição é o de ver como podemos hipnotizar-nos a nós próprios. É do conhecimento geral que uma pessoa pode ser hipnotizada por outra, mas neste caso queremos fazê-lo connosco, pois muitas pessoas demonstraram uma forte aversão em colocarem-se literalmente à mercê de outra porque, embora em teoria uma pessoa pura e de mente elevada não possa prejudicar a que está a ser hipnotizada, podemos afirmar que, a não ser em circunstâncias excepcionais, se efectua uma certa transferência.Se alguém foi hipnotizado por determinada pessoa, é sempre mais susceptível às ordens hipnóticas dessa pessoa. É por essa motivo que pessoalmente não recomendamos a hipnose. Achamos que é preciso que haja salvaguardas adicionais como, por exemplo, haver sempre dois médicos presentes no caso de ser necessário hipnotizar um paciente. Também gostaríamos que fosse adoptada uma lei que só permitiria que uma pessoa hipnotizasse outras depois de ela própria ter sido hipnotizada também. E gostaríamos de ver o médico submeter-se à hipnose, de três em três anos, para que a segurança dos pacientes seja renovada, pois de outra forma estes últimos estarão realmente à mercê do médico, em particular daqueles que têm pouco respeito pela ética.Mas passemos agora ao auto-hipnotismo. Se o leitor estudar esta lição convenientemente sairá dela com uma chave que lhe permitirá libertar poderes e capacidades insuspeitados dentro de si.Sugerimos que vá para o seu quarto e feche as cortinas para impedir que entre luz. Acima dos olhos coloque uma luz pequenina, do tipo das que deixamos acesas durante a noite, que deverá ficar um pouco acima do nível dos olhos. Estenda-se confortavelmente na cama. Durante alguns momentos não faça mais do que respirar com a maior regularidade possível e deixe os pensamentos devanearem. Após uns dois minutos de devaneio, concentre-se e decida com toda a firmeza que vai ficar descontraído. Diga para si mesmo que vai relaxar todos os músculos do corpo. Pense nos dedos do pé direito, começando pelo dedo maior. Imagine que todo o seu corpo é uma cidade, que tem pequenos seres que vivem nas células do seu corpo. São essas criaturinhas que fazem funcionar os seus músculos e tendões e tratam das necessidades das células, que o fazem formigar com a sensação de vida. Mas agora você quer que todos esses pequenos seres fiquem quietos. Concentre-se primeiro nos dedos maiores dos pés e ordene aos pequenos obreiros que os abandonem, caminhando pelo peito do pé e pela perna acima até ao joelho. Abandonados, os dedos do seu pé direito ficarão frouxos, sem vida, inteiramente descontraídos. Todas aquelas criaturinhas sobem pela perna; a barriga da perna já está relaxada, sem sensações. A perna toda está muito pesada, sem vida, entorpecida, insensível, completamente descansada. Faça com que as criaturinhas subam até ao seu olho direito, providenciando para que os polícias ali em serviço ponham barreiras na estrada de modo a que nenhuma delas possa regressar. A sua perna direita, dos dedos até à coxa, está totalmente descontraída. Aguarde um momento para confirmar e depois passe à perna esquerda. Apresse a saída das criaturinhas fazendo-as sair dos dedos do seu pé esquerdo, peito do pé, tornozelo, barriga da perna e joelho. Os dedos, o pé e a parte da perna esquerda já estão frouxos, pesados, como se não lhe pertencessem. Faça com que essa gente passe para além do joelho a caminho da coxa. Agora, ordene aos polícias imaginários que coloquem as barreiras para que ninguém possa voltar.A sua perna esquerda está relaxada? Verifique e certifique-se, porque se não estiver completamente ordene às criaturinhas que saiam outra vez do caminho, de modo que você fique com as duas pernas como se fossem fábricas vazias. As suas pernas estão repousadas, agora faça o mesmo em relação às mãos e braços. Mande embora todos os trabalhadores – despeça-os, ponha-os em movimento, faça com que se movam como um rebanho de ovelhas quando tem um bom cão-pastor no seu encalço. O seu objectivo consiste em afastar essas criaturinhas dos seus dedos, das palmas da sua mão, do pulso, do antebraço, passando pelo cotovelo, fazê-las andar, mandá-las embora, porque se você conseguir relaxar-se e manter-se livre de todas as distracções, de todos os ruídos e movimentos, poderá abrir o subconsciente e será então possuidor de poderes e conhecimentos que normalmente não são dados ao homem.Você tem o seu papel a desempenhar, tem de fazer com que essas criaturas se ponham em movimento, saiam dos seus membros e se afastem do seu corpo: ancas, costas, estômago, peito, tudo. Essas criaturinhas são um impecilho para si. São necessárias para manter a vida, mas neste momento você quer que entrem de férias, que se afastem de si. Faça-as seguir pelo cordão de prata, liberte-se da sua influência irritante e, finalmente descontraído, descansado, conhecerá mais paz interior do que pensou ser possível existir.Todas essas criaturinhas estão agora reunidas no cordão de prata. Com o corpo liberto, certifique-se de que há guardiões na extremidade do cordão de prata que as não deixem regressar. Respire fundo, inspirando lentamente o ar. Sustenha a respiração por alguns segundos e depois deixe sair o ar devagar. Esta operação não deverá causar tensão, mas deve ser fácil, cómoda, natural. Volte a respirar como anteriormente. Inspire fundo e sustenha a respiração durante alguns segundos. Ouvirá os ruídos do seu coração. Expire devagar. Diga para consigo que o seu corpo está inteiramente repousado, que se sente agradavelmente relaxado e à vontade, que todos os músculos do corpo se descontraem e não há tensão alguma: apenas calma, comodidade e descanso.A cabeça começa a pesar-lhe. Os músculos da face já não o preocupam, deixou de haver tensão. Contemple ociosamente os dedos dos pés, os joelhos, as ancas. Reconheça que é agradável sentir-se tão repousado sem qualquer tensão dentro de si. Você está calmo e dentro de si todos os músculos e nervos, todos os tecidos, estão relaxados.Antes de tentar qualquer coisa no campo da auto-hipnose, você precisa de ter a certeza do seu relaxamento total, porque é apenas na primeira ou segunda vez que terá alguma dificuldade. Depois tudo parecerá tão natural e fácil que ficará espantado de nunca o ter feito antes. Mas no princípio tenha cuidado e proceda devagar – afinal viveu toda a vida anterior sem isto, de modo que umas horas a mais não terão importância. Não se esforce de mais para não abrir as portas à dúvida, à hesitação e à fadiga muscular.Se descobrir que alguma parte do corpo não se encontra relaxada, dedique-lhe especial atenção. Mande embora alguns operários particularmente conscienciosos, porque nada é tão importante como o trabalho que você empreendeu. O essencial é que você se descontraia, para seu bem e dos seus operários.Agora, se estiver inteiramente seguro de que está descansado em todas as partes do corpo, erga os olhos para a pequenina luz de néon. Erga-os de modo a provocar-lhes uma leve tensão, e nas pálpebras, enquanto fita a luz. Passe então a olhar essa luz nocturna, com o seu brilho agradável, avermelhado e fraco, e que deve fazê-lo sentir-se sonolento. Pense que quer que as pálpebras se fechem quando tiver contado até dez e comece a contar: «Um… dois… três… os meus olhos estão cansados… quatro… estou a ficar com sono… cinco… quase não consigo manter os olhos abertos», e assim até chegar a nove. «Nove… os meus olhos fecham-se… dez… os meus olhos já não conseguem abrir-se». Com este exercício você pretende criar um reflexo condicionado definido, de modo que nas futuras sessões de auto-hipnose não encontrará dificuldades e não terá de perder tanto tempo com o relaxamento do corpo: bastará contar e entrará em estado hipnótico.Se os seus olhos não se fecharem espontaneamente não é caso para preocupações, pois você fechá-los-á deliberadamente, como se estivesse realmente em estado hipnótico. Assim, lançará um alicerce para o reflexo condicionado e isso é que é essencial.A seguir repetimos algumas palavras que servirão de base à elaboração da sua própria fórmula: «Quando eu tiver contado até dez, as minhas pálpebras tornar-se-ão muito, muito pesadas e os meus olhos ficarão cansados. Terei de fechar os olhos e nada os fará abrir depois de eu ter contado até dez. No momento em que eu deixar que os meus olhos se fechem entrarei em estado de auto-hipnose completa. Terei plena consciência, ouvirei e saberei de tudo o que acontece e conseguirei dar ordens à minha mente subconsciente».Em seguida conte: «Um… dois… as minhas pálpebras estão a ficar pesadas, os meus olhos estão a cansar-se… três… é difícil manter os olhos abertos… nove… não consigo manter os olhos abertos… dez… os meus olhos estão fechados e eu estou em estado auto-hipnótico».Esta lição deve terminar aqui, por ser muito importante, para que você tenha bastante tempo para praticar. Se nos alongássemos mais o leitor iria assimilar menos. Asseguramos que se estudar, assimilar e praticar, você obterá resultados verdadeiramente maravilhosos. Quer estudar isto várias vezes?

               
.. LIÇÃO 29 ..

Na lição anterior vimos como poderíamos passar ao estado de transe. Agora teremos de praticar esse método várias vezes, pois o que pretendemos é entrar em transe rapidamente e evitar esforços em demasia.O motivo por que você quer hipnotizar-se é como meio de eliminar certos defeitos, fortalecer determinadas virtudes, certas capacidades. Pois bem, quais são esses defeitos, essas faltas? Quais as capacidades? Você deve ser capaz de isolar com nitidez as faltas e as virtudes para ter uma imagem de si próprio como desejaria ser. A sua vontade é fraca? Nesse caso imaginemos exactamente como quer ser, dotado de vontade forte e de personalidade dominante, capaz de fazer ver aos outros o seu ponto de vista, capaz de influenciar homens e mulheres. Continue a pensar nesse «novo eu». Mantenha a imagem do «eu» com firmeza diante de si, tal como um actor vive o papel que vai desempenhar. É preciso que recorra a toda a sua capacidade de visualização. Quanto maior for a firmeza com que se visualizar, como desejar ser, tanto mais depressa atingirá esse objectivo.Continue a praticar, pondo-se em transe, mas tenha sempre o cuidado de praticar num aposento tranquilo e escuro. Não há qualquer perigo nisto. Você deve assegurar-se de que não será interrompido, porque qualquer interrupção ou qualquer corrente de ar frio, por exemplo, fará com que você desperte e levá-lo-á a sair do transe muito rapidamente. Não há perigo e não é possível que você se hipnotize e depois não consiga sair do transe. Você não pode deixar de despertar de um transe, pois a natureza não o permitiria. O subconsciente é como um gigante bastante obtuso e durante algum tempo você poderá persuadi-lo de tudo quanto quiser, mas após um certo período esse gigante obtuso acha que «estão a brincar com ele». É então que termina o estado hipnótico. Enquanto estiver a dormir você não sentirá desconforto ou qualquer outro malefício. Isso é inteiramente garantido porque se terá hipnotizado a si próprio, não estando à mercê de ninguém.Durante todo o tempo você terá de pensar nas virtudes que deseja adquirir. Pensará que se está a libertar das coisas que não admira e durante alguns dias, enquanto der os seus passeios, fará os possíveis por visualizar essas qualidades. Dirá a si próprio, repetidas vezes e durante todo o dia, que num dado momento – de preferência nessa noite – irá hipnotizar-se e, de cada vez que entrar em transe, as virtudes desejadas aparecerão com maior intensidade. Ao entrar em transe repita dentro do seu pensamento aquilo que deseja, sem dar entrada ao subconsciente, avassalando-o com o peso das palavras de modo a acreditar na ordem que lhe dá. Você fuma demais? Ou bebe? Isso são hábitos nocivos para a saúde, quando em excesso, como sabe. Por que não usa o hipnotismo como via de cura? Poupará ainda o dinheiro que constantemente gasta com tais hábitos. Basta convencer o seu subconsciente de que não gosta de fumar e facilmente conseguirá fazê-lo sem qualquer sofrimento. No entanto você não consegue deixar de fumar porque acredita no que lhe dizem que «não se pode abandonar o tabagismo que é um hábito extremamente difícil de dominar». Não se dá conta que de que tudo isto é em si é uma espécie de hipnose?Utilize esse hipnotismo para seu próprio bem: você é diferente dos outros. Você tem um carácter forte, é dominador, pode curar-se do tabagismo, da bebida ou do que muito bem desejar. Assim como o hipnotismo – o hipnotismo inconsciente – o levou a crer que não conseguiria acabar com o hábito de fumar, quando tiver a percepção disso o seu hipnotismo consciente poderá fazer com que você nunca mais toque num cigarro.O leitor tem a certeza que quer deixar de fumar? Tem a certeza de que quer parar de beber ou de chegar sempre atrasado aos encontros? Você não conseguirá fazer nada enquanto não tiver a certeza. Não basta dizer debilmente: «Oh, eu bem queria deixar de fumar… Vou dizer a mim próprio que o farei!». Repita sempre até que a ideia chegue ao seu subconsciente – você só consegue realmente fazer aquilo que deseja. Se não for bem firme nos seus propósitos então toda esta prática não valerá de nada e pode até dar-se o caso de passar a fumar mais ainda.Examine-se conscienciosamente. O que é que quer afinal? Não há ninguém perto, ninguém a espiar a sua mente. Uma vez inteiramente convencido de que quer uma coisa tê-la-á. Não culpe o hipnotismo ou qualquer outra coisa. Você é o culpado se não conseguir obter o que deseja porque, se fracassar, isso quer dizer que a sua decisão não era suficientemente forte.Pela auto-hipnose você pode libertar-se dos chamados «maus hábitos». Infelizmente não conseguimos descobrir o que esse «maus hábitos» eram, de modo que não podemos esclarecê-lo mais neste assunto. Concluiremos que os maus hábitos incluem o apoquentar a mulher, atirar o ferro de engomar ao marido, dar pontapés ao cão, importunar alguém sem motivo ou embriagar-se. Todas estas coisas podem ser eliminadas se a pessoa realmente o desejar.Deixe-se descontrair sempre que possa. Liberte-se da tensão interior para restaurar a sua energia nervosa. Você pode fazer muito pela sua saúde bastando-lhe ler e reler esta lição e a anterior e praticar, praticar sempre! Você poderá, seguindo os nossos conselhos, ser um grande auto-hipnotizador.

               
.. LIÇÃO 30 ..

Muitas pessoas têm a ideia, errada, de que há algo de vergonhoso em certo tipo de trabalho. Muitas civilizações têm um lugar à parte para os trabalhadores que têm de «sujar as mãos». Trata-se de uma forma de elitismo que deveria ser eliminada porque faz com que irmãos briguem entre si e as raças se digladiem. O trabalho, quer seja intelectual quer manual, é sempre nobilitante para aqueles que o fazem com consciência pura e sem sentimentos de vergonha. Em alguns países se a dona de casa ergue a mão para fazer qualquer coisa o seu prestígio cai por terra. Na China antiga as classes superiores deixavam crescer tão exageradamente as unhas que chegavam a ter de usar invólucros especiais para as protegerem. Isto servia para demonstrar que o seu possuidor era homem de tal fortuna que não precisava de fazer nada com as próprias mãos, nem as mais íntimas necessidades – havia criados para tudo. No Tibete, antes da invasão comunista, alguns nobres usavam mangas tão compridas que cobriam as mãos e passavam além dos dedos mais uns quinze ou trinta centímetros. Isso servia para demonstrar que eles eram tão ricos e importantes que não tinham necessidade de fazer coisa alguma. Mas isto sucedia apenas entre os leigos e era, evidentemente, uma degradação do verdadeiro objectivo do trabalho, porque nos templos dos lamas todos eram obrigados, em determinadas ocasiões, a executar trabalho braçal.Antes da invasão comunista não era fora do vulgar ver um monge de alto nível limpando o chão sujo pelos monges de mais baixa categoria. Isso destinava-se a relembrar ao alto sacerdote que as coisas da Terra eram de natureza temporal e que o mendigo de hoje poderia ser o príncipe de amanhã e vice-versa. O trabalho é uma forma de disciplina, de preparação. A disciplina é muito necessária, é ela que estabelece a diferença entre um regimento treinado e uma turba desorganizada. É a disciplina no lar que ensina os jovens a serem cidadãos decentes, quando adultos. A falta de disciplina gera essas hordas de adolescentes votadas à destruição. O trabalho, seja ele qual for, nunca é degradante quando executado por motivos puros para prestar serviço aos outros. Em vez de aplaudirmos os que se sentam e autocraticamente ditam ordens, deveríamos antes aplaudir os que recebem essas ordens e as executam.Recentemente ouvimos um debate um tanto acalorado a respeito de se comer ou não carne. Do nosso ponto de vista achamos que se uma pessoa quer comer carne deve comê-la; se quer ser vegetariana e trepar às árvores em busca de nozes, que o faça também. O homem e a mulher são animais carnívoros. Ao que se sabe, a carne humana tem um sabor semelhante à carne de porco. Muitas pessoas comportam-se, efectivamente, como esses animais… Os canibais, quando interrogados a propósito da carne humana, dizem que a do homem negro é bastante adocicada e que se parece com a carne de porco assada; a do homem branco, ao que parece, é bastante rançosa e azeda. Portanto, se você quiser comer carne faça-o. Se quiser comer legumes ou capim, coma, mas nunca imponha a sua opinião aos outros. Por exemplo, os não fumadores ressentem-se muito com o facto de verem os outros a fumar e acham-se virtuosos não o fazendo. Na verdade trata-se de uma simples questão de escolha. O fumo, sendo moderado, talvez não tenha causado prejuízos muito extensos, mas a bebida já é pior porque interfere com o astral. Se uma pessoa decidir beber e prejudicar o seu corpo astral isso é lá com ela. Tentar usar a persuasão para escolher o caminho de outrem é uma atitude profundamente errada. Foquemos um ponto que o leitor talvez ache interessante. Há quem diga que nunca se deve matar, nem mesmo um insecto, uma vaca, um cavalo, tudo o que tenha vida. Ficamos com problemas de consciência quando matamos um mosquito que nos ameaça de malária ou tomamos uma injecção contra um vírus. Afinal de contas um micróbio ou um vírus são organismos vivos. Deveríamos então corrigir-nos deixando de matar os bacilos da tuberculose ou os agentes do cancro? Temos de ser sensatos em relação a tudo isto. Os vegetarianos dizem que não se deve tirar a vida aos animais. Pois bem, um repolho tem vida, de modo que se o arrancarmos do chão para comê-lo estaremos a destruir uma vida que não poderemos recriar. O mesmo se passa com a batata ou com o aipo, e assim o vegetariano destrói tanta vida como o que se alimenta de carne. Por que não sermos sensatos e comermos carne quando o nosso corpo assim o exigir?Afirma-se que o bom budista não come carne. De facto muitos não a comem pelo simples facto, muitas vezes, de que a não podem comprar. No Tibete, por exemplo, a carne era um luxo inédito que só podia ser desfrutado por gente muito rica. A maioria das pessoas comia legumes e tsampa. O monge vivia de tsampa e nada mais, mas para o consolar os dirigentes da religião decretaram que era mau comer carne. Assim as pessoas que não tinham possibilidades de adquirir carne faziam abstinência com todo o gosto, pensando ser mais virtuosas do que as outras. Muita tolice se escreveu sobre este assunto. Ninguém deve impor a outro a sua opinião. Se uma pessoa decide não matar um insecto, conservar o seu vírus cancerígeno ou o seu bacilo de tuberculose em vez de procurar curar-se, a escolha deve ser da própria e só dela. É errado, erradíssimo, procurar influenciar o caminho de outra pessoa. Neste curso, por exemplo, o conhecimento é posto à disposição, declaramos as nossas opiniões, dizemos o que sabemos, mas não procuramos forçar o leitor a acreditar. Se lhe pedirem uma opinião dê-a, mas não procure ninguém a aceitá-la. Depois de a ter dado deixe o assunto de parte. Se força alguém a fazer uma coisa que esse alguém não quer fazer poderá receber o carma dessa pessoa, o qual pode ser bastante desagradável.Queremos, ainda, falar aqui dos animais. Muitos encaram os animais como criaturas estúpidas porque não falam, que andam sobre quatro pernas… Mas acontece que os animais também encaram os seres humanos como criaturas estúpidas. Se você fosse realmente telepata descobriria que os animais falam e mais inteligentemente do que muitos seres humanos. Alguns cientistas descobriram que existe uma linguagem entre as abelhas, que podem transmitir instruções bem pormenorizadas umas às outras e até realizam conferências. Também os sons emitidos pelos golfinhos depois de gravados e reproduzidos a uma determinada velocidade, a «fala», assemelha-se muito à fala humana. Os animais são entidades que vieram à Terra nessa condição a fim de poderem cumprir a sua própria tarefa do modo mais adequado à sua evolução. Se encararmos as animais como nossos iguais, admitindo que apenas se encontram numa forma física diferente, aproximamo-nos bastante deles e telepaticamente podemos debater com eles coisas que, de outra forma, seriam impossíveis. O cão, por exemplo, gosta da amizade do homem e decide ser subserviente pois assim recebe carinhos e elogios. Por outro lado, um gato siamês tem um certo desprezo pelos seres humanos porque é um ser mais evoluído, tem poderes ocultos e poderes telepáticos notáveis. Se você quiser e se acreditar sinceramente, com a prática, poderá conversar telepaticamente com um animal. Assim, chegamos ao fim deste curso em que pensamos que possa servir para mostrar como todos os «fenómenos» metafísicos são coisas simples. Temos outro curso que trata das matérias no sentido mais tradicional, com termos em sânscrito. Sugerimos que o estude, porque uma vez chegado aqui decerto quererá ir mais além. Hasta la vista! 

About these ads
Published in: on Março 23, 2008 at 6:44 pm  Comments (14)  

The URI to TrackBack this entry is: http://lobsangrampa.wordpress.com/2008/03/23/oi-mundo/trackback/

RSS feed para os comentários a este artigo.

14 ComentáriosDeixe o seu comentário

  1. Adorei. Já há algum tempo procurava na net o que já havia lido em alguns livros de Lobsang Rampa, sem sucesso. Muito obrigada.

  2. Lobsang Rampa, pra mim foi verdadeiro em tudo que disse e afirmou, me proporcionou experiencias unicas atraves de seus livros,a minha busca pelo conhecimento continua,
    mas é inegavel a influencia de lobsang em minha
    vida, para mim, um verdadeiro mestre.

    • Tive a felicidade de me corresponder , na época não existia internet, então foi via carta mesmo, com T. Lobsang Rampa. No astral já tentei achá-lo, porém ele deve ter ido para dimensão muito superior, pois conforme ele mesmo disse tudo é frequência. Talvez um dia quando melhorar a minha , possa reecontrá-lo , o que seria para mim uma felicidade enorme. Tudo o que afirmou não poderia vir de uma pessoa que viveu na Inglaterra, e o processo de transmigração vivido por ele , mostra o quanto evoluído ele foi.

  3. eu pratiquei muito em minha juventude .porem como diz lobsng perdi o pouco que aprendi por me dedicar aos prazeres da carne ! agora depois de mais velho venho a tempos procurando o caminho de volta e o encontrei aqui ! vlew

  4. Obrigada!
    Rampa foi, sem dúvida, um marco importante na minha vida!

    Andei à procura do livro, mas está fora do mercado, pelo menos em Portugal.

  5. Já havia me enbrenhado pelo mundo do ocultismo, quando me deparei com L.Rampa. Exatamente este livro voce e a eternidade pelo título me chamou a atenção. Aí li todos os livros do autor, e até me tornei de coração um tibetano, pela admiração e respeito que tive pelos lamas tibetanos, Li voce e a eternidade em 1977, e até hoje continuo lendo e relendo seus livros e o considero um grande amigo e mestre, se assim o puder, com todos aqueles que lhe são simpáticos. Gilberto-Brasília.

    • Dr Lobsang Rampa é….sem necessidade de PROVAS. Sinto-o como um SER que se fez HOMEM para prosseguir com a TAREFA dos seus ANTECESSORES.
      orlando,Maputo-Moambique

  6. Comprei dois exemplares por volta de 1975 ou 76, e obtive as primeiras noções e experiências extrafísicas. Li quase todos os livros de Rampa. Fico feliz em ter encontrado este livro aqui. Muito obrigado. Rampa foi muito importante em minha vida.

  7. Tenho estudado e lido. Digo que é muito bom e acredito que me será muito útil quando eu precisar deixar este mundo e partir para viver em paz do outro lado, onde não há segregação. Se eu pudesse ver ao líder tibetano para humanidade atual, o Dr. Rampa, eu somente agradecia por tudo que ele fez por nós todos. Isso tudo é mais fé em um Deus Verdadeiro que nos Ama. Obrigado vocês também.

  8. Dr.Lobsang Rampa,conheci seu trabalho através de um,livro por titulo :A SABEDORIA DOS LAMAS,o qual adoro muito ja esta bem velho meio despedaçado mas o guardo com muito carinho e as vezes releio pois sempre tiro bom proveito dele…foi um livro que veio parar em minhas maos apos a morte do meu irmao e este livro era dele…portanto tenho grande estima….ja se vao 27 anos que meu irmao partiu e esse livro se tornou uma reliquia para mim!estou lendo nesse momento curso de metafisica…..pretendo adquirir todos os outros livros…..obrigado por escrever e descrever com simplicidade esses grandes ensinamentos!

  9. maravilhoso, Rampa foi meu iniciador em tudo que sou hoje…. impressionante como os livros dele eleva meu ser. comeco a reler e comecam as manifestacoes da vida mais que fisica. Gratidao querdo Rampa, onde estiveres, sei que ao pegar um livro seu, vc retorna para dar aquela ampliada na vibracao.

    • Oi, Aalexandra, leio Lobsamg desde 1978, comprava os livros e os tenho guardado até hoje, o que me chamou a atenção primeiro foi você e a eternidade, já havia me ingressado na vida espiritual através do yogue ramacháraca, EU SOU, tive a grande revelação aí, no ,livro raja yoga, eu procurava desesperadamente por alguma coisa, até que veio o entendimento no – EU SOU – depois com lobsang aprendi tudo o que ele ensinou, embora não faça, mas nada para mim mais é segredo. Aprendi com lobsang o que é viagens astrais, rabdomancia, clarividencia, registro akásico, vida em outros mundos, e tudo isso é tão normal, não? Espantados ficamos nós quando vimos outras pessoas se espantarem com isso. A vida de lobsang tal qual ele conta, não foi fácil não, além de todas as controversias encontadas, o que ele passou na tortura durante a segunda guerra é simplesmnete impressionante, quase impossível. Sempre lembro do lobsang com grande carinho e também do seu mestre myngyar dundup, e o seu querido e inóspito tibet, é uma dessas pessoas que guardamos no coração com todo reconhecimento de alguém autentico e verdadeiro, porque quem sabe, sabe, não é? Gilberto – Brasília.

  10. Estou compartilhando o site com os ensinamentos.
    As visitas aumentará…
    Paz.

  11. A person essentially assist to make significantly posts I’d state.
    That is the very first time I frequented your website page and to this point?
    I amazed with the analysis you made to make this particular put up amazing.
    Excellent task!


Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

%d bloggers like this: